sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Conto de Nina

O CONTO DE NINA



            Sabe quando você sente que vai morrer? Foi exatamente essa sensação que tive quando entrei naquele avião. Todos os passageiros pareciam tão calmos, tão confiantes, mas algo me dizia que aquela viagem não seria nem um pouco comum. Talvez fosse minha última.

            Sentei em meu assento, dando graças a Deus, que era o da janela. O pôr do sol começava a surgir no céu e a noite estava prestes a dar seu brilho aos meus olhos. Porém, naquela noite não haveria lua. As estrelas seriam encobertas pelas nuvens que já apareciam. Aquela viagem seria feita em uma total escuridão.
            -Srta? – chamou uma voz ao meu lado. Me virei e me deparei com um senhor de cabelos brancos, olhos azuis muito claros e um sorriso extremamente bondoso – Importa-se que me sente?
            -Óbvio que sim, senhor – respondi sorrindo. Possuía um verdadeiro carinho por idosos e acreditava que aquele tornaria meu pressentimento menos verdadeiro.
            Um trovão ecoou por toda a área, até mesmo o avião pareceu tremer, mesmo estando ainda no solo. Algumas crianças pequenas gritaram e seus pais deram risadinhas. Eu simplesmente fiquei arrepiada. O senhor bondoso riu de meu aparente pavor.
            -Creio que tenho como acompanhante de viagem uma pessoa com medo de avião. Acertei? – a voz dele era doce e tranquilizadora. Entretanto, quando seus dedos apertaram meu pulso, apenas para mostrar que eu estava segura, algo em meu corpo reagiu estranhamente.
            -Sim – resolvi mentir, pois acreditava que a explicação de minhas reações “sensitivas” seria muito mais complexa. O homem com certa idade pareceu perceber.
            -Já que você não quer me explicar a verdade, acredito na mentira. Chamo-me Joseph, de todo jeito – ele ofereceu sua mão para que eu apertasse, mas não tive coragem. Por isso, apenas apresentei-me também:
            -E eu me chamo Nina.
            A voz da aeromoça soou pelo avião. Enquanto dava as instruções, a maioria dos passageiros a ignorava. Eu era parte da minoria. Joseph também.
            O avião começou a decolar e em poucos segundos viajávamos pelo céu pintado de laranja e vermelho. Apesar da beleza daquele momento, ninguém se importou em olhá-la.
            Aos poucos, o cansaço de estar viajando suprimiu meus pressentimentos e acabei cochilando. Não esperava que naquelas duas horas de sono, tudo mudaria.
            Acordei com gritos ecoando pelo avião. Ninguém, exceto eu, estava em seus assentos. Todos corriam pelo mínimo espaço em pleno desespero. Reparei sonolentamente que algumas pessoas permaneciam deitadas no chão. Suas expressões eram de medo, mas não havia respiração. Elas estavam mortas.
            A aeronave balançou forte, inclinando-se para a esquerda. A chuva caía do lado de fora, limpando as impurezas. A Morte penetrava por cada fileira, marcando vidas e mais vidas.
            Soltei meu cinto em pleno desespero e procurei com os olhos quem estava matando tantos inocentes. Os tiros atingiam corpos a todo instante e em poucos minutos não havia ninguém vivo.
            Os homens, as mulheres, crianças, idosos, amigos, inimigos. Todos deitados eternamente. E então, pude ver o assassino. Era Joseph. Seu sorriso bondoso transformara-se em uma máscara de horror.
            -Ora, ora, a Bela Adormecida resolveu acordar – sua voz era sarcástica, enquanto se aproximava de mim, a arma mirando meu coração, e seus pés pisando os tantos corpos.
            Não respondi. Não era uma heroína de filme que teria uma conversa imensa com o assassino e no fim roubaria a arma, podendo enfim vingar a morte de tantos passageiros. Eu era Nina. Não tinha coragem suficiente para aquilo.
            Reagi imediatamente. Pulei sobre os dois assentos da frente e saí em disparada pelo corredor. As balas da arma de fogo passaram raspando por meu corpo, o que me levou a acreditar que ele não queria minha morte. Um homem que matara mais de cem pessoas sabia muito bem como atirar.
            -Não fuja, doce dorminhoca. Você sabe que não tem saída. Estamos trancados. No voo da Morte – proclamou o monstro disfarçado de idoso simpático.
            Não parei em nenhuma das fileiras, tentando não dar oportunidade de ele se aproximar. Aquele era um jogo divertido para Joseph, isso eu podia sentir. Tentei abrir a porta do banheiro, mas ela estava trancada. Fui encurralada.
            Os olhos azuis do assassino brilharam quando me viram naquele local sem saída. E então a luz do avião apagou. A aeronave começou a despencar. Gritos escaparam de minha boca, enquanto todos os bagageiros abriam.
            As malas atingiam os mortos e os vivos. Uma das mais pesadas bateu com toda sua força na cabeça de Joseph. A arma caiu de sua mão e escorregou até a minha. Segurei-a e corri desesperada em direção à cabine do piloto. Ele também deveria ter sido assassinado.
            Com muita dificuldade para resistir à força da gravidade e desviar das bagagens que caíam de toda parte, segurei a maçaneta da porta do piloto e a puxei. Joguei-me para dentro.
            Tanto piloto quanto co-piloto estavam mortos. Seus corpos balançavam de seus assentos. O avião caía em velocidade cada vez mais rápida. As gotas pesadas de chuva atingiam todas as janelas como um presságio.
            Tentei manusear os instrumentos que controlavam a aeronave, mas não conseguia. Tudo era difícil e estranho. A torre de controle não me respondia de jeito nenhum. Aquele seria meu fim.
            Em meio a um desespero sem controle, não reparei quando a porta atrás de mim se abriu. Não senti a aproximação de um ser vivo pelas minhas costas e só pude gritar quando Joseph segurou meu pescoço. Porém, eu sabia lutar. Atingi sua parte mais frágil e seu corpo despencou com dor no chão.
            Peguei a arma. Fechei meus olhos e disparei. Junto ao meu primeiro assassinato, desmaiei. E isso foi minha última lembrança.

O que aconteceu depois
            Chegou meu momento de falar. Sendo a relatora desses contos, tenho que revelar o que aconteceu depois que eles acabam. Felizmente, tenho boas notícias dessa vez.
            Nina não morreu. Havia um passageiro escondido no banheiro, o que explica porque ele estava trancado. Quando ouvi o tiro que matou Joseph, o homem saiu do esconderijo às pressas e segurando o corpo da garota, saltou de paraquedas. Sim, ele carregava em todas suas viagens, um kit de emergência e devo dizer que isso foi o que salvou os dois. Então, ser um pouco paranoico foi a característica que preservou a vida de Nina e seu salvador.
            Os dois não acabaram juntos. Foi apenas um salvamento, nada mais. O avião explodiu quando atingiu o solo. Descobriram que Joseph tinha problemas mentais e acreditava ser um terrorista. No fim, tornou-se apenas um assassino descontrolado. Nina consolou cada família que perderam seus parentes naquela viagem e devo acrescentar, que foi uma garota realmente adorável. Apesar de não acreditar nisso. A Primeira Garota era uma heroína de filme. Não salvou os mortos, mas consolou os vivos.
            Esta foi o Primeiro Conto. Nina é apenas a primeira das Quatro. O que você lerá nos próximos dias mostrará as várias faces do terror, do suspense e do mistério. Sua mente está preparada para as próximas emoções?

Beijinhos, StarGirlie.

25 comentários:

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  2. Nossa, que bom que você gostou! Está preparada para o de amanhã??! Beijinhos, StarGirlie.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. eu to super Ansiosa para amanhã ;D ;D *-* *-*

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  5. srsrsrsrsr e cada o resto do povo comentando? Tinha tanta gente nos outros posts né? Beijinhos, StarGirlie.

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  6. é q o pessoal dorme cedo,devem estudar de manhã :P

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  7. Nossa Star, me surpreendeu. Se começou assim, imaginem os próximos... parabéns msm Star. Bjss, personnality fashion

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  8. Verdade,Lara, mas amanhã é sábado! E muito obrigada mesmo, Per! Beijinhos, StarGirlie.

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  9. Nossa que demais!!! Amei!!!
    To super ansiosa pelo conto de amanhã *-*

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  10. Morri agora, Lara, srsrsrsrsrsrsr. E estou tão feliz que você amou, Bruna! Já vou começar a pensar nos próximos contos... Beijinhos, StarGirlie.

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  11. VÃO SER SÓ 4 DIAS?

    TEM Q SER 4444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444 DIAS!

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  12. É, Lara, só vão ser 4 dias, mas não se preocupa, agora que eu sei que vocês gostam de surpresas, vou preparar mais! Beijinhos, StarGirlie.

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  13. Sim, Lara, a gente se conhece desde 2010, estudamos juntas, na mesma sala e tal. Somos muito amigas mesmo. E já levamos muitas broncas (ou olhares das prof) por ficarmos conversando sobre o blog e as novelas durante as aulas. Beijinhos, StarGirlie.

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  14. Seriu??? q massa manda um Bejinho pra Babi :P

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  15. Que lindo o blog! amei õ nome já fala tudo Viajante dos Livros! vc viaja mesmo nãum?



    Bjs gi!

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  16. srsrsrsrsrsr O blog Viajante dos Livros é outro (www.a-viajante-dos-livros.blogspot.com) e ele é escrito pela Babi (outra postadora do blog). Esse conto é meu (StarGirlie), mas tudo bem srsrsrsrsr E brigada. Beijinhos, StarGirlie.

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