segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Conto de Beth

Contos das Quatro
         Na noite passada, Lucy morreu depois de sua amiga, obsessiva pela liberdade, tentar simular sua morte. Mais uma morte a nossa enorme lista de óbitos.
            Hoje o último Conto será contado. Todas as emoções reunidas nos últimos três serão finalmente reunidas e tudo será interligado. A última Garota é a chave de todos os Contos. Ela esconde o maior segredo. O segredo que mudará tudo.
            Queria poder dizer que Emma e Lucy voltarão à vida, mas isso não é verdade. Nina foi a única sobrevivente nos últimos três contos. A que teve a sorte de ser salva.
            Agora é o momento de embarcar pela última vez nessas aventuras macabras. Segure-se em suas cadeiras, pressione seus mouses e tenha certeza que não estará sozinha esta noite. Hoje é o dia do Quatro. Faça as contas com os algarismos da data e saberá.

O CONTO DE beth




            Era cedo da manhã. Estava com meu livro de sonhos ao lado de minha janela. Ultimamente ele era meu único refúgio. Desde que aquelas três garotas começaram a invadir meu sono e transformar tudo em pesadelos, não conseguia mais me manter bem.
            Cada uma delas tinha transmitido suas desgraças. A primeira se chamava Emma e morreu depois de ter sido jogada contra uma árvore, a segunda e a terceira, Lucy e Mona, respectivamente, faleceram por causa da fumaça tóxica durante um incêndio.
            Agora todas as noites, sem exceções, essas três meninas aparecem para me assombrar. Porém, todas dizem que aquela é a “minha missão”. Sei muito bem disso, mas não quer dizer que eu aceite. Queria viver como qualquer outra adolescente. Nunca quis ser paranormal.
            -Filha? Já acordada há essa hora? – minha mãe se sentou ao meu lado, observando calmamente meu comportamento. Ela sabia sobre meus dons, mas, ao contrário de mim, os adorava.
            -Sim. Elas apareceram de novo – contei. Meus pelos se arrepiaram quando me lembrei de seus sorrisos felizes sendo interrompidos por mortes tão trágicas.
            Minha mãe suspirou. Ela já havia me dito que aquilo significava que as três não haviam partido completamente. Que precisavam de ajuda para se libertar. Porém, aquilo não me interessava. Desejava apenas que me abandonassem.
            -Você sabe o que eu gostaria que fizesse – relembrou minha mãe, indo em direção à porta.
            -Procurar as famílias delas não mudará nada. Além disso, são cidades muito distantes – resmunguei, procurando em meu livro a página “Mortos em seus sonhos”.
            -Não importa. Se quer paz terá que correr atrás dela – e assim me deixou sozinha, refletindo.
            Decidi não ir para o colégio aquele dia. Não suportaria mais um dia de humilhações e pessoas reclamando de meus devaneios em voz alta. Era culpa minha se as visões não me largavam?
            O celular vibrou. Era uma mensagem. De número desconhecido.
            “Beth, eu preciso falar com você. Sei sobre Emma, Lucy e Mona. Acredito que estamos presas a uma maldição. Eu fui a primeira. E você será a última – Nina”
            Maldição? Sentei-me no chão, percebendo que o dia passava do lado de fora da minha janela. Já era quase noite. Olhei para o sol se pondo e respondi a mensagem.
            “Como assim?”
            “As Quatro. Sei que como paranormal você sabe disso. As Quatro garotas perseguidas. Todas com histórias trágicas” foi sua resposta.
            “Mas se fosse assim seriam cinco!”
            “Mona foi uma das assassinas. Tecnicamente, as Quatro seriam eu, você, Emma e Lucy. E as últimas duas faleceram. Nos últimos dois meses”
            “E quando você sofreu algo para acreditar que fosse uma das Quatro?”
            “Há três meses. Este é o final, Beth. Você precisa correr contra o tempo. De acordo com minhas contas, hoje é a noite”
            Olhei para as estrelas que já brilhavam no céu. Levantei-me e vesti uma roupa rapidamente. Desci as escadas com pressa e não me despedi de minha mãe. Peguei um táxi e minha intuição me deu a localização da casa da Primeira.
            Nina esperava na porta. Seus olhos estavam esbugalhados e percebi que seu corpo tremia. Saí correndo em sua direção e percebi que ela carregava um papel em suas mãos.
            Escrito em letra cursiva havia um bilhete. Não, era uma receita. Ou melhor, um feitiço. Nina citou tudo que estava no papel, apenas de memória. Sabia que ela havia relido várias vezes.
            -É hoje. A lua minguante. Elas precisam partir, Beth, mas não sou capaz de fazer este feitiço. E se não fizermos...
            -Nós morremos – completei, já imaginando que a lenda das Quatro acabaria assim.
            -E ficaremos eternamente no plano terrestre – relembrou Nina. De seus olhos caiu uma doce lágrima que mostrava o quanto sentia medo disso.
            Entramos em sua casa sem que eu pedisse nenhuma explicação. A lua brilhava acima de nossas cabeças, enquanto nos ajeitávamos no jardim. Todas as fotos estavam presentes. Cada garota tinha quatro fotos, exceto Mona que tinha apenas uma.
            Esperamos alguns minutos, sabendo que não podíamos começar o ritual sem o momento correto. Minhas mãos tremiam, quando Nina aproximou-se de mim.
            -Desculpe-me, Beth, mas mesmo sendo um tanto paranormal, não consigo realizar uma libertação. Mas sei que você consegue – o relógio, que já estava programado para o alarme, deu as quatro badaladas que precisávamos.
            -É agora. Sobreviva – disse Nina, sabendo que neste caso “boa sorte” não adiantaria em nada.
            As velas, que estavam espalhadas, se acenderam. Um vento percorreu todo o local. Minúsculos barulhos podiam ser escutados com mais clareza. Até que quatro seres brancos surgiram em minha frente.
            Além das três garotas habituais, estava presente, nada mais nada menos do que, minha irmã. Mary havia sofrido um acidente doméstico quando ainda tinha 12 anos. Faleceu tão jovem. Eu não podia acreditar naquilo até mesmo naquele dia.
            -Vim ajudá-las, irmã, e estarei com você o tempo inteiro – sussurrou Mary, colocando-se ao meu lado.
            Emma, Lucy e Mona se colocaram em seus lugares. Seu brilho, que antes estava um tanto acinzentado, pareceu pender para o branco. Seus sorrisos iluminaram o ambiente novamente.
            Chuva começou a cair enquanto pronunciava as palavras necessárias. Elas repetiam logo após de mim. E então o sacrifício de Nina começou.
            Ela fez um pequeno corte em sua mão direita e deixou que exatamente quatro gotas de sangue. A cada uma que caía no chão, um espírito partia. Quando chegou a hora de Mona, temi que tudo desse errado.
            A melhor amiga de Lucy não fazia parte das Quatro e o mundo podia muito bem se vingar dela pela a morte da Terceira. Porém, algo fez como que ela partisse. E então, Mary veio até mim:
            -Irmã, você deixou Mona partir – sua voz mostrava lamento.
            -Sim. O que há de errado nisso?
            -Ela roubou sua passagem para o céu. Mona usou a quarta gota. A sua.
            Antes que pudesse responder, o espectro de Mary desapareceu. As lágrimas caíram de meus olhos e Nina correu em meu amparo. Nenhuma de nós imaginava que isso aconteceria. Graças a uma ajuda, eu permaneceria eternamente na Terra.
            -Isso não é certo, não é – reafirmou Nina.
            -Mas é a verdade – retruquei.
            Enquanto lamentávamos a minha sentença eterna, uma espécie de luz branca pareceu nos envolver. A sensação era de calor e carinho. Suspiramos aliviadas. Emma e Lucy vieram nos proteger. As Quatro estariam sempre juntas de alguma forma.
            -Obrigada – sussurramos juntas. Até mesmo a voz das duas falecidas foi escutada. Aquele era um momento de união. E não seria o último.
O que aconteceu depois
            Não posso adiantar nada. Sabe por quê? Isso aconteceu esta noite e o futuro é imprevisível. A única coisa que posso lhes dizer é: as Quatro ainda tem muita coisa para enfrentar pela frente.

Beijinhos, StarGirlie.

10 comentários:

  1. Adorei!! Só me deu medo....

    Bjs

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  2. srrssrrrssr Parece que eu tenho certo facilidade para contos de terror. Beijinhos, StarGirlie.

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  3. srsrsrsrsrs Te adoro, Babi! Beijinhos, StarGirlie.

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  4. EITCHA FAZ UM LIVRO! VCS DUAS JA SÃO ESCRITORAS!

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  5. EITCHA VCS TEM Q FAZER UM LIVRO! Vcs já são escritoras!!!

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  6. Ownnn, brigada, Lara! Mas fazer um livro é tão complicado ainda... E além do mais, quem disse que cada uma de nós já não está fazendo um? srsrsrs Beijinhos, StarGirlie.

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  7. Lindo conto SStar, fiquei com um pouco de medo... e qdo fizerem qro ser uma das primeiras a saber... bjss Personnality fashion

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  8. Com certeza, você vai ser a primeira a saber (pelo menos no meu caso). E muito obrigada, Per! Beijinhos, StarGirlie.

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