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domingo, 24 de fevereiro de 2013

E dois anos se passaram...

Hoje é um dia muito importante para o blog, mas antes de começar as festividades, tenho que pedir desculpas a todos vocês. Quando fevereiro começou, eu criei uma lista de novidades que seriam postadas no que chamei de "Fevereiro de Arrasar". Porém, com a chegada do Ensino Médio, comecei a me ocupar dos estudos e no meu tempo livre escolhi passear com meus amigos. Portanto, afastei-me totalmente do blog e as tantas surpresas começaram a atrasar até que me deparei com o fato de que o mês está praticamente acabando. 
Como não há mais tempo para cumprir todo o cronograma, decidi que tentarei fazer o meu melhor nesses últimos dias do mês e o que faltar, irei adiar para março. Espero que vocês entendam meu sumiço e a minha decisão.
Então, vamos parar de falar de coisas sérias e partir para o que interessa?

Há exatamente dois anos, duas amigas decidiam iniciar um blog onde poderiam expor seus sentimentos, onde seriam elas mesmas sem ninguém poder julgá-las, onde o mundo da leitura começaria a ler suas próprias histórias. Hoje, depois de tanto tempo, eu e a Babi não estudamos mais juntas como naquela época e não escrevemos novelas em conjunto. Nossos posts pararam de ser tanto desabafos e se tornaram, de alguma forma, reflexões. Nossos leitores cresceram, mudaram e se tornaram amigos nessa jornada pelo mundo da escrita.
Se formos analisar com atenção, podemos perceber o quanto o Feitiço das Palavras mostra nosso amadurecimento. Minhas frases diárias cheias de gifs foram substituídas por textos cheios de personagens contraditórios e repletos de dúvidas. Os poemas da Babi com aquele jeito de cantoria passaram a ser profundos e capazes de nos fazer pensar "não é assim comigo também?". Nesses dois anos em que postamos nesse cantinho, passamos por muitas fases de nossas vidas e não deixamos de representá-las aqui em nenhum momento. As personagens de minhas novelas, que povoaram 2012, passaram a enfrentar problemas menos juvenis e passageiros, mostrando que eu estava crescendo e que as coisas não eram mais tão simples como antes. Nossos sumiços constantes deixaram claro que nós duas estávamos tendo mais responsabilidades e afazeres e que postar era cada vez mais difícil.
Entretanto, nós nunca desistimos. E sabem por quê? Porque vocês, leitores, seguidores, amigas e amigos, nunca desistiram de nós. Vocês continuaram a ler nossos posts com todo carinho, a postar comentários, a visitar o blog, a nos seguir, a nos dar apoio sempre... E é impossível simplesmente ignorar tanta ajuda que vocês nos deram. Graças a todos vocês, chegamos aos 241 mil visitantes, aos 382 seguidores, aos 1515 posts e aos milhares de comentários. Se não fosse pela presença de vocês, o Feitiço das Palavras nem existiria hoje em dia.
E é por isso que hoje, no aniversário de dois anos do blog, eu lhes agradeço por tudo que vocês fizeram pelo Feitiço das Palavras. Muito obrigada mesmo!
Ah, e antes que eu me esqueça, feliz aniversário, Feitiço das Palavras!

Beijinhos, StarGirlie.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

22º Capítulo de A Última Escolha

Em alguns conversas com leitoras da novela, avisei que muitas coisas aconteceriam na próxima Fase da novela. Após ser narrada por Rosa e Scorpius, a partir deste capítulo, a história será contada pela Lily, estreando assim a Terceira Fase.
Antes de começar o novo capítulo gostaria de comentar sobre um detalhe que pode ter passado despercebido aos olhos de todos: cada Fase apresenta um personagem secundário que movimenta a história. Enquanto a Primeira Fase trouxe a adorável Serpent, a Segunda Fase fez com que a já veterana Silvia reaparecesse. Será que vocês já sabem quem será o importante personagem dessa Fase?

Vigésimo Segundo Capítulo
É hora de rever nossos conceitos



            Imaginei que, por causa da minha revelação, todos que estavam no subterrâneo iriam ficar paralisados, morrendo de medo. Porém, logo que terminei de falar, Silvia e Scorpius começaram a atacar a cela onde estavam Alvo e Rosa. – Vocês me escutaram? Eu falei que o Voldemort está vindo atrás de nós! – gritei, escandalizada. Não era possível que nenhum deles estivesse preocupado com o perigo que aquilo significava.
            -Nós escutamos, Lily – disse Scorpius, enquanto conseguia arrebentar um dos ferros que aprisionava meu irmão e sua namorada – E se ele está vindo atrás de nós, não podemos ficar esperando, certo? Estávamos preocupados com você e agora que você está aqui, não há motivo para prolongarmos nossa estadia nessa prisão.
            Silvia arrancou outro ferro com algum feitiço que eu não consegui entender e lançou um olhar raivoso para mim. – Olha, Lilian, eu sei que você teve que duelar com o seu namorado e deve estar muito abalada com isso, mas realmente precisamos de ajuda para acabar com essa maldita cela. Como Rosa e Alvo estão sem suas varinhas, você é a única pessoa que pode nos ajudar.
            Comecei a dizer todos os feitiços que conhecia até que reparei que alguém estava faltando em nosso grupo. Alguém que eu realmente não gostava. – Pessoal, sem querer atrapalhar o nosso trabalho, vocês sabem onde está a Serpent? Ela definitivamente não está aqui.
            Reparei que Rosa e Scorpius suspiraram irritados, enquanto Alvo e Silvia sorriam orgulhosos. – É melhor não falarmos sobre isso agora, certo? Se a Serpent sumiu, bem, pelo menos, não teremos que lidar com ela no momento – disse minha prima, tentando não ficar envergonhada. Pela forma como se pronunciou, tive a impressão que ela tinha começado a desconfiar da loirinha tão inocente.
            Escutei um barulho vindo do térreo e entendi que Lorcan havia acordado. Eu conseguira apagá-lo com um feitiço de magia negra que não me orgulhava de ter feito, mas era a única saída. Ele estava claramente possuído por Voldemort, como Alvo estivera há alguns dias. Meu namorado não era culpado de suas ações, porém, mesmo assim, eu precisava atacá-lo para me defender.
            Os ferros começaram a despencar com maior rapidez e, em menos de dois minutos, Rosa e Alvo conseguiram uma abertura para passar. A ruivinha parecia um pouco atordoada, mas resolvi não questioná-la sobre o porquê. Muita coisa deve ter acontecido enquanto eu lutava com Lorcan e realmente não tínhamos tempo para colocar a fofoca em dia.
            -Pronto, vocês estão livres – Silvia, apesar de toda a sua aparência de dona da razão, parecia realmente assustada com a situação. Porém, eu não podia culpá-la. Nenhum de nós fora criado para sermos perseguidos por Voldemort. Já tínhamos vivido momentos horríveis graças aos Fundadores, então, acreditávamos fielmente que nossa cota de perigos havia acabado - O que faremos agora? Vocês acham que voltar para Hogwarts é seguro?
            Rosa se afastou do abraço de Alvo e começou a tocar as paredes do subterrâneo. Ela parecia estar totalmente concentrada, porém, alguma parte de seu cérebro acompanhava a conversa, já que imediatamente sua voz ecoou pela cela. – Hogwarts é o único lugar em que poderemos recorrer a outros bruxos. Hogsmeade está devastada e, provavelmente, todos os seus habitantes morreram. Nossos pais estão enfeitiçados para nos matar. Se temos alguma esperança, é a de que a nossa escola ainda não está dominada pela força das trevas.
            -É com isso que estou preocupada, Rosa – continuou Silvia, observando cuidadosamente os movimentos da ruiva – Antes de Alvo desaparecer e eu começar uma busca por ele, nós dois simplesmente espalhamos o mal por todos os corredores de Hogwarts. Os alunos começaram a sentir ódio da casa Lovegood, os professores passaram a aplicar castigos em todos que tentassem seguir os passos de vocês. Meu pai foi tão enganado por mim que começou a culpar vocês por tudo que acontecia na escola.
            Silvia não podia estar falando sério, podia? Nós só tínhamos fugido, não matado ninguém. Não podíamos ser exemplos tão ruins quanto nos faziam parecer. – Então, é melhor agilizarmos nossa volta, porque teremos um grande trabalho para mudar essa imagem – afirmou Alvo.
            -Nós iremos voltar para Hogwarts? – Scorpius parecia chocado e até mesmo aterrorizado.
            -Claro que sim – respondeu meu irmão com um sorriso perigoso no rosto. Por um momento, só consegui torcer para que não estivéssemos caminhando para uma armadilha.
Escrito por StarGirlie.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

21º Capítulo de A Última Escolha

Vigésimo Primeiro Capítulo
Uma trouxa especial demais



            -Eu posso explicar meu encontro com ele – começou Serpent, com os olhos baixos. Ela parecia com medo de dizer algo errado – Quando eu era pequena, toda minha família morreu no incêndio da casa dos meus avós em que estava ocorrendo uma reunião familiar. Ninguém conseguiu sair. E-eu só consegui sobreviver, porque estava brincando na grama.
            -E o que ele tem a ver com isso? – Alvo estava irritado com a ideia de Serpent poder ter razão. Rosa se olhava espantada pela repentina mudança de seu estado de saúde, que também me assustava.
            A loirinha começou a chorar. Tive vontade de reconfortá-la, mas algo dentro de mim parecia dizer “não confie tanto nessa menina”. E, definitivamente, eu não estava em boa situação para duvidar de meus instintos. – Ele foi o responsável por essas mortes. Minha família inteira era formada por bruxos. Para se reerguer totalmente, aquele monstro precisava matar uma linhagem completa. E ele escolheu a minha.
            -O único problema é que ele não sabia que eu era um aborto. E isso destruía o sacrifício – Serpent parou de falar e, pela primeira vez, Silvia pareceu hesitar em sua certeza de que a loirinha era uma bandida. – Então, todas essas mortes foram... Por nada?
            Serpent se abraçou e sua voz estava fraca quando voltou a falar. – Ele queria me matar quando descobriu que eu havia destruído todo o seu trabalho. Porém, percebeu que havia um jeito de terminar seu sacrifício. E imediatamente, ele começou a procurar um bruxo de qual pudesse tirar os poderes.
            -E assim, naquela noite, ele lhe deu os poderes que você não tinha – completou Alvo, finalmente abraçando Rosa. Ela o envolveu desesperada como se estar longe dele fosse a pior tortura que pudesse sofrer.
            A loira apontou para os dois aprisionados e deu um pequeno sorrisinho. Queria sentir algo por sua dor, mas só conseguia pensar em como Lily estava em perigo, lutando com Lorcan. E definitivamente, em como Rosa parecia estar feliz com Alvo. – Foi por isso que eu curei vocês dois e quebrei suas algemas. Estava guardando meus poderes para o momento certo. Felizmente, tive força o suficiente para ajudá-los. O único problema é que eu não consigo fazer mais nada.
            -Está tudo bem, Serpent – Rosa sorriu. Entretanto, percebi que seus olhos denunciavam uma mentira. A ruiva havia mudado de lado como eu – Você já nos ajudou o bastante. Tenho certeza que eu, Alvo, Silvia e Scorpius conseguiremos arranjar um jeito para quebrar essas grades.
            -Mas vocês não podem usar a magia sem as varinhas... – começou Serpent, mas Silvia imediatamente a interrompeu. Nenhum de nós estava muito feliz em saber que a loirinha tinha mentido tanto sobre sua história. Ela nunca fora uma trouxa. E não estávamos nada felizes com essa mentira.
            -Espere um instante, senhorita “I’m angel”. De que “ele” vocês todos estão falando? – a maldade dos olhos de Silvia começou a desaparecer e a ser substituída pelo medo que eu havia visto há algum tempo.
            Escutamos um estrondo altíssimo vindo da loja e, no segundo seguinte, neve envolveu todo subterrâneo. Nossa visão foi obstruída imediatamente. Tudo ao meu redor parecia ser feito de branco e eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo.
            Até que escutei a voz de Lily ecoar em todo o local. – Estamos falando de Voldemort, pessoal. Ele voltou. E pronto para se vingar.
Escrito por StarGirlie.

sábado, 26 de janeiro de 2013

20º Capítulo de A Última Escolha

Vigésimo Capítulo
Os olhos azuis



            Rosa estava amarrada no canto da cela, extremamente ferida. Porém, seus lábios formavam um sorriso que poderia me fazer feliz por horas, se eu não estivesse vendo tanta dor pelo resto de seu corpo. Ela parecia ter sofrido por horas de tortura e talvez tivesse mesmo.
            Alvo estava ainda pior. Suas pernas pretas pendiam imóveis em sua frente e seu corpo parecia fraco demais para se manter vivo. Tive vontade de matar quem tivesse feito pessoas tão boas sofrerem tanto. Eu podia não gostar do irmão de Lily, mas não significava que quisesse seu mal.
            -Você veio! – Rosa parecia prestes a pular de felicidade. E talvez fizesse isso mesmo, caso não tivesse toda presa à parede e, depois de minha tentativa heroica de descobrir seu esconderijo, cheia de escombros. A culpa se acumulava em meus ombros como se fossem tijolos – Eu nem acredito nisso, Scorpius. Estamos precisando muito de sua ajuda...
            -Silvia? – disse Alvo, enquanto pulávamos para dentro do esconderijo. A bruxa chamada tentara fazer uma escada mágica, mas logo percebemos que aquilo só denunciaria nossa presença ainda mais rapidamente – O que você está fazendo aqui?
            A voz do namorado de Rosa era fria e sem expressar nenhum amor por sua ex. Senti pena de Silvia, apesar de saber que ela, após ter feito tanto mal a todos nós, merecia algum castigo. Porém, eu sabia o que era ser rejeitado e não desejava aquilo nem para meu pior inimigo. Tudo bem, desejava algo muito pior para quem estivesse torturando minha ruivinha.
            -Salvei a Lily, o Scorpius e aquela menina ali – Silvia apontou com desprezo para Serpent – de serem mortos por Rony, Harry, Gina e mais um milhão de bruxos possuídos que invadiram a sua casa, Rosa. O loirinho aqui acabou desmaiando e tendo uma visão de vocês e eu e a Lilian tivemos que fazer todo o trabalho sujo. Até o esperto acordar e nos transportar para aqui.
            Rosa olhou ao redor e uma dúvida se formou em seu rosto. – Sei que a história de vocês tem muitos detalhes para serem discutidos, mas, antes de vocês arranjarem um jeito de nos soltarem, onde exatamente nós estamos?
            -Em Hogsmeade – aproximei-me da cela de Rosa, desejando poder quebrar aqueles cabos com as minhas próprias mãos – Vocês não viram para onde foram levados?
            -Bem, quando fomos pegos pelo... – começou a ruivinha, quando Serpent inesperadamente começou a falar. Sua voz era esganiçada, como se estivesse nervosa e não consegui imaginar o porquê de tanta aflição. Sua vida antes de nos conhecer não exatamente um Paraíso e nós estávamos lhe protegendo muito bem nos últimos dias.
            -Acho que não devíamos falar de nada ruim, certo, pessoal? – a loirinha parecia um pouco burra falando daquele jeito. Como não podíamos falar de coisas ruins, se, na última semana, nossa vida inteira era ruim? – Só temos que pensar em um jeito de tirar a Rosa e o Alvo dessa cela horrível e vamos sair rapidinho daqui...
            -Você é a Serpent, certo? – a voz do moreno ferido mudou totalmente. Ele não estava mais surpreso como estivera com Silvia. Alvo estava com ódio. Ódio de Serpent.
            A loirinha, ao invés de simplesmente responder, engoliu em seco e encarou o bruxo. Nenhuma palavra saiu de sua boca. – Sim, é ela. Está tudo bem, Serpent? – a voz de Rosa era doce até mesmo em um momento como aqueles.
            Porém, a trouxa não teve nem tempo de responder. Enquanto ainda escutávamos os barulhos da briga de Lilian e Lorcan, Alvo começou a gritar. – Agora, eu consigo me lembrar! Você estava com aquele monstro quando ele me possuiu pela primeira vez! Por que você estava o ajudando, Serpent? Você não é uma bruxa, então o que ele poderia te oferecer?
            -Alvo, por favor, se acalme... – EU NÃO VOU ME ACALMAR, ROSA! Posso ter ficado sob o poder daquele monstro, mas voltei à minha consciência e consigo me lembrar de tudo que aconteceu antes de ser possuído. E essa menina claramente não é do bem.
            Silvia se colocou ao meu lado em frente às grades, observando chocada, como eu, as pernas de Alvo se regenerarem. Os ferimentos de Rosa pareciam ter melhorado consideravelmente também. Até mesmo minha mão parava de sangrar. – Vocês precisam acreditar em mim – implorou Serpent, com os olhos marejados – Scorpius? Rosa? Vocês sabem que podem confiar em mim...
            Olhei para Rosa e ela concordou com a cabeça. – Você não pode confiar nesse monstro, Rosa – a voz de Alvo parecia se quebrar em pedaços. Agora que seu corpo estava totalmente curado como o da ruiva, era estranho que eles estivessem mais tristes do que estavam antes, feridos – Eu...
            -Eu acredito em Serpent – disse meu grande amor, no exato momento, em que suas correntes se partiram ao meio como as grades.
            E pude jurar que escutei uma voz em minha cabeça dizendo “ele pode me oferecer tudo isso”.
Escrito por StarGirlie.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

19º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Nono Capítulo
Um amor pelo outro



            -Lorcan? – toda a vida que existia nos olhos de Lily morreu no exato momento em que ela pronunciou o nome de seu namorado. Desde que fugira de Hogwarts, minha melhor amiga se entristecia com o sumiço do garoto, mas era melhor imaginar o que ele estava fazendo o que vê-lo claramente se preparando para duelar contra ela.
            Lorcan nunca fora o irmão bom. Lysander sempre tivera esse papel. Enquanto o primeiro era atlético e meu melhor amigo, o segundo se esforçava para chamar atenção de Rosa ou passava as tardes na biblioteca. Lily sempre foi apaixonada pelo problemático até que um dia o bonzinho mostrou ser muito melhor. Mas seu amor foi morto e a garota teve que seguir em frente.
            Olhando para Lorcan, naquele momento, eu só desejava que ela não tivesse seguido em frente. – Ora, ora, Lilian – agradeci silenciosamente por ele não chamá-la por outro nome e quebrar seu coração em mil pedaços – Então, os boatos são verdadeiros. Além de fugir de Hogwarts, você está junto com esses dois bandidos que claramente só querem machucar os seus pais. Onde você estava com a cabeça quando pensou em ajudá-los?
            Lily se virou para mim, perplexa. Lorcan estava chamando a mim e a Silvia de bandidos? Éramos seus melhores amigos há séculos. Ele não podia estar falando sério. – Eles só querem machucar a você e a sua família. E quem é essa garota, por sinal? Ela perdeu a varinha ou algo do tipo? Já que não está com nenhuma empunhada...
            Quando Serpent parecia prestes a desafiá-lo, Lilian abriu a boca novamente e suas palavras pareciam ecoar na rua escura. – Esse não é você, Lorcan. Você está agindo como o Alvo antes de Rosa trazê-lo de volta para a luz. E eu não vou desistir de você. Minha prima pode não ter corrido atrás de seu namorado, mas ela nunca deixou de amá-lo. E eu te amo.
            Imaginei imediatamente que Lily estava louca, mas, no fim das contas, a ruivinha tinha razão. Agora que Alvo voltara ao normal, provavelmente o que estava em seu corpo correra para se alojar em outra pessoa estratégica. E já que havia atingido Rosa, o que seria melhor do que atingir Lilian?
            -Esse sou eu, Lilian! – Lorcan se aproximou ameaçadoramente de minha amiga e me coloquei diante dela – Eu continuo o mesmo cara que era quando você preferiu ficar com o meu irmãozinho. Você só me escolheu porque ele morreu e eu sou o mais próximo que existe dele.
            A ruiva atrás de mim me deu um cutucão e pediu para que eu a deixasse passar. Logo que me afastei, Lily se colocou na frente de Lorcan e tocou seu rosto. – Eu sei que você não quer dizer nenhuma dessas coisas. Você amava o Lysander e sabe qual é a dor de perder alguém assim. Nós seguimos em frente juntos e não adianta você tentar me amedrontar. Meu amor é muito mais morte que qualquer maldição que você possa tentar me lançar.
            Cada palavra que Lily usava só me fazia lembrar o quanto ela era parecida com sua avó. Sabia que a exposição à qual J.K. Rowling havia nos submetido com a série Harry Potter não era boa, mas, pelo menos, nos permitia reparar em coisas como essa. Apesar de Silvia só parecer preocupada com seu amigo, pude perceber que Serpent tinha o mesmo pensamento que eu.
            Porém, enquanto nos afundávamos em nossos pensamentos, não percebemos a varinha de Lorcan se dirigindo ao estômago de Lilian. No minuto seguinte, minha melhor amiga voava pela rua de Hogsmeade, batendo com tudo em uma parede de tijolos e caindo no chão.
            Estava me mexendo para ajudá-la, quando escutei sua voz me atingir. – Vá salvar Rosa, Scorpius. Leve as meninas com você. Quem quer que esteja nos atacando realmente é forte e quanto maior a quantidade, melhor. Quanto a Lorcan, não se preocupe. Eu consigo lidar com esse remake do meu namorado.
            Pensei em resistir ao seu pedido, mas ela tinha razão. Virei-me para Silvia e Serpent e juntos começamos a correr o mais rápido possível. Lily, apesar de estar machucada, atacava Lorcan, tentando distrai-lo até que não conseguíssemos ser pegos.
            Tentei não pensar no destino da ruivinha, enquanto entrava pelo vidro quebrado da loja. Silvia apontava sua varinha por todo o cômodo, enquanto eu e Serpent procurávamos alguma entrada que poderia abrir para a prisão subterrânea.
            É o Scorpius, Alvo! Ele está aqui! A voz de Rosa veio debaixo do chão onde as solas dos meus sapatos estavam plantados. Meu coração pareceu pular de meu peito. Afastei-me dois passos e explodi a madeira com o primeiro feitiço que me veio a cabeça. Porém, logo que enxerguei a cena abaixo de mim, arrependi-me.
            -Rosa? – minha voz parecia tão ruim quanto a de Lily. Não queria nem imaginar como estavam meus olhos.

Escritos por StarGirlie.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

18º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Oitavo Capítulo
Cinzas vermelhas como sangue



            Estava segurando os flocos de neve, mas, ao contrário do que eu esperava, eles não se desintegraram com o meu toque. Na verdade, ao invés de desaparecer, cada um deles se coloriu com uma tonalidade avermelhada aterrorizante.
            -A neve é vermelha como sangue! – Silvia gritou, apesar de estarmos tentando não chamar a atenção. Suas mãos cobriram a boca imediatamente, mas algo dentro de minha mente pareceu dizer: de qualquer forma, já estavam te observando mesmo.
            Lily tocou minha mão e, ao invés de observar os flocos, berrou. – Scorpius, não é a neve que é vermelha. A sua mão está cheia do seu sangue – seus olhos estavam saltados como se quisessem fugir de seu rosto. Silvia ao seu lado parecia estar tão chocada quanto a ruiva. Já Serpent parecia distraída, olhando para o céu.
            Queria poder reconfortar minha melhor amiga, mas, no momento seguinte, senti pontadas de dor invadirem minha mão. Meu corpo inteiro tremeu com aquela tortura, minha mente parecia prestes a explodir com tanta pressão. Aquilo definitivamente não era neve.
            O cheiro de morte, o potencial como arma... – Pessoal, acho melhor vocês olharem para aquilo – disse a loira, apontando para algo que estava sobre todos nós. Porém, ao invés de seguir o seu olhar, só consegui observar o rosto de minhas amigas, tentando enxergar se algum floco de neve havia os atingido. Felizmente, aparentemente, a neve só estava direcionada para o meu corpo.
            -Meu Deus – exclamou Lilian, apontando sua varinha para o ponto no Céu. Silvia tentou imitá-la, mas o medo praticamente a paralisava. Se alguma coisa era capaz de deixá-la assustada, definitivamente aquilo não era um bom sinal. Apesar da dor que se espalhava pelo meu braço, desviei meus pensamentos de meu próprio sofrimento e olhei para o local tão aterrorizante.
            E imediatamente entendi o que causara tanto medo às garotas que me acompanhavam nessa empreitada suicida. Flutuando no céu, como se fossem marionetes das estrelas, estavam corpos sendo queimados. O fogo se alastrava lentamente pelas pessoas, provocando as cinzas que caíam insistentemente por Hogsmeade. Porém, nenhuma das vítimas se mexia. – Eles estão mortos, não estão? – a voz fraca de Lily mostrou a seriedade da situação: quem quer que fosse o nosso inimigo, ou inimiga, não seria facilmente parado.
            -Mortos por envenenamento – comecei a falar – É por isso que as cinzas queimaram a minha mão. Essas pessoas foram assassinadas apenas para servirem como arma.
            -Arma contra quem? Contra nós? – Silvia finalmente saiu de seu transe e começou a andar pelo perímetro, em busca de alguém que pudesse nos atacar. Quando seus olhos castanhos se direcionaram rapidamente para os meus, percebi que todo seu medo havia se transformado em violência.
            -Acho que não apenas para nós – respondeu Lily, deixando de olhar para os mortos e começando a observar a loja onde Serpent deduzira que Rosa e Alvo estavam aprisionados. Depois daquela visão, algo dentro de mim pareceu dizer que eles estavam em Hogsmeade, mas o palpite da loira era muito mais específico – Eu não sei o que está acontecendo aqui. Só sei que toda essa neve não é neve e sim cinzas de mortos. Centenas de mortos.
            Sabia que eu não devia ser egoísta em um momento daqueles, mas não podia deixar que nos desviássemos de nossa missão. – É melhor andarmos rápido antes que sejamos transformados em cinzas ou que Alvo e Rosa sejam queimados acima de nossas cabeças.
            Voltamos a correr e, apesar da dor em minha mão, que ficava preta como as pernas de Alvo, senti que a esperança crescia dentro de mim. Podíamos não ser capazes de enfrentar tudo aquilo sozinhos, mas, após salvarmos Rosa e Alvo, podíamos voltar para Hogwarts e...
            -Aonde vocês pensam que estão indo? – aquela voz era impossível de não reconhecer. Eu e Silvia nos viramos exatamente, porém, Lily simplesmente parou. Ela não tinha forças para ver seu namorado daquele jeito. Lilian não podia ver Lorcan com aqueles olhos cheios de ódio.

            Escrito por StarGirlie.

sábado, 19 de janeiro de 2013

17º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Sétimo Capítulo
Hogsmeade




            Caí no chão com Serpent ao meu lado. Ela parecia atordoada com a viagem e realmente, até mesmo eu que vivia me teletransportando por aí, me sentia mal. Provavelmente, era a distância gigantesca que havíamos percorrido a grande culpada do enjoo que sentíamos.
            -Scorpius, o que aconteceu aqui? – exclamou Lílian, horrorizada. Seu cabelo ruivo estava totalmente bagunçado e seu rosto parecia um pouco ferido. Porém, a garota não estava preocupada com si mesma. Ela estava pensando em Hogsmeade.
            Diante de tal choque, virei meu rosto e minha boca se abriu, enquanto minha mente entendia o que Lily quis dizer. Apesar de ser primavera, havia neve por toda a parte. As janelas estavam quebradas e eu podia ver que os móveis dentro das casas estavam congelados. Porém, ao invés de morrermos de frio, a vila parecia estar fervendo.
            Olhei para o chão e assustei-me quando vi que estava repleto de sangue. Eu e as três meninas gritamos ao mesmo tempo. – Ai, meu Deus – Silvia colocou a mão na terra e seus dedos pingaram o líquido vermelho. Seus olhos mostravam o quanto sua alma estava assustada.
            Serpent envolveu seus braços ao meu redor. – De quem é esse sangue? – sua voz fraca ecoou pela rua escura e, por um momento, temi que alguém pudesse nos escutar. Se alguém estava matando todas aquelas pessoas, provavelmente não se importaria de dar um fim em nós quatro.
            Lily se levantou nervosa, tentando tirar o sangue de suas roupas. Silvia a imitou e se apoiou em sua antiga inimiga. Realmente, situações desesperadas pedem medidas desesperadas.  – Por que Hogwarts não fez nada a respeito disso?
            Olhei para o castelo acima da montanha, reparando que todas as luzes estavam acesas normalmente. – Talvez eles não possam arriscar a vida dos alunos – tentei dizer algo para amenizar a situação, mas também estava horrorizado com as ações da escola em que estudamos.
            Serpent parecia fixa em alguma coisa ao longe. Segui seu olhar e percebi que ela encarava alguma loja local que estava tão destruída que eu não conseguia identificar. Provavelmente, a loira só estava em um estado de choque tão intenso que nem estava pensando.
            -Serpent? – Lily a chamou, mas a trouxa não respondeu. A namorada de Lorcan se aproximou da menina e a sacudiu – Serpent! Serpent! – os esforços eram inúteis.
            -Eles – a loira apontou em transe. Olhamos para a loja sem entender – Rosa e Alvo. Eles estão presos ali – seus olhos me encararam por um segundo e logo percebi que Serpent havia despertado – Ai, meu Deus! Eu falei alguma coisa, não falei?
            Silvia se aproximou da loirinha. – Sim, você disse que a Rosa e o Alvo estavam aprisionados naquela loja – observei o vidro quebrado do estabelecimento, mas não conseguia ver nada demais. Havia sangue perto da porta e claramente neve entrava pela janela. Enquanto examinava o local, reparei em algo que o diferenciava de todos os outros: os móveis dentro dele não estavam congelados.
            -Ela pode ter razão – falei, cortando Lily que afirmava que Serpent estava apenas tendo uma alucinação por ter ficado com medo do sangue – Aquela loja não está congelada por dentro. Não sei o que aconteceu por aqui, mas obviamente ali não aconteceu a mesma coisa.
            -Scorpius... – começou Lilian, mas Silvia a interrompeu imediatamente. – Estamos falando de Rosa e Alvo, certo? Não podemos deixá-los morrer. Pelo o que vocês disseram, o Alvo estava agindo que nem um babaca e, provavelmente, é por isso que eu gostei dele. Se ele continuar bancando o idiota, não sabemos o que aconteceria com Rosa...
            -Ele não está bancando o idiota – confidenciei – Tive uma visão durante o desmaio e Alvo está com Rosa, o que só torna a situação dos dois pior ainda. Segundo a conversa que escutei, alguém aprisionou os dois e machucou seriamente as pernas de Alvo.
            -Deve ser a mesma pessoa que fez isso com Hogsmeade – supôs Lilian, começando a andar na direção da loja – Eu só não consigo imaginar alguém que seja capaz de destruir um lugar tão perto de Hogwarts e, mesmo assim, não ser derrotado. Mas pensando bem, seja lá quem está comandando este plano conseguiu possuir o Harry Potter, então, nada é impossível.
            Estava prestes a concordar, quando percebi que neve estava caindo em nossas roupas. Porém, ao espantá-la, senti um cheiro que não pertencia aos flocos que sempre acompanhavam o inverno em Hogwarts. – Meninas, há algo errado com essa neve. Ela cheira... a morte.
Escrito por StarGirlie.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

16º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Sexto Capítulo
Verdadeiro Amor



            Quando abri meus olhos, estava deitado no meio de uma cela escura. Uma fraca luz saía de uma janela quase no teto, revelando as grades mágicas que eu havia visto antes de desmaiar. – Rosa? – minha voz ecoou pela pequena caverna, mas algo me dizia que ninguém me escutaria.
            Comecei a rastejar no chão sujo quando escutei duas vozes baixas no fundo da cela. Reparei que ambas interagiam em uma conversa desesperada e esforcei-me para me aproximar sem fazer nenhum barulho, enquanto tentava escutar o que diziam.
            -Alvo, nós precisamos arranjar um jeito de sair daqui! – aquela voz era de Rosa. A mesma Rosa que há alguns segundos olhava pelas grades como se pedisse socorro. Apesar de não estar sozinha, ela realmente estava em perigo.
            -Rosa... Você sabe que eu não posso te ajudar... Não desse jeito – o que Alvo estava dizendo? Ele preferia ficar preso pelo resto da vida só para ter a ruiva ao seu lado o tempo todo? Onde fora parar o irmão de Lily que sempre me odiara por minhas atitudes “dúbias”?
            Rosa bufou um segundo antes que eu chegasse ao local onde os dois estavam conversando. Porém, ao invés de encontrá-los brigando, deparei-me com uma cena que quebrou meu coração.
            A cabeça de Alvo estava no ombro de minha ex-namorada, enquanto seus braços a envolviam em um abraço carinhoso. Os dois respiravam lentamente como se segurassem o choro. Ao contrário do que eu esperava, eles claramente pareciam um casal apaixonado. Os dois teriam voltado no cativeiro?
            Estava preparado para começar a me explicar quando Rosa olhou para mim. Mas foi então que percebi que ela não olhava para o meu rosto e sim para a parede que havia atrás de mim. – Ai, meu Deus. Você não está me vendo, está? – perguntei, mesmo sabendo que não receberia nenhuma resposta.
            Rosa arfou e fechou os olhos. – Não sei o que aquele maldito homem está fazendo, mas estou sentindo alguma coisa aqui. Parece que tem alguém aqui e não podemos enxergar – senti um aperto em meu coração. No fim das contas, minha ex-namorada podia não me ver, entretanto, sua alma sempre seria capaz de me encontrar.
            Alvo balançou a cabeça e tocou a bochecha de Rosa. – Aquele monstro é capaz de qualquer coisa. Eu queria tanto poder nos tirar daqui, mas, com essas minhas pernas, não conseguiria nem me levantar.
            Olhei para baixo e vi o que Alvo estava falando. Suas pernas estavam pretas que nem o breu e exalavam um cheiro podre. Era como se estivessem mortas. – Elas vão melhorar. Nós iremos encontrar um jeito de tratá-las antes de fugirmos. Eu acredito que conseguiremos.
            Sorri, lembrando-me da quantidade de vezes que Rosa fora otimista com seu relacionamento com Alvo. Apesar de nunca ter conversado sobre isso comigo, já tinha escutado muitas de suas conversas com Lily e a maioria delas era sobre o fato de que ela esperava que o moreno fosse seu amor verdadeiro. Aquelas palavras sempre cortavam meu coração, mas eu nunca parava de bisbilhotar o que conversavam.
            Quando Alvo estava prestes a acabar com as esperanças da ruivinha, a visão diante de mim começou a se embaçar. Scorpius, acorde! Scorpius! – gritava alguma voz em minha mente. Por um momento, sonhei que fosse Rosa, mas ainda podia ver sua boca parada. Instantes depois, nem isso conseguia ver mais.
            Serpent estava segurando meu rosto em seu colo, enquanto lágrimas caíam de seus olhos. – Você está bem! – exclamou a loirinha, abraçando-me. Escutei Silvia e Lilian gritando feitiços ao nosso redor e lembrei-me de onde estávamos antes que eu fosse transportado para a prisão de Rosa e Alvo.
            Levantei-me apressado, puxando minha varinha e atingindo um bruxo desconhecido que acabava de subir a escada. – Precisamos sair daqui! – gritei, vendo que outros possuídos continuavam chegando. Ou saímos daquela casa ou ficaríamos eternamente lutando.
            Lily segurou a minha mão, enquanto Silvia agarrava sua outra. Puxei Serpent pela minha mão livre, enquanto sussurrava para as três: pensem em Hogsmeade.
            E no segundo seguinte, estávamos sendo sugados para um lugar em que eu esperava encontrar meu verdadeiro amor. Infelizmente, acabaria encontrando também o verdadeiro amor dela.
Escrito por StarGirlie.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

15º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Quinto Capítulo
Uma mão lava a outra



            Lily soltou um grito de medo ao ver sua mãe surgir em nossa frente. Porém, ela não teve nem tempo de sofrer por tal visão, pois Silvia imediatamente atacou Gina com um feitiço. Como imaginava que ficaríamos aterrorizados demais para reagir, a ruiva não estava preparada e simplesmente voou pelo corredor.
            -Meu Deus! – gritou Serpent, antes de tampar sua boca ao mesmo tempo em que escutávamos a voz de Harry vinda do andar debaixo “Gina, está tudo bem com você?”. Nem mesmo possuído, o pai de Lilian conseguia esquecer seu grande amor.
            Colocando a varinha em seu pescoço, Silvia deu um sorriso cruel e respondeu, com a voz de Gina:
            -Estou sim, amor. Muito obrigada por se preocupar – Lily me abraçou com medo. Ela devia estar sofrendo tanto por ver sua mãe daquela maneira. Além de estar possuída e desmaiada, Gina estava sendo usada por Silvia.
            Harry se calou e a ex-namorada de Alvo se virou para nós três. – Agora que eu salvei a pele de vocês, o que nós iremos fazer para encontrar Alvo e a... – Silvia enxugou suas lágrimas – maldita da Rosa?
            Pensei em revidar, dizendo que a maldita ali era ela. Mas não podia discordar de uma coisa: Silvia realmente nos salvara. E como o oposto de uma aluna da Lufa-Lufa, a filha de Neville não faria nada sem pedir algo em troca. Como eu ouvira em alguma série trouxa, toda magia tem seu preço.
            -Ok, então. Primeiro, precisamos sair daqui o mais rápido possível – falei, enquanto segurava a mão de Lily, tentando transmitir-lhe minha calma. A ruivinha, entretanto, continuou tremendo – Você tem alguma ideia, Silvia?
            A morena olhou para mim com um sorriso travesso. Ela podia ser a mais malvada de toda, mas não posso mentir; Silvia era linda. – Claro que tenho, meu loirinho – olhando-me daquele jeito, tive quase certeza que ela se lembrava de nosso beijo com muita clareza.
            Antes que pudéssemos perguntar alguma coisa, Silvia se aproximou da barreira mágica e desenhou um V com sua varinha. Inicialmente, o espaço entre nós ficou tão verde e brilhante que era impossível enxergar em meio daquela luz. Entretanto, conforme os segundos passavam, o encantamento pareceu esmorecer. E quando minha mãe tocou o braço da filha de Neville, não pude deixar de sorrir.
            -Ai meu Deus! – exclamou Serpent tão feliz. Porém, sua animação não me contagiou. Havia algo em seus olhos que me parecia errado, oposto à sua aparência – Como você conseguiu fazer isso?
            Lily me puxou para fora do quarto, enquanto nossa conhecida trouxa continuava parada, impressionada pelo feito de Silvia. – Bem, escutei aquele pessoal lá embaixo dizendo que a chave para tudo era a letra V. Não sei o que isso significa, mas resolvi tentar.
            Não me importei com o que a tal letra significava. O importante é que estávamos livres. Quase livres, na verdade. – O que você quis dizer com o “pessoal lá embaixo”? – perguntou Lily, tirando-me de meus pensamentos.
            Foi nesse exato momento que escutei os passos na escada. – Vocês estão preparados para lutar? – disseram Lilian e Silvia ao mesmo tempo. Coloquei-me na frente de Serpent e levantei a minha varinha como as outras bruxas. Porém, ao invés de pensar em um feitiço para atacar nossos inimigos, só consegui pensar em Rosa.
            E quando vi seus cabelos ruivos emoldurando seu rosto doce atrás de grades mágicas, minha mente se desligou de meu corpo e, no segundo seguinte, eu desmaiei.
Escrito por StarGirlie.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

14º Capítulo de A Última Escolha

Décimo Quarto Capítulo
Ela simplesmente não consegue desistir




            Coloquei-me em frente de Lily, sabendo que aquela garota não iria hesitar nem um pouco em atacar algum inocente. Silvia nunca fora uma boa garota e até hoje eu me perguntava como Alvo havia aceitado namorá-la. Ela podia ser linda, mas, com uma beleza apenas externa, nenhum namoro duraria tanto tempo quanto o deles.
            -O que você está fazendo aqui, Silvia? – tinha vontade de atacá-la ali mesmo, mas não iria conseguir fazer nada sem minha varinha e com aquela maldita barreira mágica entre nós dois.
            A filha de Neville parecia se divertir com a situação. – Ai, Scorpius, que voz séria! – ela tentou me tocar, mas o feitiço a repeliu – Gostava muito mais de você quando era todo popular e aproveitava mais a vida. Ficar andando por esse matagal todo só por causa de uma menina? Ah, pelo-amor, querido. Nem mesmo eu, que sou maravilhosa, mereço isso!
            Obviamente, Silvia só estava desvalorizando Rosa e se achando. Aquela menina realmente acreditava que era incrível só por ser popular.  O problema com tal pensamento era que a ruiva também era popular, como Lily afirmava há anos. – Informação errada, bonitinha – acrescentei o apelido de propósito – Estamos nessa maldita aventura por causa de seu namoradinho, Alvo. Ele está sendo o maior babaca com a Rosa há semanas e nós precisamos descobrir o que há de errado com ele.
            -Não há nada de errado com ele, imbecis – Silvia parecia realmente estar se irritando. Sua varinha tocou meu peito, mas não o suficiente para eu poder puxá-la para dentro do quarto – Alvo só cansou daquela ridícula. Ele quer coisa melhor e já encontrou.
            Lily riu ao meu lado. – Se você se chama de “coisa”, o problema é seu. Mas sabe, a Rosa é uma garota e ele não vai conseguir nenhuma melhor, porque não existe. Então, fique se achando a rainha só porque meu irmão, que está louco, escolheu você.
            Os olhos de Silvia pareciam verter ódio. Por um momento, tive medo que a menina pudesse ferir a irmã de Alvo. – Quem você pensa que é, Layla? – segurei o braço de Lily, sabendo que ela não iria aceitar nem um pouco bem aquela provocação. Silvia havia trocado seu nome para lembrá-la da época em que Lorcan nem sabia que ela existia e era obcecado por Rosa. A aluna da Lufa-Lufa não estava sendo justa. Mas aquilo não era novidade alguma.
            Quando Lily estava pronta para responder à altura, escutamos passos desesperados subindo as escadas e Serpent apareceu atrás de Silvia com o rosto pálido de medo. Havia um sorriso orgulhoso em seus lábios e então percebi que suas mãos seguravam a minha varinha e a da Lilian.
            Silvia não teve nem tempo para se virar e atacar nossa amiga trouxa. Serpent voou em direção ao quarto, empurrando a ex-namorada de Alvo e nos entregando nossas varinhas. Os olhos castanhos da bruxa que estava do lado fora do quarto pareceram gritar de pavor.
            Lilian deu um sorriso maldoso e olhou para Silvia cheia de raiva. – Eu sou a única pessoa que o Lorcan realmente amou. Sou a única pessoa que é capaz de me impedir de te atacar agora. E se você não me der um bom motivo para me acalmar, pode esquecer qualquer coisa que tenha vindo fazer.
            -Espere, Lilian – a voz de Silvia havia partido de debochada para desesperada – Eu estou à procura de Alvo. É por isso que vim atrás de vocês. Hoje de manhã, ele chegou dizendo que vocês e a Rosa seriam capturados pelos seus próprios pais e depois desapareceu. Eu não sabia o que fazer, então imaginei que vocês seriam capazes de me dar alguma informação.
            Olhei para Lily e Serpent, tentando entender se elas achavam que Silvia estava ou não falando a verdade. – Ele estava tão feliz em estar comigo em Hogwarts e, de repente, me deixou sozinha. Eu estou com medo de que algo tenha acontecido com ele.
            -Ah, é normal o Alvo deixar a Rosa, mas você ele tem que aguentar todos os dias? – debochou Lily, dando risada – Pelo amor de Deus, Silvia, deixe o Alvo em paz que nós iremos cuidar dele.
            Porém, ao invés de xingar Lilian ou atacá-la com algum feitiço, a filha de Neville começou a chorar. E chorar muito. – Eu amo o Alvo. E eu não consigo imaginá-lo sofrendo, sendo torturado. Nós precisamos achá-lo, de qualquer maneira.
            Mesmo não gostando de ver nenhuma menina chorando, não podia ajudar Silvia. Ela já fora minha amiga, mas sempre humilhara Rosa e brincara com os sentimentos de Thiago como se eles não fossem nada. – Bem, que pena, Silvia. Porque nossa prioridade atual é encontrar Rosa.
            Silvia me olhou chocada, como se eu estivesse falando que iria preferir salvar uma formiga à minha mãe. Entretanto, ela não teve nem tempo de começar a falar, porque nesse momento ouvimos uma voz no corredor:
            -Acho que vocês só se esqueceram de uma coisa. Ninguém sai daqui.
Escrito por StarGirlie.