Cátia entrou no palácio em que a festa de sua maior rival estava acontecendo. Todas as velas estavam acesas e o mundo parecia inundado em uma luz sombria, macabra.
Os convidados se movimentavam como se estivessem enebriados com a magia obscura que sempre acompanhava os atos da podre convidada. Não importava o quanto ela lhes fizesse mal; eles pareciam dispostos a humilharem a se próprios para conseguir um segundo de sua atenção.
Patéticos, desprezou Cátia enquanto entrava na pista.
A festa era tão grandiosa quanto o lugar que a recebia. O traje seguia a linha de um baile de máscaras e, para garantir que ninguém aparecesse com fantasias ridículas, a anfitriã se prontificou de entregar todas as roupas na casa dos convidados no dia anterior. Porém, Cátia se recusara a aceitar o controle de alguém que claramente não merecia nem mesmo um pouco de admiração.
Enquanto todos no salão estavam vestidos com tons de azul e prata, a convidada escolhera um maravilhoso vestido vermelho. Ela não queria aparecer mais que ninguém, só queria mostrar que não era hipócrita que nem aquela corja que povoava o local. Cátia não iria submeter às ordens de pessoas que só sabiam ferir quem não as seguisse. Ela não iria ser como eles queriam. Cátia definitivamente era ela e não se importava nem um pouco se aquilo atingia os outros. Sua personalidade
ninguém mudaria.
O anúncio foi feito e a poderosa aniversariante desceu as escadas. Seu vestido era branco como a neve, mas sua maquiagem era preta como as trevas. Cátia sorriu. Os olhos da anfitriã pareceram se contrair quando ela avistou a convidada na multidão. Entretanto, enquanto se aproximava para cumprimentá-la, Cátia sabia muito bem qual seria sua reação.
E, como em um roteiro bem estruturado, a aniversariante lhe deu um beijo no rosto, sorriu e disse que havia amado o vestido que Cátia usava. Em seguida, pediu desculpas e disse que precisava cumprimentar o resto dos convidados.
Tão sincera,
tão amável.
Cátia riu, enquanto a rival se afastava. Ela sabia muito bem que a Garota de Branco tinha odiado sua roupa que se destacava no cenário palaciano, mas não haveria gritos, nem barracos, nem sentimentos
verdadeiros. Mas a convidada não podia culpar sua anfitrião: ela só estava seguindo os passos de seus convidados como eles seguiam os seus em um ciclo vicioso.
Aquele era um simples mundo de hipocrisia. As pessoas nunca mostrariam o que realmente sentiam, nunca diriam o que pensam e nunca ousariam nadar contra a maré. Sinceramente, é uma pena que Cátia não tem medo de ser quem ela é, mesmo que para isso tenha que lutar contra
cada um que tentar destruí-la.
E, com um sorriso nos lábios, a garota deixou sua taça sobre a mesa e se concentrou na música que estava tocando. A noite estava apenas começando e ela ainda tinha muito o que dançar.
Beijinhos, StarGirlie.