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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Conto de Princesa


                Era uma vez...
                E toda história que começa assim, supostamente, é um “conto de fadas”. Entretanto, sempre achei meio incoerente entregar assim, de forma tão fácil, as histórias para as fadas. Quem disse que o conto é delas? Quando é que decidiram isso? E, digo mais, se decidiram, com certeza foi sem minha aprovação.
                Nada contra as fadas, claro. Mas, como podemos notar por Branca de Neve, Rapunzel e biriri, bororó... Nem todos os contos de fadas têm as benditas FADAS! A minha, a sua e a nossa infância foi uma calúnia!
                Conto de fadas que é conto mesmo devia se chamar “conto de princesas”. Muito mais explicativo, muito mais correto.
                E o conto de fadas que gostaria de contar-lhes não é desconhecido, na verdade. Mas, para mim, é um conto de princesa – no singular, porque neste conto há apenas uma princesa.
                Vamos recomeçar...
                Era uma vez uma princesa. Sonhadora, romântica, criativa, amiga, sorridente. Seu nome? Não importa. Ela apenas era uma estrela.
                O conto foi curto e não teve final, como puderam notar. Mas não quis me estender numa história tão conhecida entre nós. Só tenho agora a parabenizar esta princesa nos seus Sweet Fifteen e desejar tudo e de bom. Que o príncipe não demore, o castelo seja grande e, o reino, cheio de amigos. SEMPRE!
                Com amor, Babi
                Ps: espero que esteja aproveitando a viagem. Não esquece dos presentinhos das miga aqui. Kkk'

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 5


E o grande dia chegara. Nem tive tempo de pensar a respeito, e ali estava.
                Paris, Paris. Meu grande sonho.
                Em poucas horas, estaria num avião, decolando rumo aos grandes palcos de Paris. Mas, então, porque não estava animada?
                Marcelo, é claro.
                Minha mãe arrumou todas as malas, colocou num carro e lá fomos nós rumo ao aeroporto.
                O voo seria às duas da tarde. Chegamos ao meio dia, arrumamos tudo e fomos fazer um lanche para compensar o almoço perdido.
                Enquanto comíamos, contei a história do Marcelo para ela. Meio por cima, mas contei.
                Quando acabei, estava chorando novamente.
                -Minha filha, -disse ela, com uma expressão triste nos olhos. Segurou a minha mão. – sinto muito por tudo isso. Mas você deve entender que o Renan é passado, não vale a pena chorar por ele.
                -Mãe, não é por ele mesmo que estou chorando. É por mim, sabe? Por ter sido tão idiota em ficar triste durante esses dois anos por um babaca. Mas estou chorando, principalmente, pelo Marcelo. Eu...
                -Você o ama. – completou minha mãe.
                Concordei.
                -Querida, as coisas não são fáceis. Acho você muito nova para Paris, sei que ainda terá diversas outras oportunidades em sua vida. Mas é seu sonho. E você deve segui-lo.
                Assenti novamente, limpando as lágrimas. Ela estava certa.
                Embarcamos no avião finalmente. E aqui estou, escrevendo isso.
                Em Paris, espero que tudo seja perfeito. Espero dançar, dançar e dançar. Espero esquecer o Renan e, agora, o Marcelo também. Não há como ficarmos juntos, e não vamos ficar.
                É assim que finalizo essa história. Com um aperto no peito e a saudade no coração.
                Fim.

                Lua fechou o computador e olhou pela janela. Iria sentir falta do Brasil, das suas amigas, dos professores, da escola... De Marcelo.
                Esperou por alguns minutos assim, apenas refletindo, até que uma voz surgiu nos alto-falantes dos aviões.
                -Senhores passageiros, sejam bem-vindos ao voo A188-00. Este que vos fala é o comandante, e antes de decolarmos, temos uma mensagem especial para uma passageira.
                Todos acharam aquela frase meio estranha, menos Lua, que estava no seu próprio “mundo da Lua”, pensando no seu passado e segurando o colar mais lindo que já vira. Mas, de repente, uma voz diferente ocupou o espaço dentro daquele avião. Uma voz conhecida por ela.
                -Lua, - disse a voz. – espero que esteja me escutando. Nem acredito que tive essa coragem, mas preciso dizer uma coisa: eu te amo. Sei que é estranho, levando em conta que fui eu que mandei a carta para a companhia de dança, mas eu sentirei sua falta. Não é justo pedir que você fique, porque sei que é seu sonho ir para lá, e nem pedirei. Mas saiba que eu, Marcelo José Prestes, te amo. Vou te esperar o quanto for necessário, até que volte para os meus braços. Sentirei saudades.
                Uma música romântica começou a tocar e Lua estava chorando novamente. Já virara costume. Mas, dessa vez, não era de tristeza. Dessa vez, a garota chorava de amor. Olhou para o lado, e lá estava Marcelo com um buquê de rosas em sua mão, e com um microfone na outra.
                Sem pensar duas vezes, pulou nos braços do menino. Os demais passageiros, emocionados, aplaudiram o casal.
                E eles se beijaram.
                Lua sentiu aquela sensação perfeita novamente e, quando se soltou do garoto que amava, apenas virou para a sua mãe e disse:
                -Mãe, eu não vou mais para Paris. Vou ficar aqui e seguir meu sonho.

                ***

                Sempre devemos seguir nossos sonhos, por mais impossíveis que pareçam. Entretanto, os sonhos mudam, a vida muda. E devemos estar preparados para saber quando um sonho termina e outro começa

                 By Babi

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 4


                Então é isso. Amanhã seria o grande dia.
                Levantei da cama ainda confusa. Não sabia o que devia fazer, não sabia mais de nada. Paris nem passava mais pela minha mente. Tudo no que pensava tinha nome. Marcelo.
                Fui para a escola. Logo que ceguei, não vi Marcelo no seu lugar de rotina, atrás de mim. Mas vi Renan e, estranhamente, ele veio ao meu encontro.
                -Oi. – falou ele.
                -Oi. – respondi, de uma forma ríspida.
                -Lua.
                -Renan.
                -Então... Será que poderíamos conversar na hora do recreio?
                Pensei por um momento. Não tinha nada a perder.
                -Sim, podemos.
                -Tudo bem então. – ele se virou, mas voltou-se por um segundo. –E, Lua, você está muito bonita.
                O garoto saiu andando, mas não me preocupava mais com isso. Marcelo não fora para a escola. Isso sim me deixava aflita.
                Talvez ele não tivesse gostado do beijo. Talvez não gostasse de mim dessa forma e eu confundira as coisas. Talvez só eu tivesse sentido aquilo. Talvez eu o tivesse agarrado e, na minha mente, ele também me beijara. Só sabia que havia algo errado e eu perdera meu amigo.
                Na hora do recreio, Renan me puxou para um canto qualquer.
                -Lua, preciso falar com você.
                -Bem, então fale.
                -É sobre Paris. Não quero que vá.
                Olhei-o nos olhos por um instante.
                -Ok, onde estão as câmeras? É uma pegadinha, não é?
                Um segundo depois, percebi que ele estava falando sério. E ri.
                Ri mesmo. Ri muito. Ali, na cara dele. Desistir de ir para Paris... Por ele? Ah, claro. Talvez alguns dias antes, mas no momento, nem pensar.
                Ele parecia confuso, e tentou se aproximar, já de olhos fechados.
                -O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO? – berrei.
                -Lua, eu te amo! Sempre te amei, você sabe disso! E, agora que está partindo, percebi o quanto preciso de você aqui, o quanto te quero aqui. Vamos fazer dar certo.
                -Você podia ter pensado nisso antes. – falei, curta e grossa. – Antes de me trair.         
                  Virei as costas e não olhei mais para ele. Nunca mais. 

                 By Babi

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 3


                 Outra manhã.  Dois dias para a grande viagem.
                Logo que cheguei à escola, vi o Marcelo e sacudi minha mão para ele, apontando para o colar em meu pescoço. Ele sorriu.
                Sentei no meu lugar.
                -Minha mãe achou lindo! – disse, pulando até mesmo o “oi” habitual.
                -Haha, fico contente então. O que vai fazer hoje de tarde?
                Pensei por um momento. As malas já estavam praticamente prontas (minha mãe é viciada em arrumação). As aulas de dança já haviam acabado há alguns dias. As provas finais haviam sido na semana passada. Na realidade, não havia muita coisa a ser feita.
                -Acho que o que tenho de mais interessante pra hoje é levar o Smudge para passear.
                O garoto pensou por um momento.
                -Qual a raça do seu cãozinho?
                -É um Lhasa Apso. Por quê?
                -Eu tenho uma Sharpei. Será que eles passeariam juntos?
                Sorri com a ideia.
                -Acho que teremos de conferir essa tarde.
                A professora entrou na sala dando berros. Pelo jeito ela já havia corrigido as provas. Virei-me para frente e disse que depois conversaríamos mais.
                A aula passou mais rápido do que no dia anterior, tenho que admitir. O Renan faltara (mas, por incrível que pareça, só percebi isso na terceira aula), e tivemos uma dinâmica em grupo na classe de sociologia.
                De tarde, às 16 horas, o Marcelo veio me buscar em casa para passearmos com nossos cachorros.
                Logo que ele chegou, percebi que as dúvidas sobre se os nossos cachorros se dariam bem estavam acabadas. De cara, eles se amaram.
                -Qual é o nome dela? – perguntei após dar um abraço no meu novo amigo, que estava de cabelo molhado assim como eu, e ir fazer carinho na cadelinha.
                -Pâm.
                -Só Pâm? – disse, enquanto levantava e segurava mais forte na coleirinha do Smudge, que estava louco pela nova amiga.
                -Por que “só”?
                -Bem, - falei, já começando a andar ao lado de Marcelo. – são apenas três letras.
                -Mas existem nomes de pessoas com apenas três letras, não existem?
                Dei risada. Ele estava certo, certíssimo. Meu nome mesmo era prova disso.
                -Touche.
                Caminhamos por algum tempinho em silêncio, acompanhando os cachorrinhos que pareciam em êxtase.
                -Acho que você é a primeira amiga que faço naquela escola. – disse rápido, mudando completamente o assunto. – Quer dizer, se for minha amiga.
                Torci o nariz como sempre fazia quando algo me deixava confusa.
                -Espera, mas você estuda lá faz tempo, não estuda?
                -Sim. – disse, mais cabisbaixo. – Quatro anos. Mas não tenho muitos amigos, acho que sou meio diferente, deve ser por isso.
                -Defina “diferente”. – falei, pensando sobre o que ele dissera.
                -Quer dizer, sou meio tímido. Tiro boas notas (o que, na verdade, acontece porque não tenho muito a fazer em casa), não jogo futebol, não gosto de sair e beber, nem curto ir a festas. Praticamente não falo também.
                Concordei. Não havia porque discordar, era a verdade. Tão verdade, que eu só sabia seu nome por causa de um trabalho em que fizemos juntos e eu tivera de escrever os nomes na cartolina.
                Paramos de andar por um momento.
                -Marcelo, - disse. – você é especial. Pelo menos está sendo um amigo muito bom. Vou sentir sua falta em Paris.
                Por um segundo, vi um sorriso em seu rosto. O garoto virou-se para frente novamente e voltamos a andar.
                -Sei que é meio pessoal, mas sempre tive uma dúvida. Posso perguntar? – disse ele, após alguns instantes.
                -Claro, pergunte.
                -Você e o Renan. Porque terminaram?
                Ui, legal. Achou meu calcanhar de Aquiles. E o pior é que eu não sabia como responder àquela pergunta.
                -Sinceramente? Eu não sei. – respondi. – Quer dizer, na teoria eu sei sim. Eu não tinha muito tempo para ele por causa da escola e da dança. Mas havíamos feito tantas promessas. Em um dia ele disse que superaríamos tudo isso juntos, que não iríamos nos separar porque nos amávamos... E, na semana seguinte, disse que estava cansado da minha falta de tempo e que nem o amor que sentia podia superar isso. Na prática, a desculpa não fez muito sentido para mim.
                Marcelo parou e ficou ali, até que olhou no meu rosto. Lágrimas já estavam quase descendo pela minha face em relembrar de tudo aquilo. Percebi que nunca dissera aquilo em voz alta, que sempre tentara me enganar dizendo que fora a falta de tempo que nos fizera terminar, quando, no fundo, eu sabia que não podia ser isso.
-Lua? – falou Marcelo, erguendo meu rosto enquanto uma lágrima descia. Não queria que ele me visse chorar. – Foi isso que ele disse a você?
                Naquele instante, fiquei um pouco confusa. A maneira que Marcelo fizera aquela pergunta... Parecia até mesmo que ele sabia mais do que eu. Quando olhei em seus olhos, percebi que estava certa.
                -Sim, foi o que ele me disse. – respondi, sem entender muito bem o que estava acontecendo.
                -E você acredita nisso? – falou, novamente me surpreendendo. Estávamos em uma ponte que passava em cima de um pequeno laguinho, e ali havia um banco. Sentei, tentando pensar.
                -Sim. Bem, na realidade não sei. Sinto que há algo a mais. Por que, o que você sabe? – perguntei, soltando tudo de uma vez. Até as lágrimas pararam de ameaçar cair.
                Marcelo sentou-se ao meu lado. Ambos ainda segurávamos nossos cachorros.
                -Lua, eu acho que sei por que ele quis terminar.
                Segurei a respiração.
                -Sabe?
                -Talvez eu saiba, talvez esteja pensando errado. Mas,na semana em que vocês se separaram, aconteceu algo.
                Olhei em seus olhos, esperando que continuasse.
                -Aconteceu uma festa. Por incrível que pareça, eu fui. Era uma festa na casa de uma amiga da minha família, fui meio obrigado a ir. Lembro que cheguei à casa e o Renan também estava lá. Claro, ele não me percebeu. Mas, em certo momento, o vi com uma garota que nunca vira antes. – ele parou por um segundo, como se tivesse medo de continuar.
                -Com... Uma garota? Poderia ser a irmã dele, ou uma prima, ou...
                -Lua... Eles estavam se beijando.
                E aquela informação foi demais para mim. Já fazia dois anos, eu sei, mas a sensação de traição veio com tudo.
                As lágrimas começaram a rolar, eu estava desolada como há tempos não ficava. Marcelo não sabia muito bem o que fazer naquele momento, mas colocou a minha cabeça em seu peito e ficou ali, me abraçando.
                -Lua, acalme-se, já faz tempo.
                -E-eu s-se-sei. – dizia, sem conseguir proferir palavras direito.
                Depois de alguns minutos assim, parei de chorar e me acalmei. Marcelo estava certo, já fazia muito tempo.
                Levantei da camisa encharcada dele.
                -No-nossa, desculpa por isso. Desculpa por chorar.
                Ele balançou a cabeça negativamente.
                -Ei, não fale isso. Amigos são pra essas coisas, não são?
                Eu, de repente, fui fisgada por seus olhos. O azul escuro deles me acalmou por alguns instantes.
                Renan fora um babaca. Talvez não tenha aguentado o peso da traição e terminara comigo, mas, de qualquer jeito, um babaca. Deixara-me pensar, esse tempo todo, que o problema fosse comigo.
                Mas, naquele instante, o Renan não importava. Nossa história juntos não importava.
                Tudo que eu enxergava, ali, na minha frente, eram os olhos mais lindos que já vira.
                O azul deles, tão forte quanto o mar, transportava tranquilidade. E eu senti algo estranho dentro de mim, algo que não sentia há muito tempo de verdade.
                O garoto segurou em minhas mãos. Minha cara inchada devia estar um nojo, sem contar que ainda estava totalmente molhada de tantas lágrimas, mas nada mais importava.
                Somente aqueles olhos.
                Tenho certeza de que ele sentiu a mesma coisa, pois começou a se aproximar. E eu só queria ver aqueles olhos mais de perto, senti-los em mim.
                Estávamos a milímetros de distância quando eu não precisei mais vê-los. Sabia que estariam cravados em mim por muito tempo.
                Fechei meus olhos e nossas bocas se uniram. Foi um beijo rápido, salgado pelas lágrimas do meu rosto, mas perfeito. Nunca havia sentido algo assim antes, tinha certeza. Tudo em meu corpo sorria.
                Ficamos com os lábios pressionados, até que ouvi um latido e fui para trás, rapidamente.
                Marcelo levantou de supetão, mais vermelho impossível.
                -Talvez... – eu disse, confusa. – Talvez seja melhor voltarmos.
                -Sim, voltarmos.
                Voltamos para casa sem tocar no assunto. Conversamos sobre outras coisas, mas, a todo o momento, a sensação calorosa e perfeita daquele beijo voltava até mim e eu não sabia mais como ignorá-la.
                Despedimos-nos como dois amigos e eu fui para casa, bem mais calma. Contanto, durante aquela noite, não foi a traição de Renan que invadiu meus pensamentos. Tudo que vinha até mim era o fato de que eu havia gostado de beijar Marcelo.
                E talvez estivesse me apaixonando novamente.

               By Babi 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 2


E mais um dia nascia. Um dos últimos na escola, porque, dentro de três dias, eu iria para Paris.
Cheguei à minha sala e, quando entrei, recebi uma salva de palmas. Claro, virei um pimentão de tão vermelha, mas, no fundo, estava adorando.
Minhas amigas vieram me parabenizar. Todas pareciam tão contentes quanto eu.
-Então você vai mesmo, amiga! – abraçou-me Carla.
-Finalmente, se deu bem, garota. – disse Lúcia enquanto dava risada.
-Vamos sentir sua falta! – já choramingou Olívia, com lágrimas nos olhos.
Eu apenas concordava, sabendo que seria difícil deixá-las, mas que continuaríamos a nossa amizade para sempre.
A aula começou e eu sentei na carteira de sempre. De lá, também tinha uma visão privilegiada da sala. Mas, apesar de poder ver muitas pessoas de onde estava sentada, só tinha olhos para o Renan.
E aí começamos uma nova história, que pretendo resumir, se possível.
Renan e eu éramos amigos quando pequenos. Mas deixemos bem claro que, naquela época, eu não o via como nada além de um AMIGO, até porque ele era feio que doía. Quando meu pai morreu, o dele estava saindo de casa e se divorciando da sua mãe, então sofremos a perda dos pais juntos.
Crescemos e, na quinta-série, nos afastamos. Ele era um menino, e percebeu que, talvez, ficar perto da menina quieta e meio feinha não iria ajudá-lo em nada. E eu, uma menina, estava na época em que achava os meninos nojentos e suados.
A verdade é que eles são nojentos e suados até hoje.
Contanto, na sétima série acabamos por nos aproximar novamente. A professora nos deu milhares de trabalhos de fim de ano e fizemos praticamente todos juntos.
Casa de um vai, casa de outro vem e acabamos ficando amigos MESMO. Na realidade, um pouco mais do que amigos.
Saíamos juntos nas férias por quase todos os dias, seja pra ir para a praia e andar, ou apostar uma corrida de bicicleta. E então, o amor nasceu.
Sim, clichê, mas real. Eu, alta, branquela, magra, com cabelos castanhos no ombro e totalmente sem graça, e ele moreno, olhos castanhos clarinhos, da minha altura ou alguns centímetros a menos, bronzeado da cor do pecado e lindo, LINDO!, de morrer.
Éramos um casal horrível, tenho de admitir.
Contanto, passamos férias perfeitas. Tudo parecia perfeito, tudo estava perfeito. E ficamos assim por uns três meses, até que as aulas voltaram.
Com elas, acabei ficando muito sobrecarregada. As aulas de dança, diárias, tomavam todo o meu tempo. Nos finais de semana, era obrigada a estudar. E o namoro foi indo por água abaixo. Certo dia, tivemos uma briga feia, e foi aí que tudo terminou mesmo.
E o pior: além de perder meu namorado, perdi meu melhor amigo.
Dois anos acabaram passando. Até tive outros dois namorados, mas nenhum deles especial, pelo menos para mim. E, nesse meio tempo, o Renan já deve ter tido umas 19 namoradas. Não que eu tenha contado.
Nossa história foi essa. Pra ele, acabou naquele dia, mas ainda sofro as mágoas de tê-lo amado até hoje.
A única coisa boa nessa história foi que, quando terminamos, eu simplesmente fiz de tudo para ocupar minha cabeça. Dancei mais do que nunca, aprendi técnicas novas e ouvi histórias sobre grandes dançarinas francesas e inglesas. Botei a cabeça nos livros sobre ballet, nas vidas de pessoas importantes e acabei até melhorando em português na escola. Por fim, decidi que seria uma grande bailarina.
Uma grande bailarina parisiense.
Meus pensamentos voltaram para o momento atual como um baque quando percebi que alguém estava me cutucando.
-O que foi, Marcelo? – perguntei baixinho, para o garoto atrás de mim.
Ele apenas empurrou-me um bilhete. Eu o peguei e abri.
“Piscina das Juqueiras. – 15:00”.
Quase tive um infarto. Não pelo que estava escrito, mas pela letra que eu muito bem conhecia. Renan.
Olhei para o menino, tendo certeza de que o bilhete era dele. Na Piscina das Juqueiras (uma lago perto da escola, na realidade), fora onde tivemos nosso primeiro beijo. E, aquela letra... Já havia recebido bilhetes que guardava até hoje das mesmas mãos que haviam escrito naquele papelzinho.
A manhã passou lentamente. Fui para casa, almocei e depois peguei minha bicicleta. Lá fui eu para a Piscina das Juqueiras.
Cheguei no local marcado às três em ponto. Sentei num tronco de árvore, o mesmo que guardava muitas recordações, e esperei enquanto não via o Renan em lugar algum.
Comecei a pensar no que podia acontecer, enquanto ele não chegava.
Talvez viesse e se declarasse para mim. Dissesse que nunca havia esquecido nosso amor, que agora estava arrependido e queria que eu ficasse no Brasil ao lado dele.
Talvez me beijasse com lágrimas nos olhos, sussurrando que estava com medo do “adeus”.
Talvez tivesse sido ele mesmo que mandara aquela carta para Paris. Estava arrependido e queria que eu fosse feliz! Talvez? Não! Com certeza fora ele!
Esperei mais dois minutos com um sorriso no rosto. O Renan ainda me amava, e queria o meu bem.
Mas, para meu espanto, não foi o Renan que se sentou ao meu lado.
Foi o Marcelo.
Tudo bem, o Marcelo não é de jogar fora. Inteligente, moreno assim como eu, olhos azuis escuros, cabelo cacheado meio bagunçadinho, maior do que eu e com cara de praiano. Mas não era quem eu esperava.
-Marcelo!?
-Oi Lua.
-O que você tá fazendo aqui?
-Bem, eu te chamei aqui, não foi?
-Sim, mas então... – não sabia nem o que dizer naquele momento. A surpresa ainda estava grande. – Porque me chamou?
-Bem, sei que você vai embora, e então eu queria apenas me despedir.
-E precisava me chamar aqui?
Ele ficou quieto por um momento.
-Eu... Não sei. – baixou a cabeça, percebendo o desapontamento em minha voz. – Trouxe algo pra você.
Percebi então que, em suas mãos, havia uma caixinha pequena. Ele a estendeu para mim, ainda não olhando em meus olhos.
Peguei-a e a abri. Dentro, havia um colar brilhante com sapatinhos de ballet. Sorri.
-Marcelo! São lindos!
Pulei em seu pescoço num abraço apertado. Eram realmente perfeitos.
Soltei-me do abraço após alguns segundos. O garoto estava vermelho.
-Ah, fico feliz que tenha gostado.
-Eu amei, de verdade! – disse, feliz. Não queria que ele pensasse que eu era má agradecida, e realmente havia amado o presente. – Mas agora preciso ir para casa, tem muita coisa pra ajeitar.
-Imagino. – sorriu. – Posso ir com você? Quer dizer, não pra sua casa. – falou, sem graça novamente. – Moro perto de você. Podemos ir juntos? Não juntos, bem, você entendeu.
                Ri da forma atrapalhada do garoto.
                -Tudo bem, vamos sim.
                Subi na bicicleta e fomos até a minha casa conversando. Talvez eu tenha interpretado mal as coisas. O Marcelo parecia alguém realmente muito legal, e parecia preocupado comigo. Queria saber coisas da viagem, sobre se eu estava feliz e se havia gostado da oportunidade.
                Chegamos na minha casa primeiro, nos despedimos e eu entrei. Parece que estava começando a fazer um amigo que, há menos de um dia, considerara “quieto e tímido”. Não que ele não fosse, mas, aos poucos, foi se soltando.
                Incrível como as coisas acontecem nos momentos errados.

                By Babi

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 1


Estava sentada na minha carteira habitual da escola. Nem a primeira, nem a última. E era assim mesmo que eu gostava, porque podia falar tanto com a turma do fundão (que, ao contrário do que todo mundo imagina, era muito mais quieta, levando em consideração que a professora escolhia os lugares), e a turma das primeiras carteiras (que falavam e bagunçavam mais do que qualquer outra).
Desenhava alguma coisa no caderno enquanto a professora de Geografia divagava sobre a importância de preservar o meio ambiente e explicava um trabalho que teríamos de fazer. Assunto mais clichê, impossível.
Vejam bem, eu preservo o meio-ambiente. Não sou nada contra, na realidade sou super a favor, mas o assunto já está batido. Não adianta de nada ficar lá na frente falando sobre “desligar a torneira enquanto escova os dentes”, pois todo mundo sabe disso. Tem que botar em prática, é o que acho.
Mas enfim, lá estava eu desenhando. Não que eu goste de desenhar, verdadeiramente eram alguns rabiscos que eu imaginei que ficaria mais bonito chamar de “desenhos”. Não vem ao caso.
Do nada, a porta abriu. Acho que fui a única que não virou para ver quem era, na realidade já estava quase dormindo. Mas então, ouvi meu nome.
-Lua de La Rosa.
Virei imediatamente querendo saber quem era o dono da voz grossa que me chamava. E, para a minha surpresa, era um homem de terno. Surpresa grande, sim, pois era verão e lá fora fazia um calor de 40°C mais ou menos.
Levantei-me, meio desengonçada, como sempre, e me dirigi até ele. Nenhum suspiro na sala foi ouvido, sentia como se estivesse caminhando para a minha morte.
Quando cheguei ao homem de terno (que de feio, pelo menos, não tinha nada), a porta atrás de mim se fechou. A sala, que antes fora uma bagunça, estava em total silêncio, prestando atenção na nossa conversa, tenho certeza.
-Senhorita de La Rosa?
-Sim. – acho até que gaguejei nessa hora, mas beleza.
-Recebemos uma carta.
Nesse instante, percebi que o português do homem que me falava era péssimo. Não o português em si, mas o sotaque. Era meio... Francês?
-Gostaríamos de oferecer-lhe uma bolsa de estudos.
-Ei, ei, ei. Espera um pouco. – disse, colocando a mão na testa. – Carta? Mas não mandei carta nenhuma. E bolsa pra quê? Porque olha, seu moço, se for qualquer tipo de enganação, minha mãe vai...
-Oui, oui. A senhorita não entendeu. Estamos acompanhando você desde que recebemos uma lettre de um amigo dizendo que seu trabalho como dançarina era magnifique. Vimos você dançando por alguns meses nas suas aulas de ballet, e agora queremos oferecer-lhe uma bolsa de estudos.
-Muita informação, calma aí. – respondi, tentando assimilar tudo que ouvira. Quem poderia ter enviado uma carta? Nada parecia fazer muito sentido, mas, aos poucos, as coisas começaram a se ajeitar. – E onde seria esta tal “bolsa de estudos”?
-Em Paris, é claro.
E então era isso. Uma piada. Só podia ser, não é? Porque sempre me disseram que as coisas não caem em paraquedas para o seu colo, mas era exatamente o que aquilo ali estava parecendo.
Depois disso, fiquei atordoada. Na verdade, quando dei por mim, já estava em casa enquanto minha mãe falava, de forma empolgada:
-Vamos para Paris, Lua! Paris! Seu sonho está se realizando, filha, Paris!
Minha mãe não parava de repetir “Paris”. E tudo que eu podia fazer era sorrir.
Os detalhes foram arrumados em algumas horas. Era isso mesmo, em resumo. Alguém misterioso havia enviado uma carta contando a minha história (minha mãe jurava que não fora ela, mas eu ainda tinha minhas dúvidas) para a Ballets Russes (companhia de ballet francesa) e, agora, eu estava prestes a ir para lá. Em quatro dias.
Minha família, que consistia basicamente na minha mãe e no meu cachorro, iriam para lá também. Ganharíamos um “quartinho”, ou algo do tipo, enquanto eu teria aulas (de manhã tarde e noite) em forma de um intensivo. Depois de um mês, minha mãe retornaria para o Brasil, enquanto eu ficaria lá se tivesse um bom desempenho.
E era isso. Tudo havia mudado em questão de segundos. Eu estava indo em busca do meu sonho.
Meu nome é Lua. Tenho 16 anos. E eu vou para PARIS!

By Babi

domingo, 9 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Prévia


   


    Pessoinhas lindas do meu coração, trouxe aqui uma novidade para vocês! Escrevi mais um conto (que, se eu não estou enganada, tem 5 capítulos) e vou postar aqui. É sobre Lua, uma menina de 16 anos, que tem um sonho relacionado a dança, Paris, ballet... Então é isso. :) Vou deixar uma prévia aqui, mas amanhã mesmo começam os capítulos. Será um por dia.




            Eu tinha um sonho.
Todo mundo sabe que um texto que se preze tem um início impactante. Isso aí já é de praxe. Por isso comecei com essa frase que vocês leram aí em cima: “eu tenho um sonho”. Acho que, a partir daí, vocês já tenham se identificado um pouco comigo.
Por que, afinal, quem nunca teve um sonho?
Meu sonho, já que iniciamos a história por aí, é dançar. Mas não em um lugar qualquer, dançar em Paris. Apresentar-me para milhares de pessoas que, ao final, vão bater palmas e gritar forte: Lua! Lua!
E, por falar nisso, meu nome é Lua mesmo. Sim, LUA! Parada mais sem graça, eu sei, mas essa é outra história. No momento, estou sentada no avião, escrevendo sobre uma história que posso chamar de “minha”, falando de Paris e de como meu sonho talvez vire realidade.
E, para contar essa história, é necessário que voltemos para quatro dias atrás.


Beijinhos, Babi :*

terça-feira, 17 de julho de 2012

O Último Dia

        A doce Melissa arrumava seus materiais pela última vez naquela escola. Todos estavam tão apressados para fugir daquele local logo que batesse o sinal, mas Mel queria aproveitar cada segundo que pudesse. Já havia se despedido de suas melhores amigas e da maioria dos seus conhecidos. Fora abraçada muitas vezes pelos garotos que a tinham como objeto de paixão e tirara muitas fotos com suas eternas amigas. O dia não tinha sido fácil com tantas despedidas, mas a adolescente sentia que um peso era tirado de suas costas. No próximo lugar, começaria tudo de novo. Poderia ser até uma pessoa totalmente nova.
         O sinal bateu e todos correram para fora. Até mesmo suas amigas partiram em disparada. Melissa riu com a ideia de que nada mudaria nunca ali. Pegou sua mochila, abraçou seu professor e saiu para o corredor. O lugar já estava quase vazio. Andou alguns passos antes de se deparar com Pedro, seu primeiro amor, saindo de sua sala, já bastante atrasado.
         Ele parecia tão lindo quanto antes e, por um breve momento, Mel imaginou como era capaz de deixá-lo para trás. É claro que não tinham nada juntos, mas havia algo, um sentimento, que pairava entre os dois. Já havia se despedido de todo mundo e só faltava o adeus para Pedro. Estava prestes a desistir da ideia quando o garoto viu a cabeça para trás e lhe deu o sorriso mais encantador do mundo.
        -Pedro! - chamou com o coração batendo em velocidade avançada. - Oi, Melissa - respondeu Pedro com os olhos brilhando como estrelas. Era difícil para a menina ver o modo como ele a olhava e saber que aquela seria a última vez.
        -Eu queria me despedir de você - disse Mel, enquanto ambos desciam as escadas, encostados um ao outro. Suas mãos pendiam uma do lado da outra, mas nenhum dos dois tinha a coragem para encostá-las.
        -Despedir? Como assim? - perguntou Pedro quando chegaram a saída do prédio da escola e se aproximavam da rua. - Pedro, eu estou indo embora da escola.
        O adolescente parou instantaneamente. - Você... Não pode estar falando sério. Nós... Nunca... - porém, Pedro mal conseguia formular uma frase inteira. Suas mãos tremiam e ele parecia prestes a entrar em desespero. Melissa fez algo que esperava há tempos para fazer. Aproximando-se rapidamente, ela o envolveu em um abraço.
         -Você foi muito importante para mim, Pedro... Eu nunca vou te esquecer completamente - sussurrou, antes de se afastar com passos rápidos. As lágrimas começavam a cair de seus olhos. Aquela de longe havia sido a despedida mais difícil. Principalmente, porque ambos nunca tiveram a chance de ter o relacionamento que esperaram por tanto tempo.
         Quando Melissa estava prestes a ultrapassar as catracas, a voz de Pedro ecoou pelo local. - Melissa! - O resultado foi automático: a adolescente rapidamente se virou e pode avistar o garoto correndo em sua direção. Ao alcançá-la, sua voz estava fraca e sua respiração alterada.
          -O que houve, Pedro? - perguntou a menina, tocando em seu ombro e tentando acalmá-lo. Porém, seu toque provocava o efeito oposto e ele só ficava cada vez mais vermelho. - Mel, eu... Eu preciso te dizer uma... coisa.
         -O quê? - a adolescente sentia seus próprios dedos segurarem seu crachá de forma indecisa. Seu coração parecia saltar pela boca e ela não sabia exatamente como se portar - Fale, Pedro! Estou ficando preocupada!
         Os outros alunos já estavam se aproximando da cena, todos tentando entender o que pessoas tão opostas estavam fazendo juntas. É claro que já sabiam sobre o clima que havia entre o casal, mas ninguém esperava que o amor deles desse algum fruto.
         -Melissa... - Pedro se aproximou ainda mais, seus corpos já se tocando novamente, seus rostos tão próximos um do outro - Eu sou apaixonado por você.
         O silêncio atacou as alunas, que antes chiavam animadas, e os alunos. Seus rostos estavam perplexos. - Eu sempre fui apaixonado por você, desde o momento em que te vi chegando nesse colégio. Você era tão diferente de agora, mas mesmo assim, havia algo que me puxava em sua direção. E agora, você está indo embora...
          -Por que você não me disse isso antes? - Mel tentou respirar calmamente, apesar dos lábios de Pedro estarem tão perto dos seus. - Porque eu tive medo de não ser correspondido. Só que agora não há outra alternativa. Não posso te deixar partir sem mostrar que você é a única de quem sempre gostei.
          -Pedro... - começou Melissa, mas a garota nem teve tempo de continuar. O adolescente, sim, seu primeiro amor, agarrou sua cintura e a puxou para o beijo que Mel sempre esperara. Ao contrário de todos os seus temores, ela sabia exatamente o que fazer, como se cada partícula de seu corpo fosse preparada para este momento.
           Os alunos surtavam ao redor. Gritinhos femininos, "Aee!" masculinos e tentativas dos inspetores de conter o casal tumultuavam o cenário ao redor do grande beijo. Quando Pedro e Melissa finalmente se afastaram o suficiente para darem um sorrisinho tímido, a adolescente pode ver que o carro de seus pais já havia chegado. O garoto também reparou isso e o coração de ambos parou por um instante. - Você não pode ir embora - disse Pedro, implorando para que Mel não o abandonasse.
            -Desculpe-me, Pedro - Melissa o beijou novamente com a mesma intensidade que ele a havia beijado. Os braços do menino a tiraram do chão por alguns segundos. No momento em que Pedro a colocou no chão, Mel sussurrou em seu ouvido - Eu também sempre fui apaixonada por você.
            E se afastando em alta velocidade, Melissa chegou rapidamente ao carro. Virando-se ao chegar à porta, a adolescente sorriu mesmo com as lágrimas caindo sobre suas bochechas.
            -E sempre serei apaixonada por você, Pedro. Nunca esqueça isso.

Beijinhos, StarGirlie.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Amor Proibido











              Bella estava quieta, ela não podia acreditar no que estava acontecendo em seu coração. Ela não podia estar se apaixonando por ele. Pelo vilão, pelo único garoto que ela sabia que quebraria seu coração no fim das contas.
              Mas ele era tão irresistível. E ninguém podia negar que havia uma atração enorme entre os dois. Era como se Bella fosse puxada para seu campo gravitacional sem poder se afastar. Só que antes ela queria ficar o mais longe possível dele e agora...
              Luke precisava agir rápido antes que Bella se apaixonasse por alguém tão próximo dele. A garota estava fazendo de tudo para não ceder a tentação, mas estava difícil quando esta é tão parecida com quem ela sempre esperou.
              Será que Bella fará a escolha certa? Ou simplesmente cairá pelo que mais lhe encanta e menos lhe merece?

Beijinhos, StarGirlie.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sonho nas Estrelas - Capítulo 3

Dia 17 de janeiro de 2012

“Canceriano (a),
Hoje o dia reserva surpresas! Não tenha medo de arriscar, pois seu dia é de sorte. Por mais que tempestades venham a surgir, sempre vai ter alguém com um guarda-chuva para lhe emprestar. Cor: rosa. Número: 02.”

                Acordei com uma mensagem de “bom dia”, vinda do João. Olhei para fora e vi que estava chovendo, então não poderia ir para praia. Apesar disso, o calor continuava.
                Também percebi que meu nariz estava entupido, e comecei a achar que aquele dia seria muito chato.
                Li meu horóscopo, tomei café da manhã, coloquei um vestidinho rosa (o meu favorito) e fiz uma trança no cabelo. Não havia mais nada para fazer.
                Brinquei de Cara a Cara com o Rafael e enjoei depois de cinco minutos. Eram quase onze da manhã quando outra mensagem chegou:
                “O q vai fazer hj? Não dá pra vir aqui? Tem salão de jogos J João”
                Perguntei para os meus pais se podia ir e disse que, se eles quisessem, poderiam ir comigo. Eles não fizeram questão, me deixaram ir sem demoras (te amo, mãe – te amo, pai).
                Cheguei e o porteiro me mandou subir. Logo veio uma moça loira muito bonita e simpática abrir a porta, se apresentando como Dora, a irmã do João.
                O apartamento era pequeno, só para passar as férias mesmo. João apareceu com o cabelo molhado, e disse que tinha acordado cedo para surfar.
                Fomos então para o salão de jogos, que ficava no primeiro andar. João disse que adoraria me mostrar o parquinho, mas que estava chovendo e isso não seria muito bom para mim, que já estava com o nariz trancado (ele percebeu também).
                Lá no salão de jogos, conheci o Vitor (que tinha 17 anos e morava na capital também – anotando para Wanessa), o Paulinho (que era um ano mais novo que eu) e a Jaque (que tinha 14 e era um amor de pessoa, além de ser muito linda).
                Jogamos ping-pong (que eu por acaso sou péssima, mas me diverti do mesmo jeito), sinuca, uns jogos de tabuleiro e futebol de botão. Depois, sentamos em uma roda e ficamos conversando.
                Meus pais me ligaram lá por uma da tarde querendo saber se eu voltaria para almoçar e se estava me divertindo. Disse que almoçaria na casa da Jaque, que tinha convidado todos nós, e que estava me divertindo muito, o que era verdade.
                Voltei para a conversa, mas logo que cheguei percebi que algo estava errado. Perguntei o que estava acontecendo, e o João lançou um olhar reprovador para o Paulinho, quando o  mesmo fez menção de abrir a boca.
                Em poucos minutos, estávamos novamente entretidos na conversa.
                Depois de mais uma hora, a mãe da Jaque, dona Suzana, nos chamou para o almoço. Como a Jaque e sua família eram do Rio Grande, a comida tinha um gosto bem diferente, mas não deixava de ser deliciosa.
                Contei pra dona Suzana (os pais da Jaque são separados, então ela só estava com a mãe em Iguape) que morara durante um ano e meio no Rio Grande, mas que isso acontecera quando eu era pequena por causa do trabalho do meu pai.
                Ingressamos num conversa sobre profissões e eu mais uma vez contei minha vontade de ser veterinária.
                Me diverti muito, e ao final do dia, o sol quase se pondo, após uma rodada de Panetone caseiro, Paulinho, Jaque e o Vitor tiveram de ir para casa jantar com os pais, deixando-me sozinha com o João no salão de jogos.
                -Então? – disse ele, sentando-se ao meu lado no sofá. – Gostou do pessoal?
                -Muito legais, amei conhecer todos eles! – disse mega animada.
                Um minuto de silencio se passou, e eu acabei bocejando.
                -Já está com sono?
                -E com frio. – disse, completando-o.
                Antes que eu pudesse fazer qualquer outra coisa, ele passou o braço por meus ombros, me fazendo deitar nos seus.
                Aquilo me deu um frio na barriga enorme.
                Fiquei ali, mas, apesar de estar quentinho, me sentia desconfortável. Não gostava da ideia de estar sozinha com ele ali, mesmo sabendo que ele não era exatamente “perigoso”.
                -João, acho que preciso ir...
                Na hora em que virei meu rosto para dizer que meus pais podiam estar preocupados, nossos narizes se tocaram. Fui para trás, já pedindo desculpas, mas quando eu fiz isso, ele sorriu, me deixando mais uma vez paralisada.
                Ele era incrível. Ele era fofo comigo. Ele era tudo que eu sempre sonhara.
                Então porque aquelas malditas borboletas no estômago não me deixavam em paz?
                -João, sério, eu preciso...
                Mas ele foi mais rápido e me deu um selinho.
                -Vem cá. – disse ele, levantando e me puxando com a mão, como se nada tivesse acontecido. Eu continuava paralisada.
                Ele abriu a porta da sala de jogos que dava para o lado de fora, mostrando um lindo parquinho iluminado pelos últimos raios do sol.
                Várias luzes estavam acesas acima do gramado, mostrando roseiras lindas em um lado do parquinho, onde havia um banco.
                A chuva continuava a cair, então João me mandou esperar. Foi falar algo com o sindico e voltou com um guarda-chuva. 
                Sem dizer nada, abriu-o, puxou-me pelo braço e fomos para onde ficava o banco, que estava molhado.
                Ficamos de pé ali, unidos fugindo da chuva debaixo daquele guarda-chuva.
                Ele tirou meu cabelo dos olhos. Pisquei fortemente e suspirei. Estava mais nervosa do que nunca estivera em toda minha vida.
                Ele se aproximou, sorrindo. E, quando nossos lábios estavam separados por milímetros, fechei os olhos.
                Nos beijamos. Não vou dizer que foi perfeito, porque na verdade foi bastante estranho e babado. Em segundos, o guarda-chuva que estava em sua mão havia sumido e as gotas da chuva molhavam nosso beijo.
                Depois de alguns segundos, me separei, com o coração a mil.
                Ele sorriu e eu retribui o sorriso.
                -Vamos sair dessa chuva. – disse ele.
                Logo que entramos novamente no salão de jogos, o meu celular tocou. Atendi, era minha mãe. Ela mandou-me voltar para casa antes que a chuva piorasse, e disse que estaria lá em menos de cinco minutos.
                João me olhou desesperadamente quando desliguei o celular.
                -Vou embora daqui uma hora. – falou ele.
                -Você vai voltar ano que vem? – perguntei, sentindo um nó em minha garganta crescer.
                -Se você voltar, claro que voltarei.
                Eu sorri, sentindo que haviam lágrimas perto de escapar.
                Fomos para o saguão, onde eu o abracei. Ficamos abraçados por um minuto, e achei melhor cortar aquilo logo, pois meus pais estavam me esperando.
                -A gente ainda vai se ver, certo? – perguntou ele.
                -Sim, vamos.
                Ele me agarrou para um ultimo beijo rápido, pois o porteiro estava vendo tudo, e depois abriu a porta. O segundo beijo. Dois, o número da sorte do dia.
                -É um promessa?
                -É sim. – respondi.
                Saí para fora do prédio, e quando estava quase na rua, olhei para trás.
                -João!!?? – berrei, olhando para ele. A chuva quase engolia minha voz.
                -O quê!?
                -Você realizou um dos meus sonhos!!
                -Qual??
                -Beijar na chuva.
                E virei novamente, sabendo que aquele seria sempre um dos melhores verões da minha vida.

                Eu acredito em signos. Acredito no que o horóscopo diz. Mas, muitas vezes, nós mesmos fazemos nossos destinos. Independentemente do que as estrelas mostram, pois nem tudo que reluz é ouro. E nem tudo que brilha é verdadeiro.

                By Babi