Com exceção de Fofoqueira Fina (Primeira Temporada) e as novelas do BWorld, todas as novelas escritas por mim e pela Babi tiveram músicas embalando os capítulos. De forma mais especial, os capítulos finais ou epílogos (dependendo da novela) possuíram músicas que representam muito bem suas tramas. Por isso, separei-as com suas personagens que melhor se assemelham a letra:
Lucky - 41º Capítulo de Fofoqueira Fina 2
O último episódio de Fofoqueira Fina 2 teve várias músicas, mas essa foi realmente a última. As Personagens da Música: Acho que "Lucky" se aplica principalmente a Monica e Daniel, porque, no fundo, os dois sempre foram e sempre serão melhores amigos. Apesar de ambas personagens terem errado muito até que conseguiram chegar ao seu "felizes para sempre", podemos ver desde aquele primeiro olhar logo no primeiro capítulo de FF que eles foram sortudos de conseguirem encontrar a pessoa a quem eram destinados.
Você Sempre Será - Epílogo de Maldade Angelical
As Personagens da Música: Sem dúvida alguma essa música se aplica antes de tudo às Irmãs Bloom, Samantha e Elizabeth. Juntas elas ultrapassaram as barreiras da vida e morte, mostrando que mesmo quando separadas, suas almas estavam unidas. Outra possibilidade de interpretação é a saudade das gêmeas por seus maridos, que sempre seriam seus grandes amores.
Epílogo de A Vida Depois do Fim
O epílogo de A Vida Depois do Fim teve várias músicas, mas essa foi realmente a última. As Personagens da Música: Acredito que essa música representa acima de todas as outras coisas, a relação de Alvo e Rosa, e Lily e Lysander. Os dois casais passaram por muita coisa juntos e mostraram que amizade sim pode virar amor. Porém, além disso, mostraram que a perseverança é capaz de "abrir" o coração de uma pessoa.
Lucky - Epílogo de Fofoqueira Fina 3
A música "Lucky" realmente foi usada novamente em um final de novela.
As Personagens da Música: Fofoqueira Fina 3 é cheia da paralelos com Fofoqueira Fina 2, inclusive em sua música final. Porém, desta vez o caso principal mudou totalmente. As personagens representados na escolha musical foram Caroline e Leo, que possuíram uma história semelhante com a de Erik e Luna em FF1, mas tiveram um final diferente. A amizade e compromisso dos dois realmente emociona. FF3 mostrou que as mesmas tramas podem ter finais totalmente distintos.
Apologize - Epílogo de O Beijo da Morte
A Personagem da Música: Poderia dizer que "Apologize" é dedicada a todos os personagens que aparecem no Epílogo de O Beijo da Morte, mas estaria mentindo. A música escolhida é dirigida exclusivamente a Bianca. Ela que se sacrificou por todos que amava, que os ajudou até o fim. Depois de sua morte no último capítulo, "ouvimos" o enterro de Bia pela perspectiva de uma desconhecida e podemos ver o quanto todos têm uma dívida com a Ners. Porém, a maior dívida é de Bianca com eles, pois de nada a garota consegue se lembrar.
Qual música de final de novela é a sua favorita? Qual acha que mais combinou com a trama?
Beijinhos, StarGirlie.
Finalmente, podemos dizer qual foi a novela mais lida do Feitiço das Palavras de forma superficial. Muita gente que leu as novelas não soube da enquete, está de viagem, não visita mais o blog, mas não tem problema. Os leitores que a novela mais lida é... Fofoqueira Fina (Primeira Temporada)!
Vilões, vilões, vilões. Em nossas novelas, tivemos todos os tipos deles. Desde o psicopata disfarçado de professor até um anjo que, na verdade, só fazia crueldades. Entretanto, os vilões ganhadores da enquete foram: Salazar, Rowena e Silvia de A Vida Depois do Fim!
Como alguns devem saber, Fofoqueira Fina (Primeira Temporada) não tinha música em seus capítulos. Esse quesito foi uma inovação na metade da Segunda Temporada. Entretanto, mesmo com essa ferramenta, as novelas não possuíram em momento algum uma música-tema, como as das entradas de novelas da TV. Por causa disso, segue abaixo como seria cada uma das músicas-temas, de acordo com a minha imaginação.
You Make Me Feel - Fofoqueira Fina (Primeira Temporada)
O início de Fofoqueira Fina (Primeira Temporada) mostrava, principalmente, o triângulo amoroso de Monica-Daniel-Luna. Ele era o garoto mais popular, Monica a misteriosa e Luna a inteligente. As emoções de todos se ampliavam a cada passo em falso que davam. Todos que leram FF1 sabem o quanto foram problemáticas a troca de "acompanhante" de Daniel no Baile, as tentativas de ciúmes de Monica e a relação confusa de Luna com Erik.. Depois de todos os romances começarem a se resolver, surgiram os problemas de assassinato. Porém, quem diz que eles deixaram de amar?
The Ballad of Mona Lisa - Fofoqueira Fina (Segunda Temporada)
A segunda temporada de Fofoqueira Fina veio para matar. Literalmente. Com o reaparecimento de Jane e Natalie, a volta às aulas com os professores psicopatas Spencer e Paola, a vida dos adolescentes se complica ainda mais. Para piorar o que já estava ruim, surge Anne, a irmã mais velha de Monica, e Bella, a melhor amiga distante dela. Mortes, traições, viagens... Quem consegue perder essa mais nova aventura de nossos protagonistas?
Perfect - Maldade Angelical
Irmãs gêmeas separadas no nascimento. Isso poderia se tornar um clichê se os seus sequestradores não fossem anjos e demônios. Samantha acredita que é das Trevas, enquanto Elizabeth se imagina como um ser Celestial. O problema surge quando as duas se apaixonam por garotos humanos, que por acaso são melhores amigos, e descobrem que os perigos são muito piores que os imaginados. Para se salvar e salvar quem amam, Sam e Lizzie terão que fazer grandes sacrifícios. Entre batalhas e perdas, as irmãs perceberão que algo está errado quanto a sua identidade. Será que ambas são mesmo anjos? E quem são seus pais?
Iris - A Vida Depois do Fim
O que aconteceria se os filhos de Rony e Hermione, Harry e Gina, fossem para Hogwarts? Como seria a relação deles com Scorpius, o filho de Draco? Bem, essas e outras perguntas são respondidas em A Vida Depois do Fim. Enquanto cursam mais um ano na Escola de Magia, Rosa e Lily descobrem o que é o amor em aventuras emocionantes. Além disso, junto com Scorpius e Alvo, as duas devem enfrentar as forças das Trevas que têm se apoderado de Hogwarts. Quem serão os grandes vilões? E o que eles querem? Para saber, só lendo.
Need You Now - Fofoqueira Fina 3
A história de Fofoqueira Fina (Terceira Temporada) começa contando o início da adolescência de Caroline, Olivia, Yuri, Selena e Leonardo, os filhos da primeira geração. Com o surgimento de uma nova FF, Liv, a mais atormentada pela blogueira, passa a se meter em confusões, sem saber realmente o que fazer. As coisas realmente mudam quando a narração pula dois anos e nós percebemos o quanto todos mudaram. Novos amores, novos problemas e novas soluções. Vocês perceberão que de Luna e Monica, Caroline e Olivia não têm nada.
Make Me Wanna Die - O Beijo da Morte
Com a morte de seu pai, Bianca é obrigada a se mudar com sua mãe para Curitiba. Porém, nenhuma das duas imaginaria que os perigos só aumentariam na nova cidade. Se envolvendo com os misteriosos Luges, a nova aluna enfrentará tudo que nem imaginava que existia. Além disso, o passado voltará, trazendo Nate, e prejudicando o romance de Lilá com Karl. Com suspense, romance e muitas mortes, ninguém consegue perder os capítulos. Quem Bianca irá escolher? James, o vampiro, ou Nate, o lobisomem? Lilá conseguirá sobreviver?
Comentem! Quero saber o que vocês acharam das músicas-temas!
Beijinhos, StarGirlie.
Como vocês devem saber, eu e Babi costumamos nos inspirar em pessoas reais para criarmos nossas personagens. Nas duas primeiras novelas que fizemos ("Os Laços de Uma Rosa" e "As Duas Faces da Rosa"), não pudemos usar esse método, já que todo o enredo era da Barbie. Porém, logo na seguinte "OMG!" foi diferente. Segue abaixo quem fomos em cada história:
Babi:
-OMG! (Dezembro de 2010 à fevereiro de 2011)
Mandy: meio dona do próprio nariz,
meio carente de amor.
-Fofoqueira Fina 1 e 2 (Março de 2011 à junho de 2011)
Luna Harris: Luna tem um jeito descolado,
mas se importa com os outros muito mais do
que aparenta. Logo no primeiro dia, se encanta
por Daniel, mas encontra uma rival: a "adorável"
Monica.
-Maldade Angelical (Junho de 2011 à agosto
de 2011)
Samantha Bloom: Mora no "gueto" com seus
companheiros demônios Austin e Dana. Sobrevive
de roubos e enganos pela cidade e faz de tudo
para encontrar sua irmã, Elizabeth. Sam acredita
que não há vitória sem batalha, e luta por tudo que
deseja com garras e dentes. Faria de tudo para
proteger seus amigos e, por ser criada junto a eles,
acredita que tudo é válido quando se quer algo.
Mesmo que por caminhos obscuros.
-A Vida Depois do Fim (Agosto de 2011 à
setembro de 2011)
Lílian Luna Potter: A filha de Harry e Gina
tem doze anos e está em seu segundo ano de
Hogwarts. Sua melhor amiga é sua prima Rosa
e seu melhor amigo é Scorpius. Tem inclinações
a ambição e acredita que só porque é da Grifinória,
que estes sentimentos irão desaparecer.
StarGirlie:
-OMG! (Dezembro de 2010 à fevereiro
de 2011)
Rachel: segura de si, muito amada por
todos, inteligente, confiante e amiga.
-Fofoqueira Fina 1 e 2 (Março de 2011 à junho de
2011)
Monica Alena: Com rosto de anjo, Monica chegou em
São Paulo depois de uma temporada em Búzios. Esconde
grandes segredos e consegue conquistar qualquer garoto
com seu jeito misterioso.
-Maldade Angelical (Julho de 2011 à agosto
de 2011)
Elizabeth Bloom: Elizabeth é uma das irmãs
meio-imortais, porém, foi raptada por anjos ao
invés dos demônios como sua irmã Samantha,
que ela tenta a todo custo reencontrar. Vive
sob uma proteção angelical comandada por
Emma e Robert, seus melhores amigos. É
apaixonada por Ben, humano que acredita que
ela é uma visão sobrenatural, existente apenas
em sua mente.
-A Vida Depois do Fim (Agosto de 2011 à
setembro de 2011)
Rosa Jane Granger Weasley: A filha de Rony e Hermione é uma doce garota de treze anos de idade. Puxou a inteligência da mãe, mas também adora Quadribol, apesar de não ser uma ótima jogadora. É grande amiga de Alvo e "rival" de Scorpius.
Sou grande fã de Pretty Little Liars e por isso costumo ver muito a atriz Lucy Hale, o que me causa uma grande saudade de Fofoqueira Fina, quando ela "interpretava" Monica Alena. O que também acontece quando vejo Leighton Meester, que "interpretou" Samantha Bloom em Maldade Angelical. Por causa disso, fiz um tipo de propaganda-lembrança e gostaria de saber de qual das duas novelas (ou seriam três, já que Fofoqueira Fina teve duas temporadas?) vocês sentem mais falta! Então, comentem!
A última enquete de Maldade Angelical acabou e tivemos um resultado realmente animador. A maioria dos votos elegeu a opção "Surpreendente" sobre o final da novela!
Maldade Angelical acabou e a enquete sobre seu final, também. A opção ganhadora foi "Todas acima", mas apenas a parte de "Que existam mais aparições de Elizabeth e Ben" realmente aconteceu nos últimos capítulos. Robert ficou com a Elizabeth Dana ao invés da Dana, que ficou com Benjamin Austin, enquanto Emma e Austin realmente faleceram.
Eu estou aqui, com lágrimas nos olhos e orgulho no coração, para dizer que esta foi uma das melhores experiências que já tive.
Para mim, foi a abertura de uma nova visão sobre as coisas, sobre a escrita e sobre a amizade. No decorrer da história, enquanto Lizzie e Sam cresciam, eu e Star crescemos junto.
É muito bom contar com alguém tão brilhante quanto minha companheira de escrita. A partir daqui, acho que será mais difícil nos separarmos, pois o final de Maldade Angelical está sendo, para mim pelo menos, como o final de uma vida. E de certo modo é, pois neste epílogo coloquei, já adiantando, a morte de nossas protagonistas.
Não foi fácil escrever, uma vez que tivemos de faze com que duas meninas totalmente desconhecidas se amassem intensamente, conseguissem vencer a morte e ainda crescer enquanto adolescentes. Foi incrível e tudo que posso dizer é que amei escrever esta novela.
Obrigada àqueles que leram-na e obrigada do fundo do coração para a StarGirlie, que me acompanhou nesta jornada entre anjos e demônios.
Ok, como a Star já havia dito, terá sim uma nova novela. Mas acho melhor deixar com ela a sinopse, já que eu estou fazendo o epílogo.
Espero que gostem do final.
Epílogo Samantha
Em homenagem a amizade não só de Liz e Sam, mas minha e da Star.
Meu coração batia fracamente, assim como o de minha irmã. Nossas mentes estavam interligadas, e eu sabia que a qualquer momento ela iria morrer comigo.
Esbocei um sorriso, apesar de meu corpo não estar mais ligado com minha mente, tentando acalmar os que ali estavam, no hospital.
Meus filhos, Elizabeth Dana, Benjamin Austin, Leandro Damen e Cecily Sandra, choravam ao meu redor. Tentei buscar em suas mentes um meio de falar que eu estava bem, que tudo iria ficar bem; mas não consegui. De qualquer modo, fiquei feliz em pensar que isso eles já deveriam saber.
Senti, momentos antes de morrer, falta mais uma vez do meu querido amado Petrus. Já fazia um ano que ele me deixara, e eu fiquei mais ansiosa ainda pela chegada ao céu.
Apesar de ser meio-humana e meio-demônio, e ainda por cima ser uma bruxa, eu tinha total certeza de que iria para o céu. Sim, eu ficaria com todos que me amavam, com todos que eu amava. Era disso que eu precisava.
Lembrei dos momentos felizes da minha vida. O nascimento dos meus quatro filhos. Os dois primeiros, gêmeos, haviam nascido num momento muito estranho de nossas vidas. Acabara de perder meu único e melhor amigo e também minha irmã. Não fora fácil.
Leandro chegara com muita alegria. Agora, já estava com quase trinta anos aparentemente, ainda era meu bebê. Filho do meu verdadeiro amor e completara minha vida como ninguém soubera completar.
Cecily fora um presente de Deus. Agora com aparência de vinte anos, ela viera quando todos pensavam que não era possível. Ela sim, fora uma real surpresa.
Agora, todos os meus filhos estavam casados. Liz com Robert, Ben com Dana, Leo com Emília e Cecily com Cameron.
Dana e Robert, sendo anjos da morte ou anjos da vida, puderam escolher que idade ter. Ambos haviam escolhido seguir seus amores, sendo que agora pareciam ter quarenta anos. Por incrível que pareça, todos os meus filhos haviam crescido rapidamente durante os primeiros anos de vida, mas depois de entrarem na fase adulta, simplesmente haviam começado a desacelerar o procedimento.
Emília e Cameron eram humanos, mas isso não importava para ninguém. Os dois haviam aceitado que seus amores fossem meio-bruxos, assim como Arthur aceitara Miranda. Não fora fácil, mas o amor vencera isso.
Lembrei também do dia em que minha primeira netinha, Hiley, nasceu. Liz e Rob haviam ficado tão felizes, e eu também, claro. Agora, ela tinha a mesma idade que sua tia, Cecily. Crescera igual à mãe, rápida, ciumenta e forte, e apesar de nunca ter encontrado um amor verdadeiro, eu já sonhara várias vezes com seus filhos. É, a vidência me permitira muita coisa.
Ben e Dana tiveram um filho também, Lorcan. Lembrei-me de como parecia tão grande. Era até mesmo noivo de uma garota maravilhosa com quem eu descobrira que viajaria o mundo várias vezes, Gabriella.
Miranda casara com Arthur, e eu e Lizzie havíamos descoberto que teriam duas gêmeas. Sim, o nosso legado continuaria com a nova geração de irmãs Bloom.
Toquei-me, apesar de já possuir oitenta anos, que a vida passara num piscar de olhos. Um dia você está vivendo no subúrbio sem saber que seus pais e sua irmã existem, no outro você está lembrando do casamento de seus filhos. E foi tudo tão lindo, tão mágico.
Por um segundo imaginei que Elizabeth teria ido embora sem mim, mas logo senti a presença dela em minha cabeça. Havíamos ficado boas nesse negócio de ler mentes.
Miranda, sua filha, estava mais calma do que todos os meus filhos juntos. Acho que como Lizzie sempre fora mais experiente que eu, conseguira mandar para ela um sinal de felicidade.
Minha irmã estava feliz, muito feliz, em finalmente reencontrar seu amor. Ben morrera há menos de um mês, mas eles sempre foram mais unidos, digamos assim, do que eu e Petrus. Claro que quando meu amor morrera, meu mundo desabara, mas eu compreendera rapidamente que aquele não era o fim. Eu o encontraria, só precisaria ter paciência.
Mas Lizzie, ela sim havia tentado se matar diversas vezes depois que Ben fora para o céu. Depois de tantas tentativas, pensei que ela conseguiria em breve.
Minha mente estava mais sã do que nunca. Não sentia mais as dores de meu corpo, e parecia que os choros de meus filhos estavam longe, muito longe.
Fiz minha última promessa mental antes de poder deixar o mundo terrestre, dirigindo à palavra para minha irmã.
“Iremos ficar juntas até o fim.”
E ouvi-a responder-me segundos depois:
“Para sempre, e durante todo o fim.”
Meu coração parou de bater e senti como se estivesse flutuando. Então era assim morrer: bom e feliz.
Olhei para baixo e vi meu corpo, mas logo depois passei pelo teto, sem sentir nada, e encontrei o céu.
Uma mão roçou a minha, e pude ver que era Elizabeth, mas a velhice a deixara; ela estava de volta aos catorze anos. Sua pele enrugada ficara para trás, seu cabelo grisalho já voltara a ser loiro e lindo, apesar de seus olhos continuarem os mesmos esperançosos de sempre. Ela sorriu e eu retribuí, segurando forte em seus dedos. Palavras não foram necessárias.
Subimos cada vez mais, e finalmente pousamos ou pés em um lugar lindo e que cheirava à flores. Olhei para o horizonte de nuvens, mas tudo que consegui ver foram Petrus e Austin, ambos me estendendo a mão.
Virei-me para os lados e pude ver Ben e Emma oferecendo a mão para Lizzie, que aceitou ambas. Fiz o mesmo com Austin e Petrus, sorrindo envergonhadamente.
Andamos todos unidos, e quando passamos pelas portas do paraíso, nada mais se pode fazer.
Larguei a mão de Petrus e a de Austin, agarrando a de minha irmã que fizera o mesmo com Emma e Ben.
E aquele, percebi, não era o fim. Nunca acabaria, estaríamos juntas para todo o sempre.
Como sempre acontece antes dos últimos capítulos que posto, vou dar aquele que devia ser mini discurso. Primeiro, vou agradecer a todos vocês que acompanharam desde o início as aventuras de Lizzie e Sam, que como eu e Babi, têm seus lados "do bem e do mal". Por ser um tema tão aberto e propício a histórias inteiramente novas, para mim, essa novela foi a mais difícil de escrever. Ao contrário de Fofoqueira Fina, que tínhamos uma base em Gossip Girl e Pretty Little Liars, Maldade Angelical não tinha nada em que se inspirar. Estávamos falando de anjos e demônios que nunca haviam sido escritos. Eram humanos com poderes do Céu e das Trevas.
Segundo, devo dizer a Babi que não sei o que seria sem ela. Como teria escrito "Os Laços de Uma Rosa", "As Duas Faces da Rosa", "OMG!" (novelas do BWorld), "Fofoqueira Fina", "Fofoqueira Fina 2" e "Maldade Angelical" sem você, minha grande amiga? A cada novela, nós duas fomos crescendo em termos de escrita e criatividade. Fico feliz de poder dividir cada ideia com você e espero que daqui alguns anos sejamos as próximas J. K. Rowling não custa sonhar, né?.
Terceiro e última coisa, vou deixar vocês com curiosidade exceto a Per, favoritismo né, gente? até o Epílogo de amanhã (onde vai ter outro desse discursinho srsrsrsrsrsrsr) sobre a próxima novela. Repararam que essa nem teve pista? Enfim, gostaria de saber se posso escrever a sinopse da novela, Babi?
Chega de papo, é hora do último capítulo!
Trigésimo Capítulo
Elizabeth
-Mãe, acorda! – gritou uma adolescente toda arrumada, que permanecia impaciente na porta de meu quarto com Ben. Ela parecia feita de porcelana, com seus lindos cabelos loiros caindo sobre seus ombros.
-Ai, Deus, Miranda, você tinha que fazer isso toda manhã? Você sabe que não vou me atrasar para te levar para o colégio – olhei para o relógio. Ainda faltava uma hora e minha filha já estava totalmente maquiada e bem vestida.
Ela saiu, mandando um beijinho debochado, e foi para a cozinha. Ben saiu do banheiro já vestido com suas roupas lindas e casuais que usava para trabalhar. Realmente, eu era a única atrasada.
-Bom dia, amor – Ben beijou minha testa e um sorriso surgiu em meus lábios. O lugar onde antes surgiam minhas asas ardeu. Desde que Miranda nascera, meus poderes de anjo desapareceram e me tornei uma bruxa novamente. Acreditava que minha filha tinha sido uma espécie de salvação.
Beijei de leve os lábios de meu marido e senti que aquela era rotina de sempre, era o que eu mais amava. Afastei-me de Ben, enquanto ele me ajudava a levantar. Desde novinha, fui muito preguiçosa, então já estava acostumada em ser paparicada.
Olhei para o calendário que estava na minha escrivaninha e percebi que no dia 12 de maio, completaria 30 anos junto a Samantha. Tanto tempo havia passado desde que havíamos nos encontrado, com nossos doces 14 anos. Tinha a idade que hoje Miranda tem.
Enquanto pensava em minha filha adolescente, ela surgiu em meu quarto, com um ar irritado pairando no rosto:
-Mãe! Você não me avisou que o Arthur ligou? Ele acaba de me mandar quinze SMS, dizendo que ninguém aqui em casa repassa os recados dele!
-Esse garoto ainda está atrás da nossa filha? – sussurrou Ben em meu ouvido com aquela voz de pai que eu tanto adorava. Apenas concordei com a cabeça, enquanto Miranda continua com seu ataque histérico.
-Vocês sabem que eu gosto dele, que coisa! Vou precisar desenhar para vocês entenderem? EU ESTOU APAIXONADA PELO ARTHUR!
No exato momento em que aquelas palavras saíram da boca da minha filha, um garoto de cabelos cor de palha, os olhos muito escuros, com algumas sardinhas discretas e um sorriso muito alegre, surgiu na soleira da porta.
-Miran? – minha filha se virou assustada e rapidamente, puxei Ben para fora do quarto. Ele saiu relutante, mas acabou aceitando meus empurrões. Saímos do cômodo, mas deixamos a porta aberta. Eu era liberal, mas nem tanto.
Apesar de irmos para a sacada de nosso apartamento, ainda podíamos escutar a conversa. Isso era um dos problemas de ser bruxo. Porém, para meu marido aquilo não era um problema e sim uma benção.
A brisa deliciosa do Rio de Janeiro inundou nossas almas. Um dia lindo de céu completamente azul era visto de nossas janelas. Ali realmente parecia o Paraíso. E eu podia dizer isso, já que estive realmente lá.
-Fico feliz de termos nos mudado para o Brasil, aqui tudo é tão...
-Luminoso – completei, no segundo exato em que escutei os passos de Arthur se aproximando de Miranda.
-Você sabe que eu te amo. Por favor, não me esconda mais nada. Eu sei que há algo de especial em você, Mir. Não minta mais pra mim, por favor – ele tocou seu braço, e ela se arrepiou. Aquelas mínimas informações eram as visões que me davam.
Ben estava tenso ao meu lado e se segurava na grade da janela para não ir interromper o lindo momento entre nossa filha e seu amado. Segurei sua mão e apenas mandei uma mensagem entre nossas mentes. Pare de ser ciumento...
-Eu não posso, Arthur... Não é uma escolha minha. Entenda, por favor – implorou Miranda abraçando o garoto que ela amava. Foi então que meu marido fez algo que nunca imaginaria que fosse acontecer.
Miranda? O que foi, pai?Conte a ele. Conte que você é meio-bruxa, meio-anjo. Mas e o combinado de não falar nada? Vocês se amam. Não se mente para quem ama. Pai...Você vai me fazer sair da sua mente e ir até aí pessoalmente?
-Arthur, eu sou meio-bruxa e meio-anjo.
Houve um silêncio que me assustou. Ele teria desistido de minha filha? Ela estaria segurando as lágrimas? Antes que esses temores se tornassem ainda mais fortes, Arthur a beijou e segundos depois ambos apareceram de mãos dadas na sala.
Eu e Ben os encontramos, enquanto a campainha tocava. Olhei pelo olho-mágico mesmo sabendo quem encontraria do outro lado. O hall de entrada do apartamento estava lotado.
Sam, Petrus, Robert, Elizabeth, Dana, Ben, Pedro, Sandra e Leandro. Os casais finalmente estavam juntos e felizes, com exceção do filho mais novo de minha irmã. Abri a porta e abracei cada um deles. Apesar de todo o tempo que passara, ainda havia certa tensão quando abracei Rob. Desde que ele escolheu minha sobrinha, algo acontecera com nossa amizade e aquilo me incomodava. Muito.
Minha sobrinha até hoje sentia ciúmes de mim e nossa relação não era uma das melhores. Porém, havíamos aprendido a conviver normalmente. Samantha era um dos principais motivos. E Robert também.
-Liz? – sussurrou uma voz em meu ouvido. Pertencia ao meu sobrinho. Ele era estranhamente uma mistura de Austin e Ben, algo que só devia acontecer em seu nome.
-Sim, querido? O que houve?
-É a minha irmã. Ela... está... grávida – revelou Ben Aust, atropelando as palavras e começando outra frase – E está com medo de que Robert mude de ideia sobre vocês duas. A Lizzie sempre tem esse pavor.
Olhei para Ben e Robert, que conversavam desanimados, e choquei-me quando ambos se viraram para mim. Aquela cena já acontecera há tanto tempo, quando eu era apenas uma adolescente. Meus dois amores, o homem da minha vida e meu melhor amigo, juntos lado a lado virados em direção a mim.
-É por causa disso, entende? – meu sobrinho apontou para os dois – Ela tem razão, tia. Robert ainda não te esqueceu, completamente.
-Claro que não! Eu fui o primeiro amor dele, mas Lizzie é o amor que ele terá para o resto de sua existência! – afirmei convicta. Conhecia Robert o suficiente para saber que se ainda me amasse, teria me arrancado de Ben há anos e me convencido a amá-lo.
Ben Aust concordou, percebendo que eu tinha razão, enquanto Sam se aproximava de mim. Ela parecia tão jovem e completa. Finalmente, o mundo juntara as peças que faltavam no coração de minha irmã.
-Só faltam cinco dias para completarmos nossos trinta anos! Nem dá para acreditar que já temos filhas – e como Ben e Leandro estavam próximos o suficiente para nos ouvir – e filhos tão adultos!
Olhamos para Elizabeth, que já estava casada com Robert há três anos, e Miranda, abraçada com Arthur. As duas eram tão diferentes uma da outra, fisicamente, mas tão parecidas, mentalmente. Ambas explosivas e muito ciumentas, que querem o mundo em suas mãos e amam seus parceiros com a maior intensidade possível.
Enquanto via as pessoas que tanto amava, meu marido me puxou pela cintura e Petrus fez o mesmo com Sam. Uma música animada começou a tocar em nosso apartamento e nossos amados, nos embalaram em uma dança desengonçada. Rapidamente, os outros casais tentavam repetir alguns de nossos passos. Todos esqueceram seus compromissos. O trabalho de Ben foi adiado, a aula de Miranda perdida.
Como a porta estava aberta, nenhum de nós percebeu quando Emília, uma amiga de Miranda, entrou no apartamento e se juntou a Leandro em “rebolados” recatados. Todos tinham seu par. A pessoa que os completavam.
Sam se soltou de Petrus e me puxou levemente para longe de Ben. Colocou-nos no centro das danças e rapidamente entendi o que ela queria que fizéssemos. Levantei meus braços para o alto e juntas demos um de nossos gritinhos mais conhecidos.
Dançamos juntas e gargalhamos. Dezesseis anos tinham se passado desde que nos reencontramos e unidas havíamos descoberto uma vida totalmente nova e maravilhosa. Alguns sacrifícios tiveram que ser feitos, mas agora entendíamos que aquele era o destino.
O telefone tocou e ambas fomos atendê-lo.
-Quem fala? – perguntamos com nosso português cheio de sotaque. Ninguém respondeu, mas nós duas sabíamos quem era. Desligamos a ligação e quando nos perguntaram a quem pertencia o telefonema, apenas respondemos:
-Acho que algumas pessoas do Céu sentiram saudades de ouvir a nossa voz.
Todos entenderam que falávamos de Austin e Emma. Porém, ninguém chorou ou ficou triste. Muitos anos haviam passado e tínhamos aprendido a conviver com a perda, mas não a esquecido.
-Gente, eu quero tirar uma foto – gritou Miranda – Todo mundo vai para aquela parede!
Fizemos linhas em ordem de árvore genealógica, usando alguns degraus materializados: Sandra ficou no último degrau, com Pedro a acompanhando. Eu e Samantha, alguns centímetros abaixo, com Ben e Petrus ao nosso lado, respectivamente. Lizzie e Ben Aust se posicionaram abaixo da mãe deles e de um espaço em branco, Robert e Dana acompanharam os dois, cada um em um lado, enquanto Leandro parou embaixo de minha irmã e seu marido. Arthur parou no espaço vazio que havia perto do de Miranda.
Minha filha ligou o timer da câmera e saiu correndo para se posicionar em seu lugar. E juntos gritamos:
-Os Bloom! – e o flash nos cobriu. Aquela cena estaria guardada para sempre, mas nenhum de nós imaginaria que a imagem tirada se tornaria o papel de parede daquele local. Ops, eu falando de novo sobre coisas que ainda não aconteceram! Este é um fato que só “O Livro das Visões” poderia saber. Porque os segredos das irmãs Bloom nunca são totalmente revelados.
Gente, ontem, tanto eu quanto a Babi (Per, Alícia, Maya e nossa outra amiga...), estávamos ocupadas e não pudemos postar o capítulo da novela. Por isso, amanhã haverá dois ao invés de um só, um deles sendo o epílogo!
-AHHHHHHHHHHHHHHH! – gritei ao sentir o aperto no peito.
-O que foi? – disse-me Petrus, acordando logo após o grito.
-LIZ! –pulei para fora da cama.
Minha filha corria perigo, muito perigo, e eu precisava ser rápida. Comecei a procurar meu roupão, mas antes de achá-lo, caí desmaiada.
Cenas involuntárias começaram a aparecer em minha mente. Um sussurro contínuo deixava as imagens mais sombrias do que realmente eram, mas ao decorrer das cenas, percebi que o clima era bem diferente. Era de alegria, e na de tristeza.
A mesma imagem que vira há alguns anos se repetiu. Minha filha, já mais velha, estava indo em direção ao altar. E seu noivo a esperava. Robert.
Ele era o noivo o tempo todo. Ele a escolhera, e neste instante, um alívio muito grande me percorreu. Minha filha estava bem, estava com seu amor e tudo, absolutamente tudo, ficaria bem.
Outra cena apareceu, cortando a anterior. Elizabeth segurava uma linda criança em seus braços. Lágrimas rolavam dos olhos de minha irmã, e percebi que um mão forte caiu sobre seus ombros. Pude notar uma aliança em seu dedo.
-Ela é linda. – disse baixinho Ben.
-Assim como o pai. – respondeu Lizzie, olhando para os olhos de seu marido.
A cena se desfez mais uma vez e Dana apareceu, olhando para meu filho, bem mais velho também.
-Você parece tanto com seu pai. – disse ela.
-E você me ama por isso? – perguntou Ben Austin.
Ela negou com a cabeça.
-Não. Te amo porque você é minha alma gêmea.
Os dois se beijaram e minha cabeça começou a latejar.
De repente, uma coisa totalmente estranha surgiu. Não era igual as cenas anteriores, era bem mais... emocionante.
Não consegui distinguir a imagem, mas tudo que ouvi foi um choro de criança.
E finalmente, acordei.
-O que aconteceu? – falou Petrus, mais nervoso do que o normal. Meu filho também estava no quarto, sentado na beira da cama em que eu repousava.
-Você e D...- falei, com os olhos cheios de lágrimas em direção ao meu primogênito.
Ele concordou.
-Eu sei mamãe, eu sei. Também vi. E meus parabéns, já estava na hora de eu ganhar um irmãozinho.
Olhei incrédula para ele, e logo após isso, para minha barriga.
-Um... irmãozinho? – disse, chocada.
Meu filho sorriu e eu olhei para Petrus.
Meu namorado parecia petrificado, e eu não pensei em outra coisa senão beijá-lo.
O agarrei e escutei Ben soltar um exclamação de nojo e sair do quarot em que estávamos, mas nem dei muita bola.
-Você vai ser papai. – disse ao pé do ouvido de Petrus.
Ele virou seu rosto para o meu e olhou dentro dos meus olhos como sempre fazia.
-Obrigado. – foi tudo que disse, mas com essas palavras pude entender muitas outras coisas que só alguém que já sofreu muito poderia. Ele estava finalmente realizado, e eu me senti em paz como nunca antes me sentira.
Petrus
Sabe quando você sente que nada mais pode atrapalhar? Que o amor venceu e que tudo valeu à pena só por aquele pequeno segundo?
Foi assim que me senti quando descobri que seria pai pela primeira vez. Sam era tudo que eu tinha, e eu faria tudo para escutar aquelas palavras milhares de vezes.“Você vai ser papai.”
-Lizzie, não! – foram as últimas palavras que gritei antes de ver minha protegida se lançar no imenso abismo daquele altíssimo prédio de Nova Iorque.
Acho melhor contar tudo desde o início. Primeiro, depois de me tornar a anja da guarda de minha sobrinha, retomei minha consciência e voltei totalmente à vida. Ben acredita que isso aconteceu porque nunca morri realmente. Como havia acontecido com ele também, o amor nos protegera da Morte.
Segundo, a Pequena Liz odiou minha volta. Robert, como já era esperado, voltou a passar muito tempo comigo e ela sentia extremo ciúmes disso. Não importava o quanto o avisasse, ele continuava a acreditar que eu estava apenas exagerando.
Terceiro, minha relação com Ben retornou ao estado “ciúmes” e desde nossa volta a Terra, já brigamos três vezes. Não consigo vê-lo passando tanto tempo com Dana, já que como ela está sempre ao lado do Pequeno Ben, e meu noivo é o anjo da guarda dele, estão sempre juntos.
Os anos passaram. Dois para ser exata. Os Pequenos Ben e Lizzie atingiram a aparência de catorze anos, e deixaram a fase “criança” para trás. Samantha estava tendo dificuldades em se acostumar com os dois novos adolescentes. Porém, com a minha ajuda e a de meu noivo, conseguimos ajudá-la.
Noivo? Sim, meu amado me pediu em casamento logo após meus sobrinhos completarem a aparência de treze anos. Ele queria que fosse um marco para toda a família e realmente foi. Apesar de ficar extremamente chateado, Robert esboçou um sorriso por mim. Sabia o quanto estava feliz e não tentaria me impedir de seguir em frente.
-Tia! – gritou Ben Aust, como eu também comecei a chamá-lo. Fui até seu quarto, que era bastante próximo do de Lizzie, e perguntei:
-O que houve, querido?
Ele apenas apontou para o quarto de sua irmã. Como eu e Sam, Ben Aust tinha a capacidade de prever o futuro. Só que por ser muito jovem, preferia transmitir a uma de nós duas o que via.
Corri para o cômodo de minha protegida e vi algo que não esperava. As paredes e cômodas estavam repletas de desenhos. Ou melhor, de croquis. Cada um mais lindo do que o outro. Porém, o que mais me chamou a atenção foi um que se encontrava ao lado de uma foto minha.
Era um lindo mini vestido e me fez lembrar o estilo que usava antes de me tornar um anjo. Sim, meu visual mudara completamente. Agora me equilibrava entre as Trevas e o Céu em todas as peças. Apesar disso, Ben não mudara praticamente nada.
Foi em meio a tantos pensamentos, que uma imagem caiu sobre minha cabeça. Anteriormente, ela estava presa ao teto, mas a fita que a mantinha ali, soltara.
Inicialmente, não tive reação alguma. Era apenas uma foto de uma jovem loira com um olhar assustado. Nada que pudesse me impressionar. Virei-a, procurando alguma legenda, mas não havia nada. Tentei imaginar o porquê de aquela figura estar tão bem escondida, quando algo nela brilhou aos meus olhos.
Refiz o mesmo movimento, curiosa, quando reparei que o cabelo loiro da adolescente brilhava mesmo na coloração parda. Junto ao brilho dos fios dourados, aparecia um nome: Miranda Bloom.
-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO NO MEU QUARTO? – gritou Lizzie surgindo na minha frente e arrancando a foto das minhas mãos, rudemente.
-Seu irmão achou que era importante eu vir aqui...
-AQUELE MALDITO BEN! NÃO VÊ QUE EU TENHO UMA PRIVACIDADE? NÃO IMPORTA QUANTAS VEZES VOCÊ MORREU, QUANTOS HOMENS SÃO APAIXONADOS POR VOCÊ OU QUANTOS PODERES POSSUI! APENAS SAIA DAQUI, AGORA! – minha sobrinha começou a me empurrar para fora do quarto e bateu a porta em minha cara.
Samantha subiu as escadas, apressada, depois de ter escutado aquela gritaria. Seu rosto estava mais maduro, mas ainda resguardava todo o brilho da juventude.
-Desculpe-me por Lizzie. Ela não está passando por uma fase educada – disse minha irmã.
-Eu entendo. Ela está com ciúmes de Robert, mas não sei o que fazer quanto a isso – olhei para o chão, percebendo que pronunciar o nome em uma frase daquele sentido, ainda me deixava envergonhada.
-Mesmo assim, te tratar deste jeito não é certo. Achei que a tinha educado. Vou ter uma conversa bem séria com esta mocinha. Porém, como você tem poderes ainda mais sobrenaturais do que eu, preferia que se afastasse um pouco deste quarto. Não quero que ouça essa conversa – pediu Sam, mas apenas segurei seu braço a impedindo de seguir com aquele plano:
-Ela vai me odiar ainda mais, se você me der razão! Não posso deixar isso!
-Não discuta o que eu faço. Apenas se afaste – disse Samantha, cheia de autoridade. Seus olhos brilharam com uma chama avermelhada, provocando um medo que me lançou para longe dela. Tinha esquecido que ela tinha poderes de anjos da morte, como o nosso pai, Damen.
Com a mente longe, andei até a cozinha e procurei algo que satisfizesse minha fome. Nos últimos dias, havia me tornado gradualmente mais faminta. Sabia que não era por causa da minha volta a Terra. Naqueles últimos dois anos, nada em meu corpo havia mudado.
-Liz? – sussurrou uma voz em meu ouvido. Virei-me assustada e encontrei o rosto de Robert muito próximo do meu. Ele continuava com os mesmos olhos azuis, o mesmo sorriso ousado e a mesma mania de aparecer do nada.
-O que foi, Robert? – perguntei um tanto irritada. Era por causa dele que agora eu estava acidentalmente em um triângulo amoroso com minha sobrinha.
-Me chamando de Robert? O que houve? – ele colocou uma das mãos em minha cintura e me puxou para mais perto – Achei que depois que você morreu por mim, tínhamos voltado a ser os mesmos melhores amigos de antes.
Toquei sua camiseta preta e o afastei. Algo nele me atraía para ainda mais perto, como se estarmos juntos fosse algo natural, mas não ia cair nessa tentação. De jeito nenhum.
-Este é o problema. Nós não voltamos a ser melhores amigos! Desde que eu me tornei um anjo, você está muito pior! Age como se eu não fosse comprometida com Ben e você com Lizzie... – tapei minha boca quando percebi o que havia feito. Ninguém podia saber daquele futuro além das pessoas que tinham o sangue Bloom correndo nas veias.
-Eu com Lizzie? Que história louca é essa?! Ela é uma criança perto de mim! Estou há mais de um século na Terra e antes disso já era um guardião no Céu. A Elizabeth só tem quatro anos de idade! Como eu posso me interessar por alguém tão jovem? – as palavras de Robert ecoaram pelo enorme cômodo, no exato momento que minha sobrinha surgiu no pé da escada.
As lágrimas caíam de seus olhos. Seu rosto estava vermelho. Seu cabelo castanho cobria uma parte de seu rosto. Elizabeth estava acabada com aquelas palavras.
Os olhos de Robert caíram sobre sua melhor amiga, antes de perceber o quanto a havia magoado. Sua boca se abriu para pedir desculpas, mas ele sabia que nada adiantaria. Acabara de quebrar o coração da garota que mais o amava.
Ela desapareceu no corredor e saiu porta afora. Corri atrás dela, sabendo que meu melhor amigo me seguia. Ele abriu suas asas e levantou voo. Decidi aproveitar meus poderes de anjo também. Sobrevoamos Elizabeth diversas vezes até que entrou em um prédio e tivemos que voltar a nossa forma humana para alcançá-la.
Minha sobrinha foi direto para o último andar, e tivemos que subir correndo dezenas de andares. Quando chegamos ao local, ela estava na beira do abismo, esperando apenas a nossa chegada, para fazer o impensável:
-Eu sempre te amei, Robert.
E caiu. Uma parte da minha alma desapareceu, como num passe de mágica, e desabei no chão. Porém, Rob sequer olhou pra mim. Jogou-se imediatamente do prédio. Ele a escolheu e aquilo provocou uma grande alegria em meu coração.
Senti uma pontada em minha barriga e gritei. Não havia ninguém para me ajudar e algo em mim dizia que aquele era um momento muito importante.
-Você fez a coisa certa, Lizzie – ouvi a voz de Emma dizendo, antes de ela sentar-se em minha frente.
-O que você está fazendo aqui? – não houve choque. Ela era um espírito, como um dia eu fui para Robert.
-Vim ajudá-la enquanto o seu salvador não chega – minha melhor amiga esboçou um sorriso, antes de continuar – Sei que não deve ser fácil ter que me ver deste jeito... Morta, mas tinha que aparecer. Lizzie, você não imagina como senti sua falta.
Ao contrário do que todos imaginavam, eu e Ben não vimos ninguém que morrera na Batalha enquanto estávamos no Céu. Nem Emma que sabíamos que estava lá. Este foi um dos motivos que nos fizeram acreditar que não havíamos morrido.
-Eu também, Em. Pensei que nunca mais a veria. Depois de ter me tornado isso – apontei para minhas costas, onde, há pouco tempo, surgiram asas de tom azulado, como meus olhos.
-Não fale assim, Elizabeth. Ter se tornado um anjo é um grande avanço. A maioria das pessoas simplesmente morre.
Ela tinha razão, mas no fundo do meu coração, eu não queria ser um anjo. Apesar de ter sido criada acreditando que era assim, de forma alguma, aquele era meu desejo para o futuro. Na verdade, preferira muito mais ter sido uma bruxa.
Seu espectro começou a desaparecer, antes que pudesse responder e Ben apareceu em seu lugar. Suas asas eram tão verdes quanto seus olhos e ele estava ainda mais lindo em sua forma de anjo.
Tinha um sorriso nos lábios e se posicionou na minha frente, para que suas asas me envolvessem. Toda a dor que estava sentindo desapareceu, enquanto ele proferia as palavras que mudariam nossas vidas:
-Ben Aust pediu para eu te dar um aviso. Você está grávida de uma menina...
-Que se chamará Miranda. Miranda Bloom – completei, sorrindo também.