quarta-feira, 30 de maio de 2012

Meus Olhos

"Meus olhos não podem mentir, não podem enganar. Meus olhos conseguem sofrer, conseguem me desmerecer. Meus olhos são a porta da alma e a saída de minha falsidade. Meus olhos são tudo que é preciso para me conhecer. Observe-os uma vez e você saberá do que estou falando."

Beijinhos, StarGirlie.

terça-feira, 29 de maio de 2012

4º Capítulo de Lembranças Amadas

Quarto Capítulo



            Eu não sei o que me manteve parada ao lado de Camile, que parecia muito concentrada nas rosas para ver o Misterioso. Minha vontade era voar na direção do tal garoto e tirar todas as dúvidas que assombravam meu coração.
            Se ele estava chorando sob meu aparente túmulo era porque eu “fui” alguém muito importante em sua vida. Talvez sua irmã, prima... Ou sua namorada. E minha alma queria reconfortá-lo, mostrar a ele que estava viva, ou quase isso, e que não conseguia me lembrar de nada do meu passado.
            Pelo modo como ele mexia nas rosas brancas sobre a lápide, percebi que o Misterioso era cuidadoso e extremamente carinhoso. O jovem sentia falta da garota que perdera, de quem eu um dia fora. Quem seria essa enigmática versão de mim mesma? Será que a minha parte humana era mais amável ou mais perversa?
            Comecei a tremer sem controle e sem motivo. Meus pés começaram a se mover em direção ao garoto de cabelos castanhos. Meus dedos tocavam meus lábios como se sentissem falta de algo. Meu coração se apertou e tive vontade de gritar. Então, entendi: havia uma parte de mim que faltava. E talvez o Misterioso soubesse como encontrá-la. Talvez ele até fosse ela.
            -Bianca! – exclamou Cami em voz baixa, segurando meu braço e me impedindo de seguir em frente. Por um breve segundo, juro que vi o jovem estremecer como se tivesse a escutado. Seria o tal visitante um vampiro também?
            -Eu... Eu preciso falar com ele, Camile – apontei para o local onde o Misterioso se preparava para partir. Suas mãos tocaram meu nome inscrito na lápide mais uma vez e depois se moveram para seu próprio coração. A dor o consumia.
            A ruiva pareceu finalmente perceber a presença do garoto. Sua boca tremeu como se ela estivesse prestes a explodir de raiva. – Bia, ele é um vampiro perigoso. Muito perigoso. Você não vai querer se envolver com alguém assim.
            Depois de tantos dias com os Moure, eu conseguia perceber quando mentiam de forma muito grave. E aquele era um dos casos. – Largue-me agora, Camile – minha amiga não me obedeceu – AGORA!
            A palavra ecoou por todo o cemitério e vi o Misterioso se virar imediatamente. Ele reconhecia até o som da minha voz. Eu queria tanto saber seu nome e poder chamá-lo. Mas minha mente era um lugar vazio e não havia nada a usar.
            Mesmo sabendo que iria ser o lado perdedor da briga, preparei-me para jogar Cami longe e correr em direção ao garoto. Porém, quando estava prestes a reagir, Jason surgiu por entre as árvores e me segurou pelas costas.
            -Eu não vou deixar que você se coloque em perigo. Você já morreu uma vez e não morrerá de novo! – sua voz era carregada de dor e desespero. Havia muita coisa em minha relação com Jason que meu cérebro sem diversas lembranças não conseguia entender.
            Talvez tenha sido por causa do sofrimento do vampiro loiro ou pelo meu medo dos Moure terem razão sobre o Misterioso, mas deixei que me levassem de volta para casa, em aparente segurança.
            Naquela noite, não consegui dormir imediatamente. Os barulhos da floresta me agoniavam e eu queria fugir daquele cemitério. Minha vida real nunca fora ali, então, as respostas que precisava encontrar também não estariam naquele lugar.
            Foi em meio a tantos pensamentos conturbados que caí no sono. E, pela primeira vez, sonhei com alguém do meu passado. Alguém que se dizia chamar Helena.
Escrito por StarGirlie.

Sob a pele

"A verdade é que sob a pele de cada garota má há uma inocente menina que foi extremamente magoada e destruída. A verdade é que sob cada ato de ódio há um ato de vingança. E a verdade é que sob cada decisão envolvendo amor há alguém que sai perdendo."
Beijinhos, StarGirlie.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

3º Capítulo de Lembranças Amadas

Terceiro Capítulo




            -Não faça tumulto, Camile. Ela não se lembra de nada – disse Jason, se colocando em minha frente. Por um breve segundo, tive certeza que já tinha visto aquele rosto emoldurado pelo cabelo ruivo.
            Camile pareceu nervosa de uma hora para outra. Percebi que seus olhos roxos (claro, ela tinha que ser uma vampira) mudaram para pretos em menos de um minuto. A ruiva parece prestes a entrar em combustão.
            -Meu Deus, Jason! Você poderia ter me avisado, né? – reclamou a vampira antes de se sentar ao meu lado. Ela parecia não ter mais do que quinze anos, o que acabou com toda a ideia de que era a namorada do loiro. Ele poderia muito bem se passar por vinte anos.
            Eu deveria estar parecendo muito confusa, pois a ruiva deu aquele sorrisinho nervoso que as pessoas dão para loucos. Como sabia disso? Bem, parece que a minha amnésia só gostava de apagar lembranças pessoais.
            -Acho que devo me apresentar. Sou Camile Moure. Jason é meu primo – ela ofereceu sua mão e a cumprimentei. Algo me dizia que aquela garota não me era estranha e aquilo me preocupava profundamente. Se os dois não eram desconhecidos, então, ambos estavam me enganando.
            Passou-se algum tempo antes de um de nós sequer respirasse. Parecia que o ar da sala se comprimia com a ideia de três vampiros em tão pouco espaço. Não devia ser comum naquele mundo uma cena como aquela.
            -Sério, Bianca, você é muito séria para uma vampira recém-criada! – exclamou Cami, como passei a chamá-la, de repente – Cadê as corridas pela casa para testar sua rapidez? Sua boca vertendo sangue de humanos inocentes que passam ao seu redor? As roupas sujas de terra pelos experimentos de “super-heroína”?
            Comecei a rir. Ela tinha toda a razão, exceto na parte dos humanos, mas isso não importava. Eu não possuía nenhuma lembrança do meu passado e, mesmo assim, continuava séria e responsável. Imaginei-me como mortal por um breve segundo. A visão foi um pouco tediosa.
            Então, antes que imaginasse, agi como Camile tanto queria. Corri pelos bosques que cercavam o cemitério e ri com os primos Moure. Passei a me alimentar de bolsas de sangue e tentava me manter o mais distante dos humanos, já que sempre os imaginava como alguém conhecido. Sujei-me e me arrumei várias vezes após tardes de descobertas.
            Minha vida era incrível, divertida e tudo que eu queria para mim. Não havia o peso na consciência das escolhas que talvez tenha feito em outra parte de minha história. Tudo era claro, simples e perfeito.
            Era bom ter Jason e Camile me ensinando como ser um vampiro. Ambos não matavam humanos, mas se alimentavam diretamente de suas jugulares. Eles me explicaram a arte de seduzir o sexo oposto, porém, não quis testá-la. E se eu acabasse me descontrolando? Depois só seria tarde demais para se desculpar.
            Vivíamos calmamente no cemitério, algo um pouco macabro, mas que, com os dois vampiros, era divertido. Gostávamos de ajudar os humanos que levavam flores aos seus parentes falecidos e sempre os fazíamos acreditar que estes estavam em um lugar melhor. Talvez a minha família também afirmasse isso a si mesma.
            Porém, havia um visitante que não recebia tratamento. Na verdade, Jason e Cami nem pareciam notá-lo, então, por muitas vezes, acreditei que ele não passava de uma ilusão. Entretanto, o garoto, que eu havia visto logo após sair da cova, tinha algo de especial. Algo que me puxava em sua direção.
            Queria saber quem ele era, mas tinha medo de decepcionar os Moure, de alguma forma, por causa disso. Mas enquanto naquela tarde podávamos flores, tive a certeza que o Misterioso chorava sobre uma lápide específica. A minha.
Escrita por StarGirlie.

domingo, 27 de maio de 2012

Você não merece

       Eu não sei porque ainda me importo com você. Tudo em sua alma é ruim e sombrio. Cada passo seu é sinal de destruição, cada respiração sua é um desperdício de ar.
        Porém, estou imaginando se todas as minhas escolhas são corretas, se não estou realmente te magoando. E se você não for o insensível que eu sempre imaginei que fosse? E se você for a ponta esquecida do triângulo amoroso?
        Não, não. Você não é bom. E eu preciso me convencer disso antes que tome uma decisão impensada.

Beijinhos, StarGirlie.
       

Mentiras e mais mentiras

Finalmente, a novela Lembranças Amadas começou e amanhã já teremos o terceiro capítulo. O que vocês estão achando da Bianca vampira? Confiam em Jason ou não? E quem é a ruiva misteriosa?


Não é difícil reconhecer quem ela é vendo seu rosto...
Beijinhos, StarGirlie.

sábado, 26 de maio de 2012

2º Capítulo de Lembranças Amadas

Segundo Capítulo



            Não sei o que havia em Jason que não me fez temê-lo. Qualquer um esperaria que o salvador tentasse se aproveitar de mim, provando dessa forma que não passava de um bandido. Mas algo me dizia que o vampiro loiro não tinha maldade alguma comigo.
            -Desculpa ter sumido – disse Jason, enquanto entrava em sua casa. Reparei que nas prateleiras havia porta-retratos com fotos dele e de uma garota ruiva. Não entendo o porquê, mas meu coração se apertou por um breve segundo.
            Queria poder perguntar àquele desconhecido quem eu era e por que fora enterrada viva, mas sabia que ele não tinha nenhuma das respostas que minha alma precisava. –Você é o coveiro do cemitério?
            -Em minhas horas vagas – respondeu rindo Jason, deixando seus caninos à mostra. Mas os vampiros não têm caninos diferenciados. Como eu poderia saber isso? Será que em minha vida humana convivi com algum vampiro? Será que convivi com o próprio que estava na minha frente?
            Sem nenhum aviso prévio, comecei a sentir minha pele borbulhar. Aquele era o efeito do sol, mas não havia nenhuma luminosidade me atingindo. O que estava acontecendo comigo?
            -Meu Deus! – gritou o vampiro, antes de correr para a cozinha e voltar trazendo uma bolsa de sangue e uma toalha molhada – Nunca vi um vampiro ter tantos problemas na transição. Como você foi transformada?
            Abaixei os olhos, enquanto Jason tocava minha pele com o tecido frio e acabava com os ferimentos. O cheiro de sangue me deixava em êxtase, mas não podia demonstrar isso. Parecia que o vampiro que cuidava de mim era bastante cuidadoso. - Não sei.
            -Como assim você não sabe? – o loiro abriu a bolsa de sangue e pude ver o nome de um hospital e logo abaixo o nome da cidade: Curitiba. Porém, antes de me alimentar, Jason esperou uma resposta.
            -Eu não me lembro de nada. Só sei que me chamo Bianca e que acordei em um caixão, já vampira. Nem consigo imaginar o que aconteceu antes disso – confessei, sentindo um peso saindo das minhas costas. Pude ver nos olhos de Jason que aquilo explicava muita coisa. Talvez isso o fizesse entender o porquê de não tê-lo reconhecido.
            -Então, isso é seriamente um problema, Bianca. Dependendo de como você foi transformada, tudo muda. Por exemplo, se você tiver descendência vampírica, a comida humana é bastante aceita por seu sistema. Porém, caso você seja uma vampira recém-criada, o sangue é a única coisa que te faz sobreviver.
            Era bastante claro que meu sangue era totalmente vampiro. Se eu fosse meio humana, não teria quase queimado sob o sol. Por isso, não hesitei em pegar a bolsa de sangue e sugar todo o líquido que havia nele.
            Inicialmente, imaginei que o gosto de sangue seria nojento. Quem poderia tomar algo como aquilo? Porém, bastou senti-lo em contato com minha boca para mudar totalmente minha percepção.
            Eu queria mais e mais e quase entrei em pânico quando vi que não restara nada para beber em menos de um minuto. Felizmente, não demorou a me acalmar novamente e me lembrar que aquilo viera de um ser humano. Alguém que poderia ser minha mãe, meu pai ou talvez algum irmão?
            A parte boa de ter me alimentado era que toda a agonia com a luminosidade havia terminado. Era como se minha pele fosse a mais resistente do mundo. A parte ruim era que o vazio de minha mente se tornava ainda mais intenso, fazendo com que a falta de lembranças fosse muito dolorosa e desesperadora.
            -Bianca, não se preocupe. Eu irei te ajudar nessa nova fase – reconfortou-me Jason. E, por algum motivo, acreditei em suas palavras.
            Pelo menos, acreditei nelas até a garota ruiva das fotografias entrar na casa, gritando:
            -O que você está fazendo com a Bianca?
Escrito por StarGirlie.