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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Uma Brisa de Esperança

         Hoje à tarde, quando estava lendo Princesa para Sempre, último livro da série Diário de uma Princesa, imaginei que, ao terminá-lo, eu iria correr para o computador e iria escrever uma resenha sobre ele. Porém, quando cheguei a última linha da história de Mia, aquela vontade desesperadora que tive algumas horas antes simplesmente tinha desaparecido. Não porque o livro não tinha sido tão bom quanto parecia inicialmente. Nem pensar! Eu realmente amei Princesa para Sempre e ele, com toda certeza, entrou para meu top 5 de Livros-Favoritos-de-2012. Na verdade, desisti de escrever a resenha porque percebi que não era sobre o enredo, a escrita e os personagens que eu gostaria de falar. Eu queria falar sobre a mensagem do livro que tanto tocou o meu coração. E por isso, resolvi transmitir meus sentimentos através do texto que segue abaixo.

        Eu gostaria de estar repleta de palavras e frases tocantes para usar em um texto que tem tanta importância para mim, porém, sob a escuridão da madrugada, não consigo pensar em nada além de uma única palavra que vem me assombrando há semanas: arrependimento.
         Nunca fui uma garota que se arrepende de seus atos. Na verdade, eu sempre tomei tanto cuidado em como agir que, depois de tanto esforço, não havia como se arrepender. Porém, dizem que para tudo se tem uma primeira vez e hoje eu, infelizmente, concordo com tal ditado.
          Para falar de tal tema não posso deixar de falar do romance de Mia Thermopolis e Michael Moscovitz da saga de livros Diário de uma Princesa, que foi, afinal, o responsável por me trazer aqui e, finalmente, desabafar. Após tanto tempo, esses dois conseguiram reacender uma chama de esperança que tentei a tanto tempo apagar. Na verdade, eles conseguiram me enviar uma brisa de esperança, então não é mais do que justo falar um pouco sobre o porquê deles terem conseguido realizar tal feito sobre mim.
          Bem, para não dar muitos spoilers, posso resumir a história desse tão lindo casal em poucas palavras: Mia e Michael eram opostos que no, fim das contas, realmente se completavam; Mia, por sua infantilidade, acaba magoando Michael e jogando fora tudo que construíram juntos; porém, mesmo separados, há uma chama em seus corações que simplesmente insiste em não se apagar.
          Em Princesa para Sempre, Mia se depara com as consequências de suas escolhas e começa a pensar se realmente fez certo ao decidir por todas aquelas coisas. Porém, algo a incomoda mais do que tudo: o seu relacionamento com Michael. Ou melhor, seu antigo relacionamento com Michael. É como se, em meio a tantos problemas, Mia só conseguisse pensar em como e porquê pode fazer tudo aquilo com um garoto que se importava tanto com ela.
          E foi, a partir daí, que comecei a perceber que eu já não conseguia mais afastar a história de Mia de mim mesma, porque seus sentimentos já estavam infectando os meus. E eu simplesmente não consegui parar de pensar nas minhas próprias escolhas erradas. Em como, quando se trata de amor, as pessoas podem tomar atitudes de qual irão se arrepender pela vida toda. E é isso que estou fazendo agora. Me arrependendo (realmente não é hora de me preocupar com a colocação pronominal correta).
          Em 2012, comportei-me tantas vezes como a Mia, rendendo-me à infantilidade, ao ciúme, à falta de racionalidade, que chega a assustar. A cada Diário lido, percebia o quanto éramos parecidas, apesar de tantas vezes eu ter tentado negar. E o fato principal para eu ter negado com tanta veemência essa semelhança foi porque eu não queria ser parecida com alguém que tinha deixado um amor partir simplesmente por bobeira.
          E, agora, estou aqui para assumir: sou como a Mia. Errei e errei muito. Arrependo-me por cada abraço que deixei de te dar, por cada vez em que não sequei suas lágrimas enquanto chorava, por cada vez em que te desprezei para me vingar de qualquer bobagem que você tenha feito. E arrependo-me principalmente pelo fato de que talvez a última vez em que estivemos juntos já tenha acontecido.
          Porém, com a Mia, aprendi que cada escolha gera consequências que talvez pareçam sem conserto, mas que nunca é tarde demais para tentar consertá-las. Pode ser que já não haja tempo para uma segunda chance, mas você nunca vai saber se nunca tentar.
          E isso que eu pretendo fazer em 2013. Eu quero tentar. Não apenas no amor, mas em tudo. Quero tentar fazer tudo que quero. Se eu estiver com vontade de terminar meu livro, tentarei terminá-lo. Se eu quiser fazer novos amigos, é isso que tentarei fazer. Se eu desejar apenas relaxar e ignorar todo o resto, é isso que tentarei realizar.
          Então, se eu quiser reconstruir nossa história, eu tentarei reconstruí-la. Porque a brisa de esperança que recebi de Mia e Michael dizia claramente uma única coisa: não desista antes de ter sequer tentado.

Beijinhos, StarGirlie.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um Sonho Vindo das Estrelas

Um sonho vindo das estrelas
          A pequena Rosa era uma garotinha cheia de sonhos. Queria ser astronauta, casar com um príncipe e tudo mais. Porém, seu maior sonho era entregar presentes no Natal, como uma certa duende já fizera.
          Como todos os adultos lhe diziam, no futuro ela seria capaz de tal ato, mas naquele momento, Rosa tinha que apenas esperar e ganhar seus próprios presentes.
           No dia 24 de dezembro, Rosa estava em sua casa, quando escutou um barulho vindo de seu quarto. Correu rapidamente para lá, acreditando que iria ganhar seu presente mais cedo do que o normal. Entretanto, o que encontrou sobre sua cama era bem melhor do que isso.
           Em cima da colcha de flores, estavam dezenas de pequenas caixinhas cada uma com um nome. Era claro que eram presentes de Natal que precisavam ser entregues.
           “Você tem 24 horas” dizia no cartão que havia sobre a montanha. Rosa chamou seus pais e viu suas expressões de choque quando encontraram a pilha de presentes.
            Segundo a lenda, Rosa correu contra o tempo, mas conseguiu entregar 365 presentes. Um para cada dia do ano, pensou.
            Mas Rosa não apenas provou que podia entregá-los, como também mostrou que sonhos podem se realizar. Basta acreditar.
Escrito por Uma Ajudante do Natal

sábado, 17 de dezembro de 2011

A Declaração

         Uma jovem comum estava escrevendo em sua escrivaninha, quando escutou seus pais saírem de casa. Ela ficaria sozinha por, pelo menos, uma hora. Apressadamente, a garota puxou uma folha sulfite nova e no cabeçalho escreveu com a letra redondinha: A Declaração.
         O lápis bateu no papel, mas a inspiração não vinha. A jovem sabia que não tinha muito tempo e talvez fosse essa pressão que estivesse acabando com aquele texto. Como se uma luz se iluminasse em sua mente, a garota correu para seu computador e digitou um nome. Rapidamente a foto que procurava apareceu. Um sorriso bobo brotou em seu rosto. Eu sinto sua falta, ela sussurrou na casa vazia.
         Sem pensar muito, as palavras foram passadas a sulfite. A caneta borrava um pouco enquanto a garota passava sua mão sem querer. Ela, sem dúvida, estava descontrolada. Aquilo realmente vinha de seu coração. Seus dedos soltaram a caneta e seus olhos observaram o texto.

     Nunca tinha pensado como seria não te ter ao meu lado. É tão estranho, até mesmo, insuportável! Queria ser capaz de voltar no tempo e não te deixar nunca mais, mas algum dia esse momento teria que chegar, não é?
     Bem, já que estou aqui, vou dizer toda a verdade. Estou com saudades de sua voz, de seus olhos brilhando, das suas bochechas corando. Sei que talvez nunca mais veja nada disso. A vida é ingrata, não importa o quanto sejamos bons para ela.


      Outro dia me perguntaram como seria se você não existisse. Certamente, eu não seria assim. Não passaria todos os dias me arrumando para um possível acaso, talvez? Não veria brilho em dias cinzentos e não flutuaria de vergonha ao te observar. Ainda mais quando você me via fazendo isso e retribuía!
      Algo em você mudou, disso eu tenho certeza. Senão eu o teria visto antes, não é? Ou estou enganada? Ah, me sinto perdida! Longe de você tudo é escuro e confuso. Tudo é estranho e inimaginável. Até mesmo eu.
            A jovem parou de escrever. Observou o relógio. Tinha provavelmente apenas mais dez minutos! Havia muita coisa a revelar ainda, mas nenhum tempo existia. Ela precisava correr. Seus dedos deslizaram mais uma vez pelo papel.
      Porém, algo nunca se perdeu em meio a essa escuridão. Dizem que o primeiro amor, o verdadeiro, não aquelas paixões bobas, é único. Pode-se não levá-lo para o resto da vida, mas será sempre esse que carregará em seu coração. E foi exatamente isso que encontrei em você.
            Ela observou a foto novamente e dessa vez não foi nem preciso pensar. 
      Eu me apaixonei por seu sorriso, por seus olhos. Pelo jeito estranho de agir, pela sua voz hipnotizante. Porém, eu amo o modo como você fica perto de mim. Amo cada vez que seus olhos se contornam de vermelho de raiva. Amo seu jeito de agir com quem você sabe que tem chances comigo. 
           A campainha tocou. "Já vou" gritou a garota antes de rabiscar as últimas palavras e jogar o papel dentro do armário. Aquilo nunca seria dito, ninguém nunca saberia o que havia acontecido.
      Mas você não faz ideia alguma disso. E nunca irá fazer. Entretanto, se algum dia descobrir, poderei enfim dizer o que escrevo agora: eu te amo.
        "E o que você fez de bom, filha?" perguntou a mãe da garota. "Nada de diferente" respondeu, antes de complementar mentalmente: Apenas escondi meus sentimentos novamente.

Beijinhos, StarGirlie.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Amor Mudou / 1950-2011

1950
                Eles se olharam nos olhos. Ela pensou “como este sujeito é ousado!”, e ele pensou “como esta garota é uma graça”. Era o terceiro encontro dos dois, e ele ainda não a tocara. Não tivera coragem.
                -Você é como uma rosa. Doce e linda. – falou ele, não agüentando mais segurar as palavras.
                Ela virou-se para o homem, com a boca no formato de um perfeito “o”. Esticou a mão e deu um leve tapinha no rosto dele.
                -Seu... seu... – disse ela, tentando se conter. – Se meu pai descobre!
                Estavam tomando sorvete no parque. Logo após isso, ele chegou mais perto. E mais. E mais. Até que ela virou, e seu lábios se tocaram. Mas só de leve.
                Foi o bastante para que ela sentisse o adocicado sabor do sorvete de pistache dele, misturado com algo como uma energia que a fez sentir-se nas nuvens. E, apesar de continuar achando-o ousado demais (afinal, era apenas o terceiro encontro!), pensou consigo mesma que adorou aquele beijo, e repetiria o ato, se não soubesse o que os outros falariam.
                E foi assim que eles se beijaram pela primeira vez. Um ano depois, se casaram e tiveram quatro filhos. Todos lindos.
                E, a cada vez que se beijavam, ela lembrava do doce sabor de pistache em seus lábios.

1980

                Estavam dançando, juntos. Ele sempre dava um jeito de botar a mão mais para baixo de onde deveria estar. Ela erguia a mão boba e a recolocava no lugar. Apesar de achá-lo um tanto liberal demais, estava adorando aquilo. Amava aquele jogo.
                Era a segunda vez que se viam. Toparam um com o outro na universidade, mas só aquela noite conseguiram conversar.
                Ele aproximou-se um pouco dela, fazendo o espaço entre eles diminuir. Estava demais para ela, que começou a empurrá-lo. Embora, o que mais quisesse, era poder abraçá-lo por completo.
                -Você é uma ótima dançarina. Eu adoro ótimas dançarinas.
                Ela sorriu, dando-lhe um tapinha no braço. Gostara de ouvir aquilo, mas pensava ser muito abusado.
                Em poucos segundos, ele se aproximou e lhe deu um beijo. Não um beijo qualquer. O beijo. 
                Sentiu um pouco do ponche envolver sua boca, apesar de não ter sequer provado-o. Mas aquilo era melhor do que qualquer ponche, sabia.
Afastou-se dele, fazendo cara de surpresa. Ele sorriu, e ela balançou a cabeça como se dissesse “garoto mal... eu gosto de garotos assim”.
                E foi assim que se beijaram pela primeira vez. Depois de alguns meses, se casaram e tiveram dois filhos.  Filhos maravilhosos e amados.
                Mas, mesmo depois de anos, quando o beijava, ela lembrava do sabor daquele ponche que havia sentido.

2011
                -Qual seu nome!? – gritou ele.
                -O quêêêê!? – berrou ela.
                -Qual seu NOME!? – tentou mais uma vez.
                -O QUÊÊÊ? – falou, colocando as mãos nos ouvidos.
                O som estava tão alto que não entendiam nada.
                -NOME!? – berrou mais uma vez ele, já impaciente.
                -NOM...? Ah, esquece isso! – disse ela, beijando-o com facilidade (a mesma facilidade que tivera com os outros) e pegando-o pelo braço. – Vamo logo pro quarto.
                E foi assim que eles deram seu primeiro beijo. E, na mesma noite, outra coisa. Mas, apesar disso, na manhã seguinte a mulher estava sozinha.
                Sozinha.
                Grávida.
                Sem saber como encontrar o homem.
                Sem saber nem ao menos seu nome.
                E, mesmo depois de tantos anos, ela ainda lembra o sabor quer sentiu ao acordar na manhã seguinte.
                Algo como... raiva. Muita, muita, mas muita raiva.

Nota da autora
                Alguém muito importante me disse, esses dias, que os valores mudaram. Hoje, se ama de uma hora para outra, e se odeia mais rápido ainda. Concordo plenamente. Acho que o significado do amor foi alterado.
                Não que não haja mais amor. Não é isso.
                É só que... o sabor mudou.

                By Babi

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Campainha Tocou

                E a campainha tocou.
                Logo, foi aquela correria. Não podia deixar seu irmão menor, Bruno, chegar à porta antes. Só Deus sabe o escândalo que iria fazer ao ver quem era a visita. Mas tudo bem, ele devia estar no quarto, jogando algum game bastante violento.
                Mas também tinha de ser mais rápida que a mãe. Esta que devia estar na cozinha, fazendo algum tipo de quitute, algo assim. Se não achasse logo o chinelo, temia que ela abrisse a porta, já que a cozinha ficava ao lado do hall de entrada.
                Buscou os chinelos, mas só achou um pé. O outro devia estar embaixo de algum móvel qualquer, mas não havia tempo para procurá-lo. Logo, abriu a sapateira e pegou uma sapatilha que estava “na mão”. Calçou, indo em direção à porta do próprio quarto.
                Logo que pegou a maçaneta, percebeu que estava malvestida demais. Aquela blusa mostrava a barriguinha, e a calça, que uma vez fora jeans, agora parecia mais uma bermuda de pedreiro.
                Correu para o guarda-roupa. Abriu a porta, pegou uma camiseta e vestiu, mas percebeu que estava furada. Pegou então um vestidinho, tirou a camiseta e o vestiu, mas este parecia chique demais para o ambiente “casual” que queria demonstrar.
                Pensou na demora que estava tendo. A mãe provavelmente já havia aberto a porta, caso contrário, a campainha tocaria novamente.
                Achou um shorts nem muito curto, nem muito longo. Vesti-o, assim que se livrou do vestido. Depois, achou uma regata basiquinha, mas que adorava. Vestiu também. Para completar o visual, foi pegar uma fivelinha de cabelo.
                Tropeçou em alguma coisa. O pé de chinelo perdido.
                Abriu a gaveta, pegou o enfeite e pregou-o no cabelo. Foi correndo para o espelho, olhou-se rapidamente e sorriu. Estava bom.
                Antes de sair do quarto, pegou um gloss que fora jogado no sofá e passou rapidamente pelos lábios, rezando para que não estivesse borrado. Não havia tempo para mais uma checada.
                Desceu as escadas, tentando não ficar ofegante. Sem sucesso, claro.
                Passou pelos cômodos e, ao chegar ao hall, estampou no rosto o maior sorriso que possuía. Era ali, e agora. Esperava aquele toque há horas. Respirou fundo, abriu a porta. Olho para o...
                -Correio, assine aqui. – disse ele, lhe entregando um pacote.
                ...Carteiro!?
Respirou fundo novamente, a decepção incrustada em seus olhos.
Pegou o pacotinho, nem agradeceu, e fechou a porta na cara do sujeito.
O odiava mesmo.
Quem ele pensava que era para lhe dar falsas expectativas?
Foi para seu quarto, rastejando. Sentou-se no sofá, abriu o pacote, e tirou de lá uma carta.
Brenda,
Estarei pensando em você a todo momento. Gostaria de estar aí para poder tocar sua campainha.
Seu, e apenas seu,
Paulo.
Sorriu. Lembrou-se do carteiro e imaginou que poderia dar um beijo nele de tanta felicidade.
O amava mesmo.

Nota da autora
As situações mudam, à medida que se descobre mais sobre elas. O fato é: tudo na vida depende dos olhos de quem vê. E do coração daqueles que sentem.

                By Babi

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nosso Outra Vida

Inspirada depois da "carta" de Babi, resolvi criar o "oposto". Invés do futuro tratarei do passado. Espero que não se importe, Babi.

         Eu estava sentada em algum balanço feito de um pneu velho, meu cabelo curto e ondulado balançando levemente ao vento. Minhas bochechas estavam coradas, não lembro bem se meus olhos estavam molhados. Talvez fosse só a brisa que me fizesse lacrimejar. Ou era mesmo a tristeza, não sei dizer.
         Meu vestido longo era feito de cores pásteis e que combinava claramente com minha pele rosada. Meu cabelo escuro se destacava naquele dia de inverno. Estava muito frio, mas não podia te deixar. Não sem antes me despedir.
          Então, você apareceu. Estava lindo. Vestido com suas roupas simples, mas sempre apresentáveis, seu corpo se movia rapidamente sobre a colina, chegando cada vez mais rápido ao balanço onde eu estava. Seu cabelo, um pouco mais longo desde nosso último encontro, parecia opaco, como seus olhos. Algo havia mudado apesar de você parecer o mesmo.
          "Estou partindo" foi a única coisa que pude lhe dizer.  Observei seus ombros se curvarem, seus olhos procurarem desesperadamente uma mentira nos meus. Mas não havia nenhuma. Eu realmente estava o deixando.
          Não sei quem começou a chorar primeiro. Se foi você, com seus olhos tristes. Ou se fui eu, que um dia imaginei que o adeus não seria tão difícil. "Mas eu te amo" sussurrou meu amado, me puxando para seus braços. Recusei-me a encará-lo com medo de desistir.
          "Essa é minha chance de crescer. Eu preciso ir embora. Não posso ficar aqui. Esse lugar está diminuindo minha vida!" exclamei entre soluços. Sabia que era mentira. Os motivos para estar partindo eram outros.
           Ele nem podia imaginar, mas eu estava deixando a cidade, pois sua vida corria perigo ao meu lado. Pessoas estavam me perseguindo e em pouco tempo, alcançariam-o.
           O silêncio entre nós dois foi desesperador até que decidi me levantar e partir imediatamente. Quanto mais tempo passasse ao seu lado, mais difícil seria deixá-lo. "Não vá. Por favor" gritou meu amado, tentando me alcançar, enquanto meus pés corriam. "Fique. Fique comigo!" sua voz ecoou no local, enquanto a chuva começava a cair.
           Entretanto, não pude sentir as gotas caindo em meu corpo. Apenas uma pontada afiada em minhas costas, um grito de dor. Porém, antes de tudo acabar, pude ver uma imagem me minha mente.
           Uma adolescente de cabelos e olhos escuros ria abraçada ao seu melhor amigo. Ele a olhava com amor. E ela também. Os dois pareciam um casal e, algo me dizia, que um dia seriam.
           Então, minha mente clareou e pude pensar. Um dia nos reencontraremos. Em outros corpos, em outra vida. E tudo acabou. Deixando para trás apenas a menina e seu melhor amigo.

Beijinhos, StarGirlie.

sábado, 26 de novembro de 2011

Eles combinavam

                Li esses dias num blog uma história sobre contos de fadas modernos. Aqueles em que a vilã é a mais popular da escola, a mocinha é a desencaixada, o mocinho é o capitão do time de basquete e, ao final, os pombinhos ficam juntos. Mesmo com tantas diferenças entre si.
                É, e lá vai o balde de água fria: isso não existe.
                O popular fica com a popular. A desencaixada continua sendo desencaixada. E a vilã é sempre vista como a mocinha.
                Então eu vou contar uma outra história, tão familiar para mim.
                Era uma vez uma garota que, apesar de possuir amigos, era desencaixada. Se sentia sozinha, por vezes esquecida em seu próprio mundo de livros e faz de conta.
                Até que ela encontrou alguém. Mas este era, de fato, um garoto popular. Se lembram de que garotas desencaixadas não ficam com garotos populares? Pois é.
                E ela sofreu. Chorou por ele. Fez de tudo para conquistá-lo. Se comparou com as garotas populares e tentou imitá-las. Mas não conseguia, pois seus valores não lhe permitiram tal mudança.
                Mas em um dia, ela acordou. Afinal, não estava tão sozinha assim.
                Tinha amigas.
                Tinha companhia.
                E, se aquele menino que tanto desejara não estava ali, ao seu lado, não era porque ela não o merecia. Ele é que não merecia alguém como aquela garota, que dera o melhor de si por um nada.
                E mais do que isso, a garota conheceu outro alguém. Ele não era um mocinho, como o anterior. Não era tão popular, nem era perfeito.
                Mas ela o amava. Verdadeiramente.
                E por ele, sim, valia a pena lutar. Pois sabia que não era como o antigo. Ele era doce e querido, e, se tudo desse certo, ambos ficariam juntos. Eles combinavam.
                Contanto, se não desse certo, tudo bem. A vida lhe aguardava com muitas outras surpresas.
               By Babi