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domingo, 13 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Final



                Voltei para o lugar onde havia me transformado após voltar ao normal. Meu vestido continuava lá, meio rasgado. Arrumei-o como pude e entrei na festa, que ainda estava fervendo.
                Avistei Luís e Ananda num canto. Resolvi não interromper, eles pareciam felizes abraçados e dançando a música mais brega que eu já escutara. Ananda estava com a maquiagem toda borrada, mas continuava linda.
                Olhei para outro canto e vi Victor sozinho numa mesa. Parecia abatido.
                -Oi. – falei, vendo-o pular assustado.
                -O que você quer??? Não me coma, por favor! – falou ele, com medo nos seus olhos.
                -Relaxe. Só vim pedir desculpas. – sentei-me. – Achei que vocês fossem vampiros de verdade.
                -Vampiros de verdade? – falou ele, confuso. – Isso não existe.
                -Acredite, - respondi. – existem sim. E não são legais.
                Ele me deu um sorriso meio torto, ainda com medo.
                -Acho que vou acreditar, agora que vi uma lobisomem de verdade.
                Dei uma risadinha.
                -Sim. Mas então, se você não queria sugar o sangue da minha melhor amiga, o que queria? – sorri, com uma cara maliciosa. Já havia percebido que ele não era alguém mau.
                -Minha mãe prepara uma surpresa todos os anos. Aquilo já estava preparado, Alana havia concordado em ser a atriz. – ele deu de ombros. - Estávamos filmando, as cenas passavam no salão em tempo real. Achei que você também estivesse interpretando.
                -O quê???? – perguntei, assustada. - Então todos sabem do meu segredo??? E por que ela não me falou nada? – apontei para minha amiga do outro lado da pista.
                -Haha, acalme-se. – falou Victor, menos apavorado. – Fizemos parecer que tudo foi feito com efeitos especiais. E, pense o que quiser, mas essas pessoas acreditaram. Acho que foi mais fácil pra eles do que encarar a verdade. E, como eu disse, era uma surpresa.
                -Ah, - disse. – acho que vou ter que me desculpar com a sua mãe.
                -Não precisa. Ela ligou para seus pais e eles contaram a verdade. Só acho que ainda estou um pouco chocado.
                -Todos ficam. – concordei.
                -Hm, - disse ele. – e pra quantos falsos vampiros você já contou isso?
                Sorri. Ele tinha senso de humor.
                -Contando com você? Hm... – fingi pensar. – Um.
                -E pra quantos você já concedeu uma dança? – perguntou, levantando e estendendo a mão. – Senhorita lobisomem.
                Arqueei as sobrancelhas.
                -Apenas para um também.
                Segurei sua mão e fomos dançar a música brega. Dançamos por boa parte da noite.
                -Está meio tarde. – falei, lá por três da manhã. – Acho melhor chamar a Alana para irmos. – disse, olhando em seus olhos, que de assustadores não tinham mais nada.
                -Acho melhor você não fazer isso. – respondeu Victor, apontando para um lado do salão.
                Vi Alana e Luís beijando-se e dei uma risada.
                -Finalmente. – falei.
                -Eu que digo finalmente. – disse ele, olhando em meus olhos.
                -Você? E você diz finalmente pra q...
                Mas antes que eu acabasse a minha pergunta, Victor me puxou e beijou-me lentamente. Foi perfeito, apaixonado, doce... E o melhor: não tinha gosto de sangue, o que provavelmente aconteceria caso ele fosse um vampiro real.
Depois de minutos, saí da dança e do beijo em que estávamos.  Sentia que algo estava dando muito certo entre nós dois. Ou muito certo.
                -É, acho que posso ficar mais um pouco. – sorri.
                Ele retribuiu o sorriso e voltou a me beijar.
                Talvez nem todos os vampiros fossem tão maus, afinal.

By Babi

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 3



                Tudo bem, talvez eu não tenha me apresentado direito. Meu nome é Valerie. E eu sou uma “lobisomem”. O que, tecnicamente, nem é verdade, porque sou mulher. Mas “lobimulher” é um nome feio demais.
                Senti meu vestido rasgando, enquanto meu corpo aumentava de tamanho. Droga, que vergonha.
                -Val? – disse Alana, parecendo esquecer de todo o resto.
                -V-você é um lobisomem? – perguntou Luís, jogando a panela (que eu ainda não entendia como havia parado na mão dele) no chão.
                Olhei para Valquíria com meu novo olhar aguçado. Seu cheiro era nojento. Mas a parte boa é que ela parecia apavorada.
                -Lobisomens? Lobisomens na minha escola? – falava, enquanto andava para trás.
                -Mas o quê??? – perguntou Victor, levantando e me olhando. – O que é isso??
                Andei até Alana e rasguei as cordas que a prendiam. As minhas já haviam rasgado há minutos.
                Apontei para Luís com meu focinho. Esperava que ela entendesse e, quando correu para ele, se abraçaram. Sorri por dentro, já que ser um lobo não me facilitava tais atos humanos.
                Meus amigos foram mais para trás.
                E o que restava era... Valquíria e Victor.
                Bem, não pensem que só porque eu sou um lobisomem, odeio vampiros. Não é nada disso. É só que ainda não conheci um que fosse do bem e, quando isso acontecer, espero não confundir as coisas e arrancar a cabeça de um inocente. Mas aquele ali estava tentando morder minha amiga, merecia dor.
                De fato, não sou má. Apenas herdei a genética de meu pai e o trabalho da minha mãe. Portanto, sou uma lobisomem que caça vampiros. E lobisomens maus, de vez em quando.
                Mas nunca esperava encontrar dois em minha festa de formatura. Geralmente, os vampiros vinham ao meu encontro. O que me fez achar esses dois bem... Amadores.
                Victor se levantou, ainda atordoado, e correu para os braços de sua mãe.
                Comecei a andar lentamente em sua direção. Estava na hora desses sanguessugas aprenderem a lição.
                Uma única mordida e eles sumiriam no ar, como pó de vidro. Percebi que estavam tremendo, ao contrário dos demais vampiros que eu já enfrentara e que não se entregavam sem guerra.
                Continuei andando. Quanto mais próxima eu ficava, mais os dois pareciam assustados.
                -Não! – disse Victor. – Por favor, não nos machuque. Foi só uma brincadeira! – e começou a chorar.
                Então eu parei.
                Simplesmente parei.
                Algo não fazia sentido. Vampiros, tenho certeza, não choram.
                Olhei para Valquíria e seu filho. Olhei para Luís e Ananda, ainda abraçados e com medo.
                E foi então que Valquíria deixou cair as presas de plástico.
                Comecei a recuar. O que eu estava prestes a fazer?
                Virei-me e sai correndo para longe dali. Quase havia matado dois humanos indefesos.
                Parei em uma árvore e cai no chão. Deveria esperar mais meia hora até que meu corpo voltasse ao normal. Enquanto isso, apenas pensei sobre aquela noite. Havia me revelado para a diretora, seu filho maluco e meus melhores amigos.
                Eu só podia ter ficado louca mesmo.

By Babi

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 2



                A música tocava em alto e bom som. Eletrônica, claro.
                Na multidão, não encontrava o Luís ou a Alana. Na melhor das hipóteses, estavam juntos.
                Decidi ir até o banheiro. Todas aquelas pessoas estavam me dando enjoo.
                Ao abrir a porta, percebi que estava cheio. Mais até do que a pista de dança. Aquele não parecia ser o lugar ideal para clarear as ideias, então fechei a porta e me dirigi para a saída. Quem sabe um pouco de ar fresco não ajudasse?
                Fui aos tropeços até a saída. Quando a temperatura baixa da noite subiu pelo meu corpo, senti-me melhor instantaneamente. Olhei para a lua que me atingia em cheio. Em breve, estaria completamente cheia.
                Decidi ligar mais uma vez para Alana. Estava quase na hora de ir para casa, em meu relógio marcava onze e quinze.
                Digitei o número e coloquei o celular na orelha. Mas, para meu espanto, ouvi um barulho. Seguindo o som, achei o celular da minha melhor amiga jogado no chão, um pouco depois da entrada do buffet.
                Mau sinal. Péssimo sinal.
                Não pensei duas vezes e saí correndo para a lateral do edifício. Era uma construção antiga, rodeada de árvores. Árvores altas e amedrontadoras. Sim, em pleno século XXI.
                Ouvi alguma coisa de dentro da mata. Respirei fundo, tirei os sapatos e lá fui eu. Não iria deixar minha amiga em perigo.
                O barulho foi aumentando à medida que eu adentrava na florestinha. Era quase como um choro.
                -Por favor! – ouvi, quando estava bem perto de encontrar algo. Parei. – Me larga! Não fiz nada!
                -Não, você não fez. – falou outra voz que não reconheci. Mas, no fundo, sabia a quem pertencia. – Mas é necessário, jovem donzela. Nesta noite, completo dezoito anos. E, para o ritual ser completo, preciso sugar o sangue da garota mais bela da noite. No caso, você.
                Ouvi Alana chorar novamente e parei para refletir.
                Sugar sangue?
                Sugar sangue!?
                Sugar SANGUE????
                Então... Havia um vampiro ali! Um vampiro na minha frente. E eu não percebera.
                -Preciso chamar a Valquíria. – sussurrei, quase como um sopro.
                Ouvi passos vindo em minha direção e, tarde demais, virei-me.
                -Não. Ouse. – disse o vampiro. – Eu te escutei. E agora acho que terei de ficar com você como sobremesa.
                Virei-me novamente, encarando a criatura de frente.
                -Victor. – falei. Seus olhos negros me encararam de cima a baixo, enquanto minha interpretação de coragem quase falhava.
                -Você parece saber quem eu sou. – disse ele, com um sorriso na cara. Pude enxergar suas presas. – Mas eu não te conheço.
                Ouvi Alana arfar, como se falasse para que eu corresse. Mas não poderia deixá-la. Não ali, amarrada a uma árvore, prestes a ser mordida.
                -Valerie. – falei. – Valerie Wagnein.
                -Hm. – disse ele, andando de um lado para o outro com a mão no queixo. – Porque seu nome não me é estranho? E ah, a propósito, não precisa avisar para Valquíria. Ela já sabe. Mamãe?
                A diretora do meu colégio saiu de trás de uma árvore. Engoli em seco. Dãããã, como eu não vira antes isso? Agora sim me sentia fracassada.
                -Ah, Valerie. Nunca gostei de você mesmo, acho que seria interessante te sugar. O que acha? – disse ela, agora suas presas estavam para fora.
                Olhei para a lua, sem saber o que fazer.
                -Mas chega de enrolação. Logo vai ser meia-noite e tenho uma humana para atacar– falou Victor. Em um instante, estava sendo amarrada ao lado de Alana.
                Olhei para minha melhor amiga.
                -Desculpe, – falou ela, entre muitas lágrimas. – não acredito que cai na história desse mané.
                -Uhm.
                -Eu fui tão idiota! O que a gente faz agora...
                -Uhm.
                -Você está me ouvindo?
                -Uhm.
                -Sério?
                -Hm? Quê? –falei, finalmente percebendo que Alana não parara de falar. Minha mente estava em outros lugares.
                A lua...
                -Faltam dois minutos. – disse Victor, olhando para sua mãe.
                Dois minutos. Fiz uma oração silenciosa.
                Mais um minuto se passou. Victor se aproximou de Alana, puxando seu pescoço. Minhas mãos começaram a tremer.
                -Agora, você será minha. – ele falou.
                E, quando eu estava quase me contorcendo pregada na árvore, a coisa mais bizarra aconteceu. Mal entendi até que houvesse acabado.
                Victor caiu no chão e, atrás dele, estava Luís, com seus óculos quebrados e seu nariz roxo, segurando uma panela. Uma panela que eu não consegui imaginar de onde saira.
                -Ela. Não. É. Sua. – ele disse, olhando para o vampiro que acabara de nocautear.
                -Meu herói! – berrou Alana, feliz.
                -Seu... Nojentinho! – ouvi Valquíria dizer, com raiva.
                E, em menos de dez segundos, as coisas haviam mudado para mim. Meia-noite.
                Estava na hora da transformação.

By Babi

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 1


                A formatura do ano.
                Pelo menos era isso que estavam dizendo por aí. E eu, secretamente, concordava. Estava muito animada! Na realidade, não que eu tivesse tido muitas formaturas em 2012...
                Mal acabara de alisar o cabelo (minutos depois, já estava enrolado novamente – valeu mesmo, cabelo), quando meu celular vibrou.
                -Val, cadê você? – perguntou Alana.
                -Bem, - falei. – me arrumando, obviamente.
                -Mas falta só meia hora pra essa formatura!
                -Estou quase acabando, calma. – revirei os olhos. Como se eu quisesse ser a primeira a chegar. – Prometo que encontro vocês em quinze minuto aí embaixo.
                -Tudo bem, até. – e desligou.
                Ri sozinha no quarto. Como eram apressados!
                Havia combinado com Alana e Luís, os amigos que moravam no meu prédio, que iríamos juntos para a festa. O pai de Alana nos levaria.
                Acabei de ajeitar o meu cabelo, entrei no vestido longo, como a escola pedira, e amarelo (eu esperava que reforçasse minha cor de pele escura e meus olhos castanhos claros, como a vendedora prometera), calcei meus saltos e lá fui eu para o elevador. Já no hall de entrada, encontrei meus amigos.
                -Uau, - falou Luís. – você está alta.
                Sorri ironicamente. Eu já era alta. Pelo menos, mais do que ele.
                -Uau, - respondi. – como você está engraçado.
                Alana estava num vestido pink que ressaltava ainda mais suas bochechas rosadas. Os olhos azuis se destacavam também com a maquiagem bem feita e o cabelo loiro preso para trás. Em outras palavras, ela estava um arraso.
                -Então seus óculos continuam quebrados? – olhei para Luís, focalizando a remenda no aro bem acima de seu nariz.
                Ele murmurou algo incompreensível. Ainda estava chateado por ter levado um soco. Evidentemente, seu corpo não fora preparado para brigar com garotos BEM maiores do ensino médio. Alana tentara ajuda-lo dizendo que ele tinha sorte pelo soco não ter quebrado as lentes de seus óculos. Mas o nariz de Luís continuava roxo.
                -Vamos? – perguntou Alana, enfatizando sua pressa.
                -Sim, estou pronto, como pode ver. – falou Luís, afrouxando a gravata que parecia sufocá-lo.
                Entramos no carro. O pai de Alana foi, como sempre, cordial. Cordial até demais, eu diria.
                Chegamos ao buffet oito minutos depois. Muita gente já estava lá fora esperando os portões se abrirem, o que eu realmente não esperava.
                Descemos no carro. Logo vi os meninos babando em Alana.
                Todos. Inclusive Luís.
                Puxei-o para um canto.
                -Então, o que vai fazer? – perguntei.
                -Ãh? – falou, confuso. – A respeito de quê?
                -Bem, da Alana, é claro! – falei, meio irritada.
                -Está doida? – perguntou, olhando para os lados. – E se alguém ouvir?
                -Como se ninguém soubesse disso há anos! – falei. – Ano que vem ela vai mudar de escola, acho que essa pode ser sua única oportunidade.
                Luís olhou para baixo. Percebi que ele já havia pensado nisso.
                -EI! GALERA! – escutei Alana gritar para nós. – Vamos entrar!
                Sorri para meu amigo e fomos em direção à entrada. Logo que passamos a porta,  vi que as previsões estavam certas. Aquela seria a melhor festa do ano.
                -Nossa, - falei. – o salão está lindo!
                -SIM! – vi os olhos de Alana brilharem.  Seguramos as mãos uma da outra.
                Jantamos com nossos amigos e, logo que as mesas foram retiradas, a diretora Valquíria pegou o microfone e começou seu pronunciamento. Observei que havia alguém ao seu lado.
                -Boa noite, formandos do terceiro ano do colégio St. Diogo. Gostaria de agradecer a presença de vocês nesta noite. Obrigada. – e desligou.
                Um calafrio percorreu meu corpo. Não gostava da diretora e seus olhos negros. Era como se ela pudesse matar uma criancinha apenas com aquele olhar. Nada bom.
                Mas minha atenção estava em outro lugar. Ao seu lado, estava provavelmente o menino mais bonito que eu já vira. Cabelos negros, pele clara, olhos mais negros do que os da própria Valquíria. Ele não estudava na escola, tinha certeza absoluta. E parecia um pouco mais velho do que nós, também.
                -Quem é aquele? – perguntei a Alana, que parecia observá-lo assim como eu.
                -O filho da Valquíria. Victor, se não me engano. Acho que ele vive com o pai, só o vi uma vez na formatura da minha irmã, há uns três anos.
                Concordei. Valquíria podia parecer má, mas era linda, assim como o garoto. Definitivamente, eles poderiam ser  parentes. A beleza diabólica estava presente em ambos.

By Babi

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Sinopse

Bem galera, então é isso, está surgindo aqui mais uma "minissérie" brasileira. Haha.

Realmente fiz com muito carinho, é uma história curta, mas que dividi em quatro capítulos para que ninguém enjoasse. Lançarei um dia 10, outro dia 11, outro dia 12 e, o último, será no dia 13, obviamente. E à meia-noite, que já tem uma ligação com a história.

Valerie é uma menina normal, cabelo cacheado e escuro (que ela odeia), pele morena, e está terminando o terceiro ano do ensino médio. Ela então vai para a festa de formatura com seus dois melhores amigos: Alana (a super-linda-poderosa-perfeita, Alana) e o Luís, um garoto meio nerd e pequeno que sofre um pouco de bullying até. Mas, ao chegar lá, alguns acontecimentos estranhos fazem com que ela revele seu maior segredo.

Amanhã então, combinado?

Bjs, Babi