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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O grande segredo é revelado!

Após muito mistério, finalmente, posso lhes contar o que havia por trás das tais imagens cheias de segredo que apareceram aqui no Feitiço das Palavras por algum tempo. 
Quase um ano depois do lançamento da novela Sempre Um Começo, nós teremos a chance de reencontrar uma personagem que causou muito tumulto na vida de nossos protagonistas: a falsa e manipuladora Lola.
Porém, dessa vez, ao invés de termos uma nova novela, teremos um spin-off sobre a vilã que usou de todas as suas armas para se vingar de sua melhor amiga, Cecilia.
A minissérie estrelada por Lola terá cinco capítulos e contará a história da garota logo após a formatura em que ela tentou fingir ser a protagonista Ceci. Obviamente, sua farsa não deu certo e a adolescente foi mandada de volta para um manicômio, dessa vez, muito longe de sua casa. Entretanto, seu inferno pessoal se torna sua chance de se redimir quando ela conhece Pedro e decide que recomeçará sua vida. Porém, enquanto esconder seu verdadeiro passado, qualquer recomeço será frágil demais para existir. 

E cá estou, novamente nesse Inferno. Após me pegarem fingindo ser aquela patricinha da Cecília, me trancaram de novo no que chamam de “hospício”. Mas há uma parte boa de estar presa nesse lugar novamente: nenhum dos pacientes sabe por que estou internada. Provavelmente, imaginam que sou esquizofrênica, o que me dá uma chance de ser uma nova pessoa. Talvez eu tenha a chance de construir uma vida aqui. Ninguém nesse Inferno sabe quem realmente sou. Ninguém sabe que sou uma psicopata.

A previsão de lançamento de "A Chance de Lola" é para o dia 22 desse mês. Espero que todos vocês acompanhem! Beijinhos, StarGirlie.

Obs: para entender essa minissérie, não é necessário ter lido Sempre Um Começo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Final



                Voltei para o lugar onde havia me transformado após voltar ao normal. Meu vestido continuava lá, meio rasgado. Arrumei-o como pude e entrei na festa, que ainda estava fervendo.
                Avistei Luís e Ananda num canto. Resolvi não interromper, eles pareciam felizes abraçados e dançando a música mais brega que eu já escutara. Ananda estava com a maquiagem toda borrada, mas continuava linda.
                Olhei para outro canto e vi Victor sozinho numa mesa. Parecia abatido.
                -Oi. – falei, vendo-o pular assustado.
                -O que você quer??? Não me coma, por favor! – falou ele, com medo nos seus olhos.
                -Relaxe. Só vim pedir desculpas. – sentei-me. – Achei que vocês fossem vampiros de verdade.
                -Vampiros de verdade? – falou ele, confuso. – Isso não existe.
                -Acredite, - respondi. – existem sim. E não são legais.
                Ele me deu um sorriso meio torto, ainda com medo.
                -Acho que vou acreditar, agora que vi uma lobisomem de verdade.
                Dei uma risadinha.
                -Sim. Mas então, se você não queria sugar o sangue da minha melhor amiga, o que queria? – sorri, com uma cara maliciosa. Já havia percebido que ele não era alguém mau.
                -Minha mãe prepara uma surpresa todos os anos. Aquilo já estava preparado, Alana havia concordado em ser a atriz. – ele deu de ombros. - Estávamos filmando, as cenas passavam no salão em tempo real. Achei que você também estivesse interpretando.
                -O quê???? – perguntei, assustada. - Então todos sabem do meu segredo??? E por que ela não me falou nada? – apontei para minha amiga do outro lado da pista.
                -Haha, acalme-se. – falou Victor, menos apavorado. – Fizemos parecer que tudo foi feito com efeitos especiais. E, pense o que quiser, mas essas pessoas acreditaram. Acho que foi mais fácil pra eles do que encarar a verdade. E, como eu disse, era uma surpresa.
                -Ah, - disse. – acho que vou ter que me desculpar com a sua mãe.
                -Não precisa. Ela ligou para seus pais e eles contaram a verdade. Só acho que ainda estou um pouco chocado.
                -Todos ficam. – concordei.
                -Hm, - disse ele. – e pra quantos falsos vampiros você já contou isso?
                Sorri. Ele tinha senso de humor.
                -Contando com você? Hm... – fingi pensar. – Um.
                -E pra quantos você já concedeu uma dança? – perguntou, levantando e estendendo a mão. – Senhorita lobisomem.
                Arqueei as sobrancelhas.
                -Apenas para um também.
                Segurei sua mão e fomos dançar a música brega. Dançamos por boa parte da noite.
                -Está meio tarde. – falei, lá por três da manhã. – Acho melhor chamar a Alana para irmos. – disse, olhando em seus olhos, que de assustadores não tinham mais nada.
                -Acho melhor você não fazer isso. – respondeu Victor, apontando para um lado do salão.
                Vi Alana e Luís beijando-se e dei uma risada.
                -Finalmente. – falei.
                -Eu que digo finalmente. – disse ele, olhando em meus olhos.
                -Você? E você diz finalmente pra q...
                Mas antes que eu acabasse a minha pergunta, Victor me puxou e beijou-me lentamente. Foi perfeito, apaixonado, doce... E o melhor: não tinha gosto de sangue, o que provavelmente aconteceria caso ele fosse um vampiro real.
Depois de minutos, saí da dança e do beijo em que estávamos.  Sentia que algo estava dando muito certo entre nós dois. Ou muito certo.
                -É, acho que posso ficar mais um pouco. – sorri.
                Ele retribuiu o sorriso e voltou a me beijar.
                Talvez nem todos os vampiros fossem tão maus, afinal.

By Babi

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 3



                Tudo bem, talvez eu não tenha me apresentado direito. Meu nome é Valerie. E eu sou uma “lobisomem”. O que, tecnicamente, nem é verdade, porque sou mulher. Mas “lobimulher” é um nome feio demais.
                Senti meu vestido rasgando, enquanto meu corpo aumentava de tamanho. Droga, que vergonha.
                -Val? – disse Alana, parecendo esquecer de todo o resto.
                -V-você é um lobisomem? – perguntou Luís, jogando a panela (que eu ainda não entendia como havia parado na mão dele) no chão.
                Olhei para Valquíria com meu novo olhar aguçado. Seu cheiro era nojento. Mas a parte boa é que ela parecia apavorada.
                -Lobisomens? Lobisomens na minha escola? – falava, enquanto andava para trás.
                -Mas o quê??? – perguntou Victor, levantando e me olhando. – O que é isso??
                Andei até Alana e rasguei as cordas que a prendiam. As minhas já haviam rasgado há minutos.
                Apontei para Luís com meu focinho. Esperava que ela entendesse e, quando correu para ele, se abraçaram. Sorri por dentro, já que ser um lobo não me facilitava tais atos humanos.
                Meus amigos foram mais para trás.
                E o que restava era... Valquíria e Victor.
                Bem, não pensem que só porque eu sou um lobisomem, odeio vampiros. Não é nada disso. É só que ainda não conheci um que fosse do bem e, quando isso acontecer, espero não confundir as coisas e arrancar a cabeça de um inocente. Mas aquele ali estava tentando morder minha amiga, merecia dor.
                De fato, não sou má. Apenas herdei a genética de meu pai e o trabalho da minha mãe. Portanto, sou uma lobisomem que caça vampiros. E lobisomens maus, de vez em quando.
                Mas nunca esperava encontrar dois em minha festa de formatura. Geralmente, os vampiros vinham ao meu encontro. O que me fez achar esses dois bem... Amadores.
                Victor se levantou, ainda atordoado, e correu para os braços de sua mãe.
                Comecei a andar lentamente em sua direção. Estava na hora desses sanguessugas aprenderem a lição.
                Uma única mordida e eles sumiriam no ar, como pó de vidro. Percebi que estavam tremendo, ao contrário dos demais vampiros que eu já enfrentara e que não se entregavam sem guerra.
                Continuei andando. Quanto mais próxima eu ficava, mais os dois pareciam assustados.
                -Não! – disse Victor. – Por favor, não nos machuque. Foi só uma brincadeira! – e começou a chorar.
                Então eu parei.
                Simplesmente parei.
                Algo não fazia sentido. Vampiros, tenho certeza, não choram.
                Olhei para Valquíria e seu filho. Olhei para Luís e Ananda, ainda abraçados e com medo.
                E foi então que Valquíria deixou cair as presas de plástico.
                Comecei a recuar. O que eu estava prestes a fazer?
                Virei-me e sai correndo para longe dali. Quase havia matado dois humanos indefesos.
                Parei em uma árvore e cai no chão. Deveria esperar mais meia hora até que meu corpo voltasse ao normal. Enquanto isso, apenas pensei sobre aquela noite. Havia me revelado para a diretora, seu filho maluco e meus melhores amigos.
                Eu só podia ter ficado louca mesmo.

By Babi

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 2



                A música tocava em alto e bom som. Eletrônica, claro.
                Na multidão, não encontrava o Luís ou a Alana. Na melhor das hipóteses, estavam juntos.
                Decidi ir até o banheiro. Todas aquelas pessoas estavam me dando enjoo.
                Ao abrir a porta, percebi que estava cheio. Mais até do que a pista de dança. Aquele não parecia ser o lugar ideal para clarear as ideias, então fechei a porta e me dirigi para a saída. Quem sabe um pouco de ar fresco não ajudasse?
                Fui aos tropeços até a saída. Quando a temperatura baixa da noite subiu pelo meu corpo, senti-me melhor instantaneamente. Olhei para a lua que me atingia em cheio. Em breve, estaria completamente cheia.
                Decidi ligar mais uma vez para Alana. Estava quase na hora de ir para casa, em meu relógio marcava onze e quinze.
                Digitei o número e coloquei o celular na orelha. Mas, para meu espanto, ouvi um barulho. Seguindo o som, achei o celular da minha melhor amiga jogado no chão, um pouco depois da entrada do buffet.
                Mau sinal. Péssimo sinal.
                Não pensei duas vezes e saí correndo para a lateral do edifício. Era uma construção antiga, rodeada de árvores. Árvores altas e amedrontadoras. Sim, em pleno século XXI.
                Ouvi alguma coisa de dentro da mata. Respirei fundo, tirei os sapatos e lá fui eu. Não iria deixar minha amiga em perigo.
                O barulho foi aumentando à medida que eu adentrava na florestinha. Era quase como um choro.
                -Por favor! – ouvi, quando estava bem perto de encontrar algo. Parei. – Me larga! Não fiz nada!
                -Não, você não fez. – falou outra voz que não reconheci. Mas, no fundo, sabia a quem pertencia. – Mas é necessário, jovem donzela. Nesta noite, completo dezoito anos. E, para o ritual ser completo, preciso sugar o sangue da garota mais bela da noite. No caso, você.
                Ouvi Alana chorar novamente e parei para refletir.
                Sugar sangue?
                Sugar sangue!?
                Sugar SANGUE????
                Então... Havia um vampiro ali! Um vampiro na minha frente. E eu não percebera.
                -Preciso chamar a Valquíria. – sussurrei, quase como um sopro.
                Ouvi passos vindo em minha direção e, tarde demais, virei-me.
                -Não. Ouse. – disse o vampiro. – Eu te escutei. E agora acho que terei de ficar com você como sobremesa.
                Virei-me novamente, encarando a criatura de frente.
                -Victor. – falei. Seus olhos negros me encararam de cima a baixo, enquanto minha interpretação de coragem quase falhava.
                -Você parece saber quem eu sou. – disse ele, com um sorriso na cara. Pude enxergar suas presas. – Mas eu não te conheço.
                Ouvi Alana arfar, como se falasse para que eu corresse. Mas não poderia deixá-la. Não ali, amarrada a uma árvore, prestes a ser mordida.
                -Valerie. – falei. – Valerie Wagnein.
                -Hm. – disse ele, andando de um lado para o outro com a mão no queixo. – Porque seu nome não me é estranho? E ah, a propósito, não precisa avisar para Valquíria. Ela já sabe. Mamãe?
                A diretora do meu colégio saiu de trás de uma árvore. Engoli em seco. Dãããã, como eu não vira antes isso? Agora sim me sentia fracassada.
                -Ah, Valerie. Nunca gostei de você mesmo, acho que seria interessante te sugar. O que acha? – disse ela, agora suas presas estavam para fora.
                Olhei para a lua, sem saber o que fazer.
                -Mas chega de enrolação. Logo vai ser meia-noite e tenho uma humana para atacar– falou Victor. Em um instante, estava sendo amarrada ao lado de Alana.
                Olhei para minha melhor amiga.
                -Desculpe, – falou ela, entre muitas lágrimas. – não acredito que cai na história desse mané.
                -Uhm.
                -Eu fui tão idiota! O que a gente faz agora...
                -Uhm.
                -Você está me ouvindo?
                -Uhm.
                -Sério?
                -Hm? Quê? –falei, finalmente percebendo que Alana não parara de falar. Minha mente estava em outros lugares.
                A lua...
                -Faltam dois minutos. – disse Victor, olhando para sua mãe.
                Dois minutos. Fiz uma oração silenciosa.
                Mais um minuto se passou. Victor se aproximou de Alana, puxando seu pescoço. Minhas mãos começaram a tremer.
                -Agora, você será minha. – ele falou.
                E, quando eu estava quase me contorcendo pregada na árvore, a coisa mais bizarra aconteceu. Mal entendi até que houvesse acabado.
                Victor caiu no chão e, atrás dele, estava Luís, com seus óculos quebrados e seu nariz roxo, segurando uma panela. Uma panela que eu não consegui imaginar de onde saira.
                -Ela. Não. É. Sua. – ele disse, olhando para o vampiro que acabara de nocautear.
                -Meu herói! – berrou Alana, feliz.
                -Seu... Nojentinho! – ouvi Valquíria dizer, com raiva.
                E, em menos de dez segundos, as coisas haviam mudado para mim. Meia-noite.
                Estava na hora da transformação.

By Babi

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Capítulo 1


                A formatura do ano.
                Pelo menos era isso que estavam dizendo por aí. E eu, secretamente, concordava. Estava muito animada! Na realidade, não que eu tivesse tido muitas formaturas em 2012...
                Mal acabara de alisar o cabelo (minutos depois, já estava enrolado novamente – valeu mesmo, cabelo), quando meu celular vibrou.
                -Val, cadê você? – perguntou Alana.
                -Bem, - falei. – me arrumando, obviamente.
                -Mas falta só meia hora pra essa formatura!
                -Estou quase acabando, calma. – revirei os olhos. Como se eu quisesse ser a primeira a chegar. – Prometo que encontro vocês em quinze minuto aí embaixo.
                -Tudo bem, até. – e desligou.
                Ri sozinha no quarto. Como eram apressados!
                Havia combinado com Alana e Luís, os amigos que moravam no meu prédio, que iríamos juntos para a festa. O pai de Alana nos levaria.
                Acabei de ajeitar o meu cabelo, entrei no vestido longo, como a escola pedira, e amarelo (eu esperava que reforçasse minha cor de pele escura e meus olhos castanhos claros, como a vendedora prometera), calcei meus saltos e lá fui eu para o elevador. Já no hall de entrada, encontrei meus amigos.
                -Uau, - falou Luís. – você está alta.
                Sorri ironicamente. Eu já era alta. Pelo menos, mais do que ele.
                -Uau, - respondi. – como você está engraçado.
                Alana estava num vestido pink que ressaltava ainda mais suas bochechas rosadas. Os olhos azuis se destacavam também com a maquiagem bem feita e o cabelo loiro preso para trás. Em outras palavras, ela estava um arraso.
                -Então seus óculos continuam quebrados? – olhei para Luís, focalizando a remenda no aro bem acima de seu nariz.
                Ele murmurou algo incompreensível. Ainda estava chateado por ter levado um soco. Evidentemente, seu corpo não fora preparado para brigar com garotos BEM maiores do ensino médio. Alana tentara ajuda-lo dizendo que ele tinha sorte pelo soco não ter quebrado as lentes de seus óculos. Mas o nariz de Luís continuava roxo.
                -Vamos? – perguntou Alana, enfatizando sua pressa.
                -Sim, estou pronto, como pode ver. – falou Luís, afrouxando a gravata que parecia sufocá-lo.
                Entramos no carro. O pai de Alana foi, como sempre, cordial. Cordial até demais, eu diria.
                Chegamos ao buffet oito minutos depois. Muita gente já estava lá fora esperando os portões se abrirem, o que eu realmente não esperava.
                Descemos no carro. Logo vi os meninos babando em Alana.
                Todos. Inclusive Luís.
                Puxei-o para um canto.
                -Então, o que vai fazer? – perguntei.
                -Ãh? – falou, confuso. – A respeito de quê?
                -Bem, da Alana, é claro! – falei, meio irritada.
                -Está doida? – perguntou, olhando para os lados. – E se alguém ouvir?
                -Como se ninguém soubesse disso há anos! – falei. – Ano que vem ela vai mudar de escola, acho que essa pode ser sua única oportunidade.
                Luís olhou para baixo. Percebi que ele já havia pensado nisso.
                -EI! GALERA! – escutei Alana gritar para nós. – Vamos entrar!
                Sorri para meu amigo e fomos em direção à entrada. Logo que passamos a porta,  vi que as previsões estavam certas. Aquela seria a melhor festa do ano.
                -Nossa, - falei. – o salão está lindo!
                -SIM! – vi os olhos de Alana brilharem.  Seguramos as mãos uma da outra.
                Jantamos com nossos amigos e, logo que as mesas foram retiradas, a diretora Valquíria pegou o microfone e começou seu pronunciamento. Observei que havia alguém ao seu lado.
                -Boa noite, formandos do terceiro ano do colégio St. Diogo. Gostaria de agradecer a presença de vocês nesta noite. Obrigada. – e desligou.
                Um calafrio percorreu meu corpo. Não gostava da diretora e seus olhos negros. Era como se ela pudesse matar uma criancinha apenas com aquele olhar. Nada bom.
                Mas minha atenção estava em outro lugar. Ao seu lado, estava provavelmente o menino mais bonito que eu já vira. Cabelos negros, pele clara, olhos mais negros do que os da própria Valquíria. Ele não estudava na escola, tinha certeza absoluta. E parecia um pouco mais velho do que nós, também.
                -Quem é aquele? – perguntei a Alana, que parecia observá-lo assim como eu.
                -O filho da Valquíria. Victor, se não me engano. Acho que ele vive com o pai, só o vi uma vez na formatura da minha irmã, há uns três anos.
                Concordei. Valquíria podia parecer má, mas era linda, assim como o garoto. Definitivamente, eles poderiam ser  parentes. A beleza diabólica estava presente em ambos.

By Babi

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Formatura do Ano - Sinopse

Bem galera, então é isso, está surgindo aqui mais uma "minissérie" brasileira. Haha.

Realmente fiz com muito carinho, é uma história curta, mas que dividi em quatro capítulos para que ninguém enjoasse. Lançarei um dia 10, outro dia 11, outro dia 12 e, o último, será no dia 13, obviamente. E à meia-noite, que já tem uma ligação com a história.

Valerie é uma menina normal, cabelo cacheado e escuro (que ela odeia), pele morena, e está terminando o terceiro ano do ensino médio. Ela então vai para a festa de formatura com seus dois melhores amigos: Alana (a super-linda-poderosa-perfeita, Alana) e o Luís, um garoto meio nerd e pequeno que sofre um pouco de bullying até. Mas, ao chegar lá, alguns acontecimentos estranhos fazem com que ela revele seu maior segredo.

Amanhã então, combinado?

Bjs, Babi

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 5


E o grande dia chegara. Nem tive tempo de pensar a respeito, e ali estava.
                Paris, Paris. Meu grande sonho.
                Em poucas horas, estaria num avião, decolando rumo aos grandes palcos de Paris. Mas, então, porque não estava animada?
                Marcelo, é claro.
                Minha mãe arrumou todas as malas, colocou num carro e lá fomos nós rumo ao aeroporto.
                O voo seria às duas da tarde. Chegamos ao meio dia, arrumamos tudo e fomos fazer um lanche para compensar o almoço perdido.
                Enquanto comíamos, contei a história do Marcelo para ela. Meio por cima, mas contei.
                Quando acabei, estava chorando novamente.
                -Minha filha, -disse ela, com uma expressão triste nos olhos. Segurou a minha mão. – sinto muito por tudo isso. Mas você deve entender que o Renan é passado, não vale a pena chorar por ele.
                -Mãe, não é por ele mesmo que estou chorando. É por mim, sabe? Por ter sido tão idiota em ficar triste durante esses dois anos por um babaca. Mas estou chorando, principalmente, pelo Marcelo. Eu...
                -Você o ama. – completou minha mãe.
                Concordei.
                -Querida, as coisas não são fáceis. Acho você muito nova para Paris, sei que ainda terá diversas outras oportunidades em sua vida. Mas é seu sonho. E você deve segui-lo.
                Assenti novamente, limpando as lágrimas. Ela estava certa.
                Embarcamos no avião finalmente. E aqui estou, escrevendo isso.
                Em Paris, espero que tudo seja perfeito. Espero dançar, dançar e dançar. Espero esquecer o Renan e, agora, o Marcelo também. Não há como ficarmos juntos, e não vamos ficar.
                É assim que finalizo essa história. Com um aperto no peito e a saudade no coração.
                Fim.

                Lua fechou o computador e olhou pela janela. Iria sentir falta do Brasil, das suas amigas, dos professores, da escola... De Marcelo.
                Esperou por alguns minutos assim, apenas refletindo, até que uma voz surgiu nos alto-falantes dos aviões.
                -Senhores passageiros, sejam bem-vindos ao voo A188-00. Este que vos fala é o comandante, e antes de decolarmos, temos uma mensagem especial para uma passageira.
                Todos acharam aquela frase meio estranha, menos Lua, que estava no seu próprio “mundo da Lua”, pensando no seu passado e segurando o colar mais lindo que já vira. Mas, de repente, uma voz diferente ocupou o espaço dentro daquele avião. Uma voz conhecida por ela.
                -Lua, - disse a voz. – espero que esteja me escutando. Nem acredito que tive essa coragem, mas preciso dizer uma coisa: eu te amo. Sei que é estranho, levando em conta que fui eu que mandei a carta para a companhia de dança, mas eu sentirei sua falta. Não é justo pedir que você fique, porque sei que é seu sonho ir para lá, e nem pedirei. Mas saiba que eu, Marcelo José Prestes, te amo. Vou te esperar o quanto for necessário, até que volte para os meus braços. Sentirei saudades.
                Uma música romântica começou a tocar e Lua estava chorando novamente. Já virara costume. Mas, dessa vez, não era de tristeza. Dessa vez, a garota chorava de amor. Olhou para o lado, e lá estava Marcelo com um buquê de rosas em sua mão, e com um microfone na outra.
                Sem pensar duas vezes, pulou nos braços do menino. Os demais passageiros, emocionados, aplaudiram o casal.
                E eles se beijaram.
                Lua sentiu aquela sensação perfeita novamente e, quando se soltou do garoto que amava, apenas virou para a sua mãe e disse:
                -Mãe, eu não vou mais para Paris. Vou ficar aqui e seguir meu sonho.

                ***

                Sempre devemos seguir nossos sonhos, por mais impossíveis que pareçam. Entretanto, os sonhos mudam, a vida muda. E devemos estar preparados para saber quando um sonho termina e outro começa

                 By Babi

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 4


                Então é isso. Amanhã seria o grande dia.
                Levantei da cama ainda confusa. Não sabia o que devia fazer, não sabia mais de nada. Paris nem passava mais pela minha mente. Tudo no que pensava tinha nome. Marcelo.
                Fui para a escola. Logo que ceguei, não vi Marcelo no seu lugar de rotina, atrás de mim. Mas vi Renan e, estranhamente, ele veio ao meu encontro.
                -Oi. – falou ele.
                -Oi. – respondi, de uma forma ríspida.
                -Lua.
                -Renan.
                -Então... Será que poderíamos conversar na hora do recreio?
                Pensei por um momento. Não tinha nada a perder.
                -Sim, podemos.
                -Tudo bem então. – ele se virou, mas voltou-se por um segundo. –E, Lua, você está muito bonita.
                O garoto saiu andando, mas não me preocupava mais com isso. Marcelo não fora para a escola. Isso sim me deixava aflita.
                Talvez ele não tivesse gostado do beijo. Talvez não gostasse de mim dessa forma e eu confundira as coisas. Talvez só eu tivesse sentido aquilo. Talvez eu o tivesse agarrado e, na minha mente, ele também me beijara. Só sabia que havia algo errado e eu perdera meu amigo.
                Na hora do recreio, Renan me puxou para um canto qualquer.
                -Lua, preciso falar com você.
                -Bem, então fale.
                -É sobre Paris. Não quero que vá.
                Olhei-o nos olhos por um instante.
                -Ok, onde estão as câmeras? É uma pegadinha, não é?
                Um segundo depois, percebi que ele estava falando sério. E ri.
                Ri mesmo. Ri muito. Ali, na cara dele. Desistir de ir para Paris... Por ele? Ah, claro. Talvez alguns dias antes, mas no momento, nem pensar.
                Ele parecia confuso, e tentou se aproximar, já de olhos fechados.
                -O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO? – berrei.
                -Lua, eu te amo! Sempre te amei, você sabe disso! E, agora que está partindo, percebi o quanto preciso de você aqui, o quanto te quero aqui. Vamos fazer dar certo.
                -Você podia ter pensado nisso antes. – falei, curta e grossa. – Antes de me trair.         
                  Virei as costas e não olhei mais para ele. Nunca mais. 

                 By Babi

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 3


                 Outra manhã.  Dois dias para a grande viagem.
                Logo que cheguei à escola, vi o Marcelo e sacudi minha mão para ele, apontando para o colar em meu pescoço. Ele sorriu.
                Sentei no meu lugar.
                -Minha mãe achou lindo! – disse, pulando até mesmo o “oi” habitual.
                -Haha, fico contente então. O que vai fazer hoje de tarde?
                Pensei por um momento. As malas já estavam praticamente prontas (minha mãe é viciada em arrumação). As aulas de dança já haviam acabado há alguns dias. As provas finais haviam sido na semana passada. Na realidade, não havia muita coisa a ser feita.
                -Acho que o que tenho de mais interessante pra hoje é levar o Smudge para passear.
                O garoto pensou por um momento.
                -Qual a raça do seu cãozinho?
                -É um Lhasa Apso. Por quê?
                -Eu tenho uma Sharpei. Será que eles passeariam juntos?
                Sorri com a ideia.
                -Acho que teremos de conferir essa tarde.
                A professora entrou na sala dando berros. Pelo jeito ela já havia corrigido as provas. Virei-me para frente e disse que depois conversaríamos mais.
                A aula passou mais rápido do que no dia anterior, tenho que admitir. O Renan faltara (mas, por incrível que pareça, só percebi isso na terceira aula), e tivemos uma dinâmica em grupo na classe de sociologia.
                De tarde, às 16 horas, o Marcelo veio me buscar em casa para passearmos com nossos cachorros.
                Logo que ele chegou, percebi que as dúvidas sobre se os nossos cachorros se dariam bem estavam acabadas. De cara, eles se amaram.
                -Qual é o nome dela? – perguntei após dar um abraço no meu novo amigo, que estava de cabelo molhado assim como eu, e ir fazer carinho na cadelinha.
                -Pâm.
                -Só Pâm? – disse, enquanto levantava e segurava mais forte na coleirinha do Smudge, que estava louco pela nova amiga.
                -Por que “só”?
                -Bem, - falei, já começando a andar ao lado de Marcelo. – são apenas três letras.
                -Mas existem nomes de pessoas com apenas três letras, não existem?
                Dei risada. Ele estava certo, certíssimo. Meu nome mesmo era prova disso.
                -Touche.
                Caminhamos por algum tempinho em silêncio, acompanhando os cachorrinhos que pareciam em êxtase.
                -Acho que você é a primeira amiga que faço naquela escola. – disse rápido, mudando completamente o assunto. – Quer dizer, se for minha amiga.
                Torci o nariz como sempre fazia quando algo me deixava confusa.
                -Espera, mas você estuda lá faz tempo, não estuda?
                -Sim. – disse, mais cabisbaixo. – Quatro anos. Mas não tenho muitos amigos, acho que sou meio diferente, deve ser por isso.
                -Defina “diferente”. – falei, pensando sobre o que ele dissera.
                -Quer dizer, sou meio tímido. Tiro boas notas (o que, na verdade, acontece porque não tenho muito a fazer em casa), não jogo futebol, não gosto de sair e beber, nem curto ir a festas. Praticamente não falo também.
                Concordei. Não havia porque discordar, era a verdade. Tão verdade, que eu só sabia seu nome por causa de um trabalho em que fizemos juntos e eu tivera de escrever os nomes na cartolina.
                Paramos de andar por um momento.
                -Marcelo, - disse. – você é especial. Pelo menos está sendo um amigo muito bom. Vou sentir sua falta em Paris.
                Por um segundo, vi um sorriso em seu rosto. O garoto virou-se para frente novamente e voltamos a andar.
                -Sei que é meio pessoal, mas sempre tive uma dúvida. Posso perguntar? – disse ele, após alguns instantes.
                -Claro, pergunte.
                -Você e o Renan. Porque terminaram?
                Ui, legal. Achou meu calcanhar de Aquiles. E o pior é que eu não sabia como responder àquela pergunta.
                -Sinceramente? Eu não sei. – respondi. – Quer dizer, na teoria eu sei sim. Eu não tinha muito tempo para ele por causa da escola e da dança. Mas havíamos feito tantas promessas. Em um dia ele disse que superaríamos tudo isso juntos, que não iríamos nos separar porque nos amávamos... E, na semana seguinte, disse que estava cansado da minha falta de tempo e que nem o amor que sentia podia superar isso. Na prática, a desculpa não fez muito sentido para mim.
                Marcelo parou e ficou ali, até que olhou no meu rosto. Lágrimas já estavam quase descendo pela minha face em relembrar de tudo aquilo. Percebi que nunca dissera aquilo em voz alta, que sempre tentara me enganar dizendo que fora a falta de tempo que nos fizera terminar, quando, no fundo, eu sabia que não podia ser isso.
-Lua? – falou Marcelo, erguendo meu rosto enquanto uma lágrima descia. Não queria que ele me visse chorar. – Foi isso que ele disse a você?
                Naquele instante, fiquei um pouco confusa. A maneira que Marcelo fizera aquela pergunta... Parecia até mesmo que ele sabia mais do que eu. Quando olhei em seus olhos, percebi que estava certa.
                -Sim, foi o que ele me disse. – respondi, sem entender muito bem o que estava acontecendo.
                -E você acredita nisso? – falou, novamente me surpreendendo. Estávamos em uma ponte que passava em cima de um pequeno laguinho, e ali havia um banco. Sentei, tentando pensar.
                -Sim. Bem, na realidade não sei. Sinto que há algo a mais. Por que, o que você sabe? – perguntei, soltando tudo de uma vez. Até as lágrimas pararam de ameaçar cair.
                Marcelo sentou-se ao meu lado. Ambos ainda segurávamos nossos cachorros.
                -Lua, eu acho que sei por que ele quis terminar.
                Segurei a respiração.
                -Sabe?
                -Talvez eu saiba, talvez esteja pensando errado. Mas,na semana em que vocês se separaram, aconteceu algo.
                Olhei em seus olhos, esperando que continuasse.
                -Aconteceu uma festa. Por incrível que pareça, eu fui. Era uma festa na casa de uma amiga da minha família, fui meio obrigado a ir. Lembro que cheguei à casa e o Renan também estava lá. Claro, ele não me percebeu. Mas, em certo momento, o vi com uma garota que nunca vira antes. – ele parou por um segundo, como se tivesse medo de continuar.
                -Com... Uma garota? Poderia ser a irmã dele, ou uma prima, ou...
                -Lua... Eles estavam se beijando.
                E aquela informação foi demais para mim. Já fazia dois anos, eu sei, mas a sensação de traição veio com tudo.
                As lágrimas começaram a rolar, eu estava desolada como há tempos não ficava. Marcelo não sabia muito bem o que fazer naquele momento, mas colocou a minha cabeça em seu peito e ficou ali, me abraçando.
                -Lua, acalme-se, já faz tempo.
                -E-eu s-se-sei. – dizia, sem conseguir proferir palavras direito.
                Depois de alguns minutos assim, parei de chorar e me acalmei. Marcelo estava certo, já fazia muito tempo.
                Levantei da camisa encharcada dele.
                -No-nossa, desculpa por isso. Desculpa por chorar.
                Ele balançou a cabeça negativamente.
                -Ei, não fale isso. Amigos são pra essas coisas, não são?
                Eu, de repente, fui fisgada por seus olhos. O azul escuro deles me acalmou por alguns instantes.
                Renan fora um babaca. Talvez não tenha aguentado o peso da traição e terminara comigo, mas, de qualquer jeito, um babaca. Deixara-me pensar, esse tempo todo, que o problema fosse comigo.
                Mas, naquele instante, o Renan não importava. Nossa história juntos não importava.
                Tudo que eu enxergava, ali, na minha frente, eram os olhos mais lindos que já vira.
                O azul deles, tão forte quanto o mar, transportava tranquilidade. E eu senti algo estranho dentro de mim, algo que não sentia há muito tempo de verdade.
                O garoto segurou em minhas mãos. Minha cara inchada devia estar um nojo, sem contar que ainda estava totalmente molhada de tantas lágrimas, mas nada mais importava.
                Somente aqueles olhos.
                Tenho certeza de que ele sentiu a mesma coisa, pois começou a se aproximar. E eu só queria ver aqueles olhos mais de perto, senti-los em mim.
                Estávamos a milímetros de distância quando eu não precisei mais vê-los. Sabia que estariam cravados em mim por muito tempo.
                Fechei meus olhos e nossas bocas se uniram. Foi um beijo rápido, salgado pelas lágrimas do meu rosto, mas perfeito. Nunca havia sentido algo assim antes, tinha certeza. Tudo em meu corpo sorria.
                Ficamos com os lábios pressionados, até que ouvi um latido e fui para trás, rapidamente.
                Marcelo levantou de supetão, mais vermelho impossível.
                -Talvez... – eu disse, confusa. – Talvez seja melhor voltarmos.
                -Sim, voltarmos.
                Voltamos para casa sem tocar no assunto. Conversamos sobre outras coisas, mas, a todo o momento, a sensação calorosa e perfeita daquele beijo voltava até mim e eu não sabia mais como ignorá-la.
                Despedimos-nos como dois amigos e eu fui para casa, bem mais calma. Contanto, durante aquela noite, não foi a traição de Renan que invadiu meus pensamentos. Tudo que vinha até mim era o fato de que eu havia gostado de beijar Marcelo.
                E talvez estivesse me apaixonando novamente.

               By Babi 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Oui, Oui, Paris - Capítulo 2


E mais um dia nascia. Um dos últimos na escola, porque, dentro de três dias, eu iria para Paris.
Cheguei à minha sala e, quando entrei, recebi uma salva de palmas. Claro, virei um pimentão de tão vermelha, mas, no fundo, estava adorando.
Minhas amigas vieram me parabenizar. Todas pareciam tão contentes quanto eu.
-Então você vai mesmo, amiga! – abraçou-me Carla.
-Finalmente, se deu bem, garota. – disse Lúcia enquanto dava risada.
-Vamos sentir sua falta! – já choramingou Olívia, com lágrimas nos olhos.
Eu apenas concordava, sabendo que seria difícil deixá-las, mas que continuaríamos a nossa amizade para sempre.
A aula começou e eu sentei na carteira de sempre. De lá, também tinha uma visão privilegiada da sala. Mas, apesar de poder ver muitas pessoas de onde estava sentada, só tinha olhos para o Renan.
E aí começamos uma nova história, que pretendo resumir, se possível.
Renan e eu éramos amigos quando pequenos. Mas deixemos bem claro que, naquela época, eu não o via como nada além de um AMIGO, até porque ele era feio que doía. Quando meu pai morreu, o dele estava saindo de casa e se divorciando da sua mãe, então sofremos a perda dos pais juntos.
Crescemos e, na quinta-série, nos afastamos. Ele era um menino, e percebeu que, talvez, ficar perto da menina quieta e meio feinha não iria ajudá-lo em nada. E eu, uma menina, estava na época em que achava os meninos nojentos e suados.
A verdade é que eles são nojentos e suados até hoje.
Contanto, na sétima série acabamos por nos aproximar novamente. A professora nos deu milhares de trabalhos de fim de ano e fizemos praticamente todos juntos.
Casa de um vai, casa de outro vem e acabamos ficando amigos MESMO. Na realidade, um pouco mais do que amigos.
Saíamos juntos nas férias por quase todos os dias, seja pra ir para a praia e andar, ou apostar uma corrida de bicicleta. E então, o amor nasceu.
Sim, clichê, mas real. Eu, alta, branquela, magra, com cabelos castanhos no ombro e totalmente sem graça, e ele moreno, olhos castanhos clarinhos, da minha altura ou alguns centímetros a menos, bronzeado da cor do pecado e lindo, LINDO!, de morrer.
Éramos um casal horrível, tenho de admitir.
Contanto, passamos férias perfeitas. Tudo parecia perfeito, tudo estava perfeito. E ficamos assim por uns três meses, até que as aulas voltaram.
Com elas, acabei ficando muito sobrecarregada. As aulas de dança, diárias, tomavam todo o meu tempo. Nos finais de semana, era obrigada a estudar. E o namoro foi indo por água abaixo. Certo dia, tivemos uma briga feia, e foi aí que tudo terminou mesmo.
E o pior: além de perder meu namorado, perdi meu melhor amigo.
Dois anos acabaram passando. Até tive outros dois namorados, mas nenhum deles especial, pelo menos para mim. E, nesse meio tempo, o Renan já deve ter tido umas 19 namoradas. Não que eu tenha contado.
Nossa história foi essa. Pra ele, acabou naquele dia, mas ainda sofro as mágoas de tê-lo amado até hoje.
A única coisa boa nessa história foi que, quando terminamos, eu simplesmente fiz de tudo para ocupar minha cabeça. Dancei mais do que nunca, aprendi técnicas novas e ouvi histórias sobre grandes dançarinas francesas e inglesas. Botei a cabeça nos livros sobre ballet, nas vidas de pessoas importantes e acabei até melhorando em português na escola. Por fim, decidi que seria uma grande bailarina.
Uma grande bailarina parisiense.
Meus pensamentos voltaram para o momento atual como um baque quando percebi que alguém estava me cutucando.
-O que foi, Marcelo? – perguntei baixinho, para o garoto atrás de mim.
Ele apenas empurrou-me um bilhete. Eu o peguei e abri.
“Piscina das Juqueiras. – 15:00”.
Quase tive um infarto. Não pelo que estava escrito, mas pela letra que eu muito bem conhecia. Renan.
Olhei para o menino, tendo certeza de que o bilhete era dele. Na Piscina das Juqueiras (uma lago perto da escola, na realidade), fora onde tivemos nosso primeiro beijo. E, aquela letra... Já havia recebido bilhetes que guardava até hoje das mesmas mãos que haviam escrito naquele papelzinho.
A manhã passou lentamente. Fui para casa, almocei e depois peguei minha bicicleta. Lá fui eu para a Piscina das Juqueiras.
Cheguei no local marcado às três em ponto. Sentei num tronco de árvore, o mesmo que guardava muitas recordações, e esperei enquanto não via o Renan em lugar algum.
Comecei a pensar no que podia acontecer, enquanto ele não chegava.
Talvez viesse e se declarasse para mim. Dissesse que nunca havia esquecido nosso amor, que agora estava arrependido e queria que eu ficasse no Brasil ao lado dele.
Talvez me beijasse com lágrimas nos olhos, sussurrando que estava com medo do “adeus”.
Talvez tivesse sido ele mesmo que mandara aquela carta para Paris. Estava arrependido e queria que eu fosse feliz! Talvez? Não! Com certeza fora ele!
Esperei mais dois minutos com um sorriso no rosto. O Renan ainda me amava, e queria o meu bem.
Mas, para meu espanto, não foi o Renan que se sentou ao meu lado.
Foi o Marcelo.
Tudo bem, o Marcelo não é de jogar fora. Inteligente, moreno assim como eu, olhos azuis escuros, cabelo cacheado meio bagunçadinho, maior do que eu e com cara de praiano. Mas não era quem eu esperava.
-Marcelo!?
-Oi Lua.
-O que você tá fazendo aqui?
-Bem, eu te chamei aqui, não foi?
-Sim, mas então... – não sabia nem o que dizer naquele momento. A surpresa ainda estava grande. – Porque me chamou?
-Bem, sei que você vai embora, e então eu queria apenas me despedir.
-E precisava me chamar aqui?
Ele ficou quieto por um momento.
-Eu... Não sei. – baixou a cabeça, percebendo o desapontamento em minha voz. – Trouxe algo pra você.
Percebi então que, em suas mãos, havia uma caixinha pequena. Ele a estendeu para mim, ainda não olhando em meus olhos.
Peguei-a e a abri. Dentro, havia um colar brilhante com sapatinhos de ballet. Sorri.
-Marcelo! São lindos!
Pulei em seu pescoço num abraço apertado. Eram realmente perfeitos.
Soltei-me do abraço após alguns segundos. O garoto estava vermelho.
-Ah, fico feliz que tenha gostado.
-Eu amei, de verdade! – disse, feliz. Não queria que ele pensasse que eu era má agradecida, e realmente havia amado o presente. – Mas agora preciso ir para casa, tem muita coisa pra ajeitar.
-Imagino. – sorriu. – Posso ir com você? Quer dizer, não pra sua casa. – falou, sem graça novamente. – Moro perto de você. Podemos ir juntos? Não juntos, bem, você entendeu.
                Ri da forma atrapalhada do garoto.
                -Tudo bem, vamos sim.
                Subi na bicicleta e fomos até a minha casa conversando. Talvez eu tenha interpretado mal as coisas. O Marcelo parecia alguém realmente muito legal, e parecia preocupado comigo. Queria saber coisas da viagem, sobre se eu estava feliz e se havia gostado da oportunidade.
                Chegamos na minha casa primeiro, nos despedimos e eu entrei. Parece que estava começando a fazer um amigo que, há menos de um dia, considerara “quieto e tímido”. Não que ele não fosse, mas, aos poucos, foi se soltando.
                Incrível como as coisas acontecem nos momentos errados.

                By Babi