terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sonho nas Estrelas - Capítulo 3

Dia 17 de janeiro de 2012

“Canceriano (a),
Hoje o dia reserva surpresas! Não tenha medo de arriscar, pois seu dia é de sorte. Por mais que tempestades venham a surgir, sempre vai ter alguém com um guarda-chuva para lhe emprestar. Cor: rosa. Número: 02.”

                Acordei com uma mensagem de “bom dia”, vinda do João. Olhei para fora e vi que estava chovendo, então não poderia ir para praia. Apesar disso, o calor continuava.
                Também percebi que meu nariz estava entupido, e comecei a achar que aquele dia seria muito chato.
                Li meu horóscopo, tomei café da manhã, coloquei um vestidinho rosa (o meu favorito) e fiz uma trança no cabelo. Não havia mais nada para fazer.
                Brinquei de Cara a Cara com o Rafael e enjoei depois de cinco minutos. Eram quase onze da manhã quando outra mensagem chegou:
                “O q vai fazer hj? Não dá pra vir aqui? Tem salão de jogos J João”
                Perguntei para os meus pais se podia ir e disse que, se eles quisessem, poderiam ir comigo. Eles não fizeram questão, me deixaram ir sem demoras (te amo, mãe – te amo, pai).
                Cheguei e o porteiro me mandou subir. Logo veio uma moça loira muito bonita e simpática abrir a porta, se apresentando como Dora, a irmã do João.
                O apartamento era pequeno, só para passar as férias mesmo. João apareceu com o cabelo molhado, e disse que tinha acordado cedo para surfar.
                Fomos então para o salão de jogos, que ficava no primeiro andar. João disse que adoraria me mostrar o parquinho, mas que estava chovendo e isso não seria muito bom para mim, que já estava com o nariz trancado (ele percebeu também).
                Lá no salão de jogos, conheci o Vitor (que tinha 17 anos e morava na capital também – anotando para Wanessa), o Paulinho (que era um ano mais novo que eu) e a Jaque (que tinha 14 e era um amor de pessoa, além de ser muito linda).
                Jogamos ping-pong (que eu por acaso sou péssima, mas me diverti do mesmo jeito), sinuca, uns jogos de tabuleiro e futebol de botão. Depois, sentamos em uma roda e ficamos conversando.
                Meus pais me ligaram lá por uma da tarde querendo saber se eu voltaria para almoçar e se estava me divertindo. Disse que almoçaria na casa da Jaque, que tinha convidado todos nós, e que estava me divertindo muito, o que era verdade.
                Voltei para a conversa, mas logo que cheguei percebi que algo estava errado. Perguntei o que estava acontecendo, e o João lançou um olhar reprovador para o Paulinho, quando o  mesmo fez menção de abrir a boca.
                Em poucos minutos, estávamos novamente entretidos na conversa.
                Depois de mais uma hora, a mãe da Jaque, dona Suzana, nos chamou para o almoço. Como a Jaque e sua família eram do Rio Grande, a comida tinha um gosto bem diferente, mas não deixava de ser deliciosa.
                Contei pra dona Suzana (os pais da Jaque são separados, então ela só estava com a mãe em Iguape) que morara durante um ano e meio no Rio Grande, mas que isso acontecera quando eu era pequena por causa do trabalho do meu pai.
                Ingressamos num conversa sobre profissões e eu mais uma vez contei minha vontade de ser veterinária.
                Me diverti muito, e ao final do dia, o sol quase se pondo, após uma rodada de Panetone caseiro, Paulinho, Jaque e o Vitor tiveram de ir para casa jantar com os pais, deixando-me sozinha com o João no salão de jogos.
                -Então? – disse ele, sentando-se ao meu lado no sofá. – Gostou do pessoal?
                -Muito legais, amei conhecer todos eles! – disse mega animada.
                Um minuto de silencio se passou, e eu acabei bocejando.
                -Já está com sono?
                -E com frio. – disse, completando-o.
                Antes que eu pudesse fazer qualquer outra coisa, ele passou o braço por meus ombros, me fazendo deitar nos seus.
                Aquilo me deu um frio na barriga enorme.
                Fiquei ali, mas, apesar de estar quentinho, me sentia desconfortável. Não gostava da ideia de estar sozinha com ele ali, mesmo sabendo que ele não era exatamente “perigoso”.
                -João, acho que preciso ir...
                Na hora em que virei meu rosto para dizer que meus pais podiam estar preocupados, nossos narizes se tocaram. Fui para trás, já pedindo desculpas, mas quando eu fiz isso, ele sorriu, me deixando mais uma vez paralisada.
                Ele era incrível. Ele era fofo comigo. Ele era tudo que eu sempre sonhara.
                Então porque aquelas malditas borboletas no estômago não me deixavam em paz?
                -João, sério, eu preciso...
                Mas ele foi mais rápido e me deu um selinho.
                -Vem cá. – disse ele, levantando e me puxando com a mão, como se nada tivesse acontecido. Eu continuava paralisada.
                Ele abriu a porta da sala de jogos que dava para o lado de fora, mostrando um lindo parquinho iluminado pelos últimos raios do sol.
                Várias luzes estavam acesas acima do gramado, mostrando roseiras lindas em um lado do parquinho, onde havia um banco.
                A chuva continuava a cair, então João me mandou esperar. Foi falar algo com o sindico e voltou com um guarda-chuva. 
                Sem dizer nada, abriu-o, puxou-me pelo braço e fomos para onde ficava o banco, que estava molhado.
                Ficamos de pé ali, unidos fugindo da chuva debaixo daquele guarda-chuva.
                Ele tirou meu cabelo dos olhos. Pisquei fortemente e suspirei. Estava mais nervosa do que nunca estivera em toda minha vida.
                Ele se aproximou, sorrindo. E, quando nossos lábios estavam separados por milímetros, fechei os olhos.
                Nos beijamos. Não vou dizer que foi perfeito, porque na verdade foi bastante estranho e babado. Em segundos, o guarda-chuva que estava em sua mão havia sumido e as gotas da chuva molhavam nosso beijo.
                Depois de alguns segundos, me separei, com o coração a mil.
                Ele sorriu e eu retribui o sorriso.
                -Vamos sair dessa chuva. – disse ele.
                Logo que entramos novamente no salão de jogos, o meu celular tocou. Atendi, era minha mãe. Ela mandou-me voltar para casa antes que a chuva piorasse, e disse que estaria lá em menos de cinco minutos.
                João me olhou desesperadamente quando desliguei o celular.
                -Vou embora daqui uma hora. – falou ele.
                -Você vai voltar ano que vem? – perguntei, sentindo um nó em minha garganta crescer.
                -Se você voltar, claro que voltarei.
                Eu sorri, sentindo que haviam lágrimas perto de escapar.
                Fomos para o saguão, onde eu o abracei. Ficamos abraçados por um minuto, e achei melhor cortar aquilo logo, pois meus pais estavam me esperando.
                -A gente ainda vai se ver, certo? – perguntou ele.
                -Sim, vamos.
                Ele me agarrou para um ultimo beijo rápido, pois o porteiro estava vendo tudo, e depois abriu a porta. O segundo beijo. Dois, o número da sorte do dia.
                -É um promessa?
                -É sim. – respondi.
                Saí para fora do prédio, e quando estava quase na rua, olhei para trás.
                -João!!?? – berrei, olhando para ele. A chuva quase engolia minha voz.
                -O quê!?
                -Você realizou um dos meus sonhos!!
                -Qual??
                -Beijar na chuva.
                E virei novamente, sabendo que aquele seria sempre um dos melhores verões da minha vida.

                Eu acredito em signos. Acredito no que o horóscopo diz. Mas, muitas vezes, nós mesmos fazemos nossos destinos. Independentemente do que as estrelas mostram, pois nem tudo que reluz é ouro. E nem tudo que brilha é verdadeiro.

                By Babi

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