quarta-feira, 28 de março de 2012

18º Capítulo de Sempre Um Começo

Décimo Oitavo Capítulo
Luisa



                Meu quarto estava totalmente revirado. Depois que finalmente entendi que continuar guardando um monte de coisas que me faziam sofrer não era o caminho certo para a recuperação, cada foto antiga com Aline fora guardada em uma caixa com os dizeres: Lembranças Ruins.
                Eu sabia que nós dois havíamos tido momentos ótimos juntas, mas não conseguia esquecer o quanto Ali se tornara ruim nas últimas semanas. Ela chegara a ameaçar revelar O Caderno, que sempre fora o nosso grande segredo. Aline até escrevera nele também. Mas não havia provas disso é claro.
                Meu celular tocou. Cecilia. Animei-me a atender, já que Ceci estava sendo a melhor amiga que tive em anos. E talvez a única verdadeira. – Oi, Luh! – disse a voz do outro lado do telefone. Apesar de sua voz doce, percebi que algo estava errado. Ela estava escondendo alguma coisa.
                -O que aconteceu? – perguntei, sem nem esperar que o assunto chegasse a ser citado. Havia aprendido que o Destino não está pronto, somos nós que o fazemos. Então, não deixaria nada passar. Se uma amiga minha estivesse com problemas, eu a ajudaria.
                -Nada, só estou um pouco nervosa, sabe? Provas de História, Química e Física no mesmo dia é dose!* - estava nervosa com isso também, mas não adiantava nada se desesperar. Os testes continuariam acontecendo e você só perderia sua concentração.
                Observei os resumos deixados em cima da mesa. Cecilia já me avisara que fizera os dela e que podia me emprestar, mas não custava oferecer os meus também. – Eu sei que você vai super bem, mas não quer os meus resumos? Não são excelentes que nem os seus...
                -Obrigada mesmo, mas não precisa. Acho que uma boa noite de sono irá me acalmar – foi então que me lembrei que ela me ligara. Havia algum motivo. – Ceci, por que você me telefonou?
                Cecilia hesitou. Sim, ela estava me escondendo algo bastante sério. E sentia que aquilo envolvia uma desconfiança desnecessária em mim. Será que o passado sempre me condenaria a ser a bruxa má?
                -Eu... Preciso desligar – e a ligação caiu. Joguei-me na cama e percebi que não importava o quanto eu fugisse das minhas lembranças ruins. Elas sempre me perseguiriam.
                Todas aquelas escolhas que fiz com Aline há tanto tempo me tornaram uma pessoa extremamente desconfiável ao olhar de qualquer um. Eu estava tentando me transformar em alguém melhor, mas ninguém parecia acreditar. Era como se todos vissem o meu passado e não meu futuro.
                Deixei que as lágrimas escorressem, me libertando da dor. Não deixaria mais que ela se acumulasse. Havia sentido na pele, sem trocadilhos, o que era o sofrimento abafado. E não permitiria que minhas mãos me ferissem novamente.
                Queria a atenção de alguma pessoa, mas não adiantava ligar para Cecilia. Ela não me escutaria. Felipe não era o tipo de garoto que sabe como reagir ao sofrimento de uma amiga. Vinicius nunca fora tão próximo ao ponto de se importar realmente com meus sentimentos. Ele queria que eu o amasse e ponto final. Fábio deveria estar se agarrando com Lola uma hora dessas. E bem, Aline estava fora de cogitação.
                Só me sobrava uma pessoa. Felizmente, uma boa pessoa. Disquei o número e esperei que ela atendesse. – Alô? – perguntou a voz já conhecida.
                -Oi, Júlia! Sou eu, a Luisa... – mas a irmã de Felipe nem, ao menos, me deixou terminar. – Sua idiota, estúpida – esses haviam sido apenas alguns dos tantos xingamentos que tive que escutar antes que ela continuasse – Sei que você é apaixonada por meu irmão e que ele não te dá à mínima, mas descontar em mim? Roubar o meu diário?! E ainda com o Felipe?
                -Como assim... – eu não estava entendendo nada. Roubar o diário dela, mas como? Eu não ia à casa do Fe há semanas! Só podia ser um engano.
                -Nunca mais me ligue. Sei que meu diário já foi para os ares, mas eu vou me vingar. Boa sorte, querida – e mais uma pessoa bateu o telefone na minha cara.
                Eu não tinha mais ninguém. Todos desconfiavam de mim. Sempre seria apenas a evil Luh. Uma imagem havia sido construída sobre uma personalidade que não existia mais em minha mente.
                Precisava arranjar um jeito de mostrar que realmente havia mudado, mas não sabia como. Então, apenas afundei-me nos cobertores, indo dormir antes mesmo do pôr-do-sol.
Escrito por StarGirlie.
*Gente, essa é explicação para a minha falta de posts hoje. Como já terei tido essas três provas seguidas quando esse capítulo for publicado, estarei muito cansada e, provavelmente, não entrarei no blog. Desculpem-me.

4 comentários:

  1. Ola.
    Esse capítulo foi mais calmos que os anteriores, Luisa está quase, eu disse QUASE, mudando minha opinião sobre sua "cura". Foi bem interessante ver o lado dela depois do incidente do caderno.
    Abç

    adraftbox.blogspot.com

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    1. Eu estava indecisa em mostrar a perspectiva de Luisa logo agora, mas achei que ela devia voltar o quanto antes. Sendo uma protagonista como Luh é, não se pode fugir do mundo. Beijinhos, StarGirlie.

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  2. Esse capitulo foi beeem legal;)

    http://conectadas2.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada, Rebeca :D Beijinhos, StarGirlie.

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