sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sonho nas Estrelas - Capítulo 1

                Era uma menina animada, de feições alegres e cabelos armados. Gostava de fazer diversas coisas, e era fascinada por horóscopos e estrelas.
                Essa menina, a do horóscopo, tinha um nome. Renata, para ser mais específica. Mas, para mim, essa menina ficou mais conhecida como “você”. Bem, pelo menos é assim que os outros me chamam.
                Agora que já me apresentei, vou contar uma história. Uma história que por sinal já comecei! Mas bem, onde eu estava? Sim, o horóscopo.
                Nasci dia 21 de junho de 1998. Se alguém aí fez alguma conta, descobriu que no momento tenho 13 anos. E, se esse mesmo alguém ainda pesquisou, sou canceriana firme e forte.
                Na descrição do meu signo, constam coisas como: sensível, romântica, meiga... mas também rancorosa e mau humorada. E acho que isso me define bem. Ou, pelo menos, achava.
         
Dia 15 de janeiro de 2012

                 “Canceriano(a),
            Confie em seus amigos para tudo, eles poderão sempre te ajudar. Largue de mágoas, esqueça a tristeza e bola para frente! Você ainda tem muito para curtir. Além disso, depois da ventania, coisas surpreendentes podem acontecer. Cor: laranja. Número: 63.”

                Acordei meio tarde, afinal, estava na praia. Não havia muito o que fazer além de dormir e ir para o mar, então decidi que faria isso mesmo naquele dia. Bem como fizera nas últimas duas semanas.
                Abri minha mala, após ler o horóscopo diário, e tirei de lá meu biquíni laranja – um dos favoritos – já que essa era minha cor para o dia. Não entendi direito o resto do horóscopo, mas não dei muita bola para isso.
                Fui então para a praia, que era logo em frente ao apartamento alugado por meus pais para a temporada. Eles haviam me deixado um bilhete explicando que já estavam lá, com meu irmãozinho Rafael, e que eu poderia ir a hora que quisesse.
                Sim, meus pais são legais. Pelo menos, é o que os outros dizem.
                Passei o protetor solar nas minhas pernas e no rosto logo que pisei na areia da praia e posicionei o guarda-sol. Odiava me queimar, e mesmo com o protetor isso acontecia todo ano. Então, desta vez, caprichei na dose.
                Fiquei um pouco esbranquiçada, mas melhor do que ficar bordô depois do sol.
                Sentei então na cadeira que havia trazido comigo, já debaixo do guarda-sol, e comecei a ler meu livro (Um Dia). Não era uma parte muito interessante, e logo a areia começou a pinicar, fazendo-me parar de ler por algum tempo.
                Olhei ao redor então. A praia estava pouco cheia, geralmente havia mais turistas em Iguape (SP), mas como era quase meio-dia, imaginei que as pessoas teriam voltado para casa para almoçar com a família.
                Continuei ali, mas logo me entediei. Não podia pegar sol, não tinha paciência para ler, não podia sair para andar e deixar minhas coisas ali e, ainda por cima, não estava avistando meus pais em lugar algum.
                Pensei então em dar um mergulho. Vasculhei se na área havia algum salva-vidas, e quando o vi (a menos de um minuto de caminhada), decidi que, com aquele sol de 34 graus, era praticamente um crime não entrar na água refrescante do mar. Além disso, era quase impossível não imaginar como seria me afogar apenas para, você sabe, a respiração boca a boca com aquela coisa linda ambulante.
                Deixei minhas coisas paradas naquele lugar e entrei nas ondas geladas. Fiquei nadando até me acostumar com a temperatura, sempre de olho no guarda-sol e na cadeira de praia.
                Passaram-se dez minutos e comecei a ficar impaciente. A água estava uma delícia, mas estava ficando muito chato ali, sem ninguém para conversar. Já estava quase pronta para sair quando uma onda imensa veio por trás de mim (reparem que eu estava de costas para as profundezas do mar, já que estava cuidando das minhas coisas) e me derrubou com tudo.
                Afundei e vi minha vida passando na frente dos meus olhos.
                Eu ia morrer ali! E nem tinha escrito uma carta de despedida pra Jú, pra Débora, pra Wanessa, pra Carlinha... elas iam morrer sem mim! Fazia tanto tempo que não falava com nenhuma delas, como elas iam saber que eu havia partido???
                E foi nessa hora que eu senti. Não, não era a mão do salva-vidas gostoso. Não, não era a mão do meu príncipe encantado... Era uma ALGA!
                Aquela porcaria grudou no meu pé e não soltava mais. Estava engolindo água e pensando nas poucas e boas que aquele cego do salva-vidas ia ouvir se eu saísse dali com vida. Mas, depois de alguns segundos me debatendo e engolindo água de bunda-de-banhistas-gordos, eu finalmente consegui levantar.
                Primeiro, achei que um bicho estivesse em mim. Depois, percebi que era só meu cabelo na cara, que após tanto rolar, havia virado uma bola de fios. E o pior foi que, quando me ergui, percebi que não estava no fundo.
                Na realidade, a água batia no meu calcanhar. Olhei para os lados e vi algumas pessoas rindo, mas logo pararam com meu olhar 43.
                Desesperada, corri os olhos para o guarda-sol. Mas, para meu espanto, não havia guarda-sol nenhum. Só uma cadeira com um livro e um óculos de sol em cima.
                O que só podia significar uma coisa: EU TINHA SIDO ROUBADA!
                Claro, este foi meu primeiro pensamento. Mas antes que eu pudesse gritar, outra pessoa fez isso. Na verdade, uma velhinha, que estava a uma pequena distância da onde eu olhava, berrou algo como “SOCORRO!”.
                Eu me virei, e deparei-me com o MEU guarda-sol voando em direção a um grupo de senhorinhas. Uma delas era a autora do grito. E eu dava razão pra essa pobre mulher.
                Sai correndo, tentando pegar o guarda-sol, mas não consegui ser rápida o bastante. Corri durante três minutos atrás daquela droga (tinha de me lembrar de nunca mais comprar guarda-sóis na Americanas.com), até que aquilo acertou alguém.
                O garoto que o guarda-sol havia atingido gritou alguma coisa, acho que foi “peguei”, e logo após isso parei de correr, sem fôlego.
                -O-obrigada. – gaguejei, indo de encontro ao menino que acabara de pegar meu querido objeto de adoração.
                -Não há de quê! – disse uma voz por de trás do guarda-sol. Fui ao encontro dela, para segurar no cabo daquele negócio, e simplesmente paralisei.
                P-A-R-A-L-I-S-E-I
                Quem era aquele? Quem era AQUELE? Como não havíamos sido apresentados ANTES? Agradeci muito meu guarda-sol por tudo aquilo.
                Um pouco mais alto que eu. Sem tanquinho, mais com um grande projeto disso. Olhos azuis/verdes (não consegui identificar de primeira) e um cabelo MUITO melhor do que o meu.
                E quando ele sorriu – quando ele SORRIU – eu achei que fosse cair. Achei mesmo. Tipo assim, ele tinha até COVINHAS!!! COVINHAS!!!
                Mas tirando a parte do chilique, ele era mesmo lindo. Não sei como, mas consegui estender minha mão e pegar o cabo do guarda-sol, sentindo que a qualquer momento meus joelhos tremeriam tanto que me fariam voar.
                -Nananinanão. – disse ele, com uma expressão divertida. – Deixa que eu levo isso aqui pra você, senhorita...
                -Não precisa.
                -Senhorita Não Precisa, encantado! – disse ele, zombando da minha resposta. – Meu nome é João, e não é todo dia que se é acertado pelo guarda-sol de uma garota assim. Você tem que me deixar levá-lo.
                Ele fez pose, como se implorasse pra que eu deixasse. Senti ali que ele tivera o mesmo problema que eu nas férias: solidão.
                -Ah... err... obrigada.
                -Pra lá? – ele apontou de onde eu saíra correndo, e eu acenei com a cabeça. O cara era de se perder o ar.
                Fomos andando até onde eu havia deixado minhas coisas, ele colocou de uma forma mais segura meu guarda-sol no chão e se virou para mim.
                -Mas agora me explique, por que seu cabelo está assim?
***
                Conversamos muito, depois disso. Quase fomos atropelados por um cara que vendia sorvetes da Nestlè, e até mesmo catamos conchinhas. Sim, foi uma tarde divertida.
                João tinha 15 anos. Seu irmão mais velho tinha 20, e ele ainda tinha uma outra irmã de 24 que era casada. Ele era de Goiânia.
                Descobrimos que estávamos hospedados em prédios vizinhos e que ambos queríamos ser veterinários. João perguntou meu nome depois de algumas coisas e perguntou também se eu era de Iguape.
                Falei sobre onde morava, São Paulo, capital, e ele me falou sobre seu verão monótono (quase tanto quanto o meu!) na casa dos avós. Rimos dos mini-biquinis das mulheres e das sungas apertadas dos homens.
                Jogamos vôlei e comemos um milho horrível que um homem vendia. Depois disso, quase escurecendo, me despedi e fui para a casa. Levei uma bronca imensa por chegar aquele horário, fui para o meu quarto e liguei para a Débora, contando tudo sobre meu novo “amigo”. Rimos juntas, fazia o maior tempo que não conversávamos.
                Ah, e antes que eu me esqueça, o João é de Peixes. Nasceu dia 06 de março (o que indica meu número 63 do dia, para quem ainda se lembra) e, não querendo insinuar nada, claro, mas Peixes é, tipo assim, o paraíso astral de Câncer, o que pode significar algo... ou não.
                Mas eu acreditava piamente naquilo. Até hoje acredito!
                Demorei para dormir naquela noite, pensando que talvez meu verão não fosse tão ruim assim.
                
By Babi

3 comentários:

  1. Rsrsrsrsrsrs
    Ri bastante com o "acidente" da Renata!!! Isso já aconteceu comigo, e sei o quanto é constrangedor! Ainda bem que superei o trauma e hoje consigo rir disso tudo!! Adorei o primeiro capítulo. Aguardo ansiosamente o próximo!

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  2. Adorei o primeiro capitulo Babi *-*
    Esperando pelo próximo...
    Beijinhos

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