quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

24º Capítulo de O Beijo da Morte

Vigésimo Quarto Capítulo
Lilá




                Acordei me sentindo moída. Virei para o lado de dei de cara com Karl, olhando para meu cabelo com uma expressão engraçada. Fiz um esforço enorme para sorrir.
                -Então, eu não sonhei tudo? – disse, levando a mão até minha gigantesca barriga. Parecia até maior do que estivera no dia anterior.
                -Não. – respondeu Karl, um pouco preocupado.
                -O que foi? – falei, olhando para suas sobrancelhas levemente arqueadas.
                -Você parece péssima.
                Fiz menção de me levantar, mas não consegui me mover. A cada músculo que se mexia, era uma facada em minha barriga.
                -Ai! – gritei, fazendo com que meu namorado pulasse para fora da cama.
                -O quê? – disse ele. – Não se mova! – me alertou.
                -Ai meu Deus! – berrei, praticamente, quando percebi o que estava acontecendo. – Minha bolsa!
                Karl olhou para a cama, onde minha barriga estava. Logo, percebi o desespero em seu olhar.
                -Karl! – berrei, sentindo que algo havia quebrado. – Chame JAMES!
                O garoto correu para o meu lado, segurando minha mão. Não aguentava aquilo, queria James ali, para que pudesse fazer alguma coisa. Ele era o mais perto de um médico que nossa família tinha.
                -J-james não está... – disse Karl, espantado.
                -O QUÊ? – vociferei, sentindo que minhas costelas já estavam moídas. – Tire isso de MIM!
                A gritaria era imensa, e só por isso, achei que James já devia estar ao meu lado. Mas então recordei que ele passara a noite na casa de Bianca. Maravilha.
                -Eu posso ajudar. – disse uma voz tranquila, me fazendo erguer a cabeça o máximo que podia. Até respirar fazia com que eu me sentisse esmagada.
                Era Nate, observei.
                -NÃO! – disse, mas percebi que vê-lo fora um alívio. Apesar de tudo que ele fizera, me recordei que ele se formara em medicina há algum tempo atrás.
                Nate se aproximou.
                -Ela entrou em trabalho de parto. – disse ele para o irmão.
                -O que você faz aqui? – falou Karl, mas ele parecia mais pálido do que um vampiro. Pensei até que ele fosse desmaiar.
                -Vim ajudar, certo? Eu meio que ouvi o drama lá de fora.
                -POR QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO? Tire-a AGORA!– disse, enquanto outro grito rasgava minha garganta. Eu me contorcia, e sentia que um fogo muito ardente queimava-me. A criança queria sair, só não sabia como.
                -Certo. – disse meu namorado, parecendo mais concentrado. – O que eu faço?
                -Primeiro. – respondeu Nate, com tranqüilidade. Aquilo estava me deixando maluca. – Pegue água quente, enquanto eu me livro disso.
                O menino apontou para minha camisola. Karl pareceu assustado demais, mas saiu correndo antes de qualquer coisa. Ele queria me ajudar, mas tudo que eu queria naquele momento era algum ombro para chorar. Ou pelo menos, apoio. Ou morfina, sei lá.
                -Calma. – falou Nate, dessa vez olhando nos meus olhos. – Vai dar tudo certo. Vai ficar tudo bem.
                Acreditei nele. Por meio segundo.
                Senti então que meu bebê se remexia, tão desesperado quanto eu. E ele era forte. Muito forte.
                -Faça a dor PARAR! – disse, alto o bastante para que ele tremesse levemente. – Tire isso de mim!
                Nate concordou. Senti então que ele estava tirando minha roupa, mas não pude ter certeza, já que a dor praticamente me fazia ignorar o resto.
                Logo que senti o tecido sair de mim, comecei a tremer. Estava tecnicamente frio, mas não era isso. Achei que iria morrer, e estava com muito medo.
                Não de morrer, claro. Morrer seria até bom.
                Estava com medo pelo meu bebê. Eu não iria suportar, percebi. Mas o que seria dele, ou dela, sem uma mãe?
                Olhei para Nate, me controlando ao máximo. Ele estava analisando minha barriga, até mesmo em outros lugares, mas precisava falar com ele. Sabia que me escutaria, já que, lembrei, há anos atrás, ele fora um grande amigo.
                -Nate. – disse, suando em bicas. – Me prometa.
                -Prometer o quê? – ele finalmente pareceu assustado.
                -Que cuidará dele. Ou dela, claro.
                -Você não vai morrer, Lilá. Eu juro que não vai. – sua voz sumiu na última frase, com incerteza, mas ainda escutei seu juramento.
                -Nós sabemos que vou.
                Estava me sentindo tão frágil, e a cada palavra, uma lágrima caia. Queria ficar. Queria ver meu bebê. Mas sabia que era impossível.
                Quer dizer, eu praticamente já estava morta.
                -Lembra quando você era menor, e teve medo de subir numa árvore? – disse ele, fazendo com que eu ficasse surpresa. – Lembra que eu prometi te segurar?
                Não respondi. Mas eu lembrava bem daquilo. Ele pareceu perceber.
                -Eu não deixei você cair, deixei? Eu prometo que cuidarei do seu bebê. Sempre cuidarei, Lilá.
                Sorri com a ideia, me desligando um pouco do sofrimento. Doía tanto, mas isso nem mesmo importava. Meu bebê tinha uma família que o amava, percebi.
                Fechei meus olhos por um instante, sabendo que tudo ficaria bem.
                Tudo ficaria muito bem.
Karl
                Entrei no quarto, desesperado. Não havia achado a água em lugar nenhum, já que a cozinha dos Juges não possui um fogão. Por isso, tentara esquentar a água com minhas mãos, o que funcionara um pouco.
                Mas, logo que alcancei a porta, tive uma surpresa.
                O choro.
                Sim, o choro mais lindo que eu já ouvira.
                Tive vontade de chorar também, mas fiquei parado, apenas olhando enquanto Nate segurava aquela criança em seus braços.
                -Uma menina. – disse ele, assim que notou minha presença.
                Pela primeira vez na minha vida, agradeci por ter um irmão. Agradeci por ter Nate. Quer dizer, agora o bebê estava ali, no seu colo. Um bebê que parecia mais normal do que qualquer outro.
                Uma menina linda.
                Senti uma lágrima cair, então me aproximei para pegar minha filha. Tão pequena, mas tão perfeita. Sua pele rosadinha era linda, apesar de estar um tanto suja com sague.
                Mas, logo que me aproximei, tive um choque. Por trás de onde Nate segurava o bebê, estava Lilá. Não, não Lilá. Seu corpo estava lá.
                Pois ela estava ensangüentada, mas o pior de tudo, era a sua palidez.
                Era diferente de quando ela ainda era vampira. Naquele instante, ela parecia apenas...
                -...morta. – sussurrei.
                Corri até o lado da cama, já no meio de tantas lágrimas.
                -Lilá!? – gritei, desesperado.
                -Ela morreu, Karl. Não suportou. Não pode fazer nada.– disse Nate, com minha filha em seus braços.
                -NÃO! – berrei.
                E foi então que não me contive. Uma única ideia passou pela minha cabeça, e percebi que era minha última esperança.
                Agarrei seu braço, coberto de sangue, por sinal, e a mordi.
                Fiquei ali, enquanto meu irmão tentava me fazer parar. Mas eu não pararia. Não enquanto Lilá não acordasse.
                -VOCÊ VAI ESTRAGAR A VIDA DELA! – disse ele, como última tentativa. Já havia tentado me tirar à força, mas, como minha filha permanecia em seus braços, não fora suficiente.
                Segundos depois, achando que estava bom, me soltei de Lilá.
                -Que vida? – berrei para ele, secando as lágrimas. – Ela morreu!
                E então, senti um leve tremor.
                Vindo do corpo dela.
                By Babi

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